Polícia inclui lesão corporal em BO contra deputado do PL após tiro atingir Fred Bruno

Polícia inclui lesão corporal em BO contra deputado do PL após tiro atingir Fred Bruno - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Polícia Civil de São Paulo incluiu o crime de lesão corporal no boletim de ocorrência que investiga o disparo de arma de fogo envolvendo o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL) na casa noturna Santo Cupido, no Itaim Bibi, Zona Sul da capital. O tiro atingiu de raspão o pé do apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte SP e integrante do canal Desimpedidos. A atualização do documento foi feita na tarde de terça-feira (20), depois que a advogada do apresentador compareceu à polícia e apresentou uma petição sobre o caso. Fred Bruno diz estar bem após ser atingido de raspão por tiro dado por deputado do PL: ‘Senti um impacto muito grande’ Atingido por tiro, Fred Bruno diz que deputado do PL é despreparado para ter arma: 'Não pode passar impune' Com a mudança, Fred passou a constar oficialmente como vítima da ocorrência. A primeira versão do boletim, registrada na madrugada de segunda-feira (19), mencionava apenas o disparo de arma de fogo e não incluía o apresentador entre as vítimas. O novo registro também informa que a Polícia Civil expediu uma guia para que ele seja submetido a exame no Instituto Médico Legal (IML), a fim de constatar os ferimentos. Não há informação, porém, se o procedimento já foi realizado. A inclusão do crime de lesão corporal no boletim não significa que o parlamentar tenha sido indiciado. As circunstâncias do disparo ainda são investigadas pela Polícia Civil, que também apura denúncias de importunação sexual contra mulheres que estavam no estabelecimento. Marcelo Aguiar é detido após disparo de arma em festa em SP Em declaração ao SPTV, da TV Globo, Fred afirmou que estava bem após o episódio e contou que ouviu um barulho forte antes de sentir um impacto no pé. Segundo o apresentador, a região começou a latejar e a queimar, e ele inicialmente não entendeu o que havia acontecido. O tênis que usava foi atingido e rasgado pelo disparo. — Está tudo bem sobre o ocorrido no bar ontem à noite. Eu estava, sim, presente, embora não tivesse nada a ver com o ocorrido. Eu ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé, que começou a latejar, começou a queimar. Eu não entendi o que tinha acontecido. Porém, foi algo muito sério, poderia ter acontecido algo muito pior com qualquer outra pessoa — afirmou. Fred acrescentou que tomaria as medidas necessárias para que o caso fosse esclarecido pelas autoridades. Ele não participava da discussão que antecedeu o tiro e criticou o fato de uma pessoa estar armada dentro de uma casa noturna. O disparo ocorreu durante uma confusão envolvendo Marcelo Aguiar, na madrugada de segunda-feira. Segundo testemunhas ouvidas pelo g1, o deputado apresentava sinais de embriaguez e teria abordado mulheres que estavam em um camarote do estabelecimento. Os relatos apontam que ele tentou segurar as mãos de frequentadoras, encostou nelas e tentou mexer em seus cabelos, apesar de elas não demonstrarem interesse nas investidas. Uma das testemunhas afirmou que o parlamentar segurava uma taça de vinho e chegou a derramar a bebida nela. Segundo o relato, a situação se agravou quando uma das mulheres pediu ajuda aos amigos, e um deles se aproximou do deputado para pedir que parasse de importuná-la. — Ele não parava de irritar as meninas — afirmou a testemunha. A mulher contou que percebeu que uma confusão estava prestes a começar quando dois ou três homens se aproximaram do parlamentar. Ela relatou ter visto Aguiar cair de testa no chão e ouvido o disparo naquele momento. — Eu vi eles indo pra cima, o cara caindo no chão e ele caiu tipo literalmente de testa no chão e enquanto ele caía veio o disparo — contou. A testemunha disse que não imaginava que o deputado estivesse armado. — Porque eu falei, meu, o cara tá muito bêbado, mas jamais imaginei que ia tá armado — afirmou. As circunstâncias do tiro ainda são apuradas. No registro inicial da Polícia Militar, consta que o parlamentar teria se sentido acuado durante a discussão, sacado a arma e efetuado um disparo. Outra versão, apresentada por uma testemunha ouvida, aponta que Aguiar caiu no chão no momento em que o tiro foi disparado. Em depoimento à Polícia Civil, o deputado afirmou que passou mal durante a permanência na casa noturna, possivelmente em razão de medicamentos que havia ingerido. Ele declarou que ouviu o disparo e que, caso o tiro tenha partido de sua arma, ocorreu de maneira acidental. Após o episódio, seguranças retiraram o parlamentar do estabelecimento. Policiais militares que atenderam à ocorrência relataram que foi necessário algemá-lo devido ao estado de exaltação e ao risco à integridade física dele e de outras pessoas. Aguiar foi conduzido ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, onde prestou esclarecimentos. A prisão em flagrante não foi formalizada, e o deputado foi liberado. Segundo o delegado responsável pelo registro, a imunidade formal parlamentar impede a prisão em flagrante de deputados estaduais, salvo em casos de crimes inafiançáveis. Como a ocorrência havia sido inicialmente enquadrada como disparo de arma de fogo, crime afiançável, o parlamentar foi liberado. A pistola Glock G42, calibre .380, pertencente ao deputado, foi apreendida para perícia. A arma estava regularizada, e Aguiar tinha autorização para portá-la. A investigação deverá esclarecer se o disparo foi acidental ou intencional. Em nota divulgada após a ocorrência, a assessoria do parlamentar afirmou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa, e que acabou se envolvendo em uma discussão. — A assessoria do deputado Marcelo Aguiar informa que, sobre o episódio ocorrido na noite do último domingo, o parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão — declarou a equipe. — Em nenhum momento o deputado foi preso. Ele apenas prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado em seguida — afirmou. Segundo a nota, o parlamentar estava em casa após deixar a delegacia e passaria por uma consulta médica. A equipe declarou ainda que ele confia na Justiça e acredita que os fatos serão esclarecidos. Além do disparo, a Polícia Civil apura o uso de uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em um veículo utilizado pelo deputado naquela noite. O automóvel foi apreendido e não consta na relação de veículos autorizados pela Casa a circular com a identificação oficial. Em nota, a Alesp afirmou que o veículo não integra a frota oficial e informou ter aberto uma apuração administrativa sobre o uso das placas. — A Assembleia Legislativa de São Paulo manifesta preocupação com as informações divulgadas sobre a ocorrência envolvendo o deputado estadual Marcelo Aguiar, na madrugada desta segunda-feira. O caso já está em investigação pelas autoridades policiais competentes. No âmbito administrativo, a Casa abriu uma apuração interna, por conta das placas oficiais encontradas em veículo que não faz parte da frota — informou a Assembleia. A Comissão de Ética da Alesp também foi acionada pelas deputadas Ediane Maria e Monica Seixas, ambas do PSOL, para analisar a conduta do parlamentar. A casa noturna Santo Cupido confirmou que houve um incidente em suas dependências e que a equipe acionou as autoridades. O estabelecimento afirmou colaborar com as investigações e disse que não faria outros comentários enquanto as apurações estivessem em andamento. Quem é Marcelo Aguiar Marcelo Theodoro de Aguiar, de 53 anos, construiu carreira na música antes de entrar para a política. Cantor e compositor, começou no segmento sertanejo e posteriormente passou a se dedicar à música gospel. Foi eleito vereador de São Paulo em 2008 e chegou à Câmara dos Deputados em 2010, onde exerceu dois mandatos, entre 2011 e 2019. Depois de deixar Brasília, tentou retornar à política municipal em 2020, mas não se elegeu vereador. Em 2022, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa paulista e ficou como suplente. Assumiu uma cadeira na Alesp em janeiro de 2025, após Helinho Zanatta (PSD) deixar o Legislativo estadual para assumir a Prefeitura de Piracicaba, no interior paulista. Em 2026, concorreu à reeleição pelo PL, recebeu 37.585 votos e não conquistou um novo mandato, ficando como suplente para a próxima legislatura. Aguiar também integra a Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alesp e apresentou propostas relacionadas a temas como turismo religioso e meio ambiente. Após o incidente na casa noturna, as contas do parlamentar nas redes sociais foram colocadas em modo privado. O GLOBO confirmou que as últimas publicações de Aguiar eram sobre o ato de campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo, do qual o deputado participou.

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