A 2 dias do 2º turno das eleições, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que, embora não seja o ideal, pode ser necessário mudar as regras às vésperas do pleito. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta 6ª feira (23.out.2026), o ministro falou sobre a sua decisão de não levar adiante uma que pretendia restringir canais de WhatsApp das campanhas nas 48 horas anteriores à abertura das urnas.
Uma eventual proibição de canais do WhatsApp atingiria, entre outros, o , administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e que já tem mais de 8,5 milhões de usuários. Questionado pelas jornalistas Mariana Muniz e Pepita Ortega se uma mudança nas regras às vésperas das eleições poderia ser mal interpretada, Nunes Marques respondeu:
“Às vezes, pode se tornar necessário. As mudanças também podem beneficiar o processo eleitoral.
Se surgir uma tecnologia nova, que não esteja abrangida pela resolução, vamos permitir que ela influencie o processo eleitoral ou vamos refletir sobre a possibilidade de restringir seu uso?”, questionou retoricamente. E acrescentou: “Em condições normais, concordo que o ideal é não mudar as regras.
Mas, quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo”. RELAÇÕES COM O BANCO MASTER
O ministro também comentou as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que sugerem a sua participação em uma festa custeada pelo banqueiro com garotas de programa. Segundo o ministro, são “recortes e retalhos extraídos de celulares de terceiros, de pessoas que eu não conheço e não autorizei que falassem por mim”.
E acrescentou: “Sei que há um esforço para me tirar do processo. Pelo que estou vendo, todo esse esforço é para que eu me julgue impedido”.
Questionado pelas jornalistas sobre quem estaria por trás desse esforço, Nunes Marques limitou-se a dizer: “De quem tem interesse nisso”. Questionado novamente sobre quem teria interesse em retirá-lo do caso, disse: “Muita gente, porque ao fim e ao cabo levaria a isso.
Esse filme eu já vi acontecer lá atrás com outro colega”. Nunes Marques disse que nunca teve negócios com Vorcaro, mas não negou que o conhecia socialmente.
“Estão criminalizando o conhecimento social que as pessoas têm. Se quer saber se fiz algum negócio com ele, aí é diferente.
Isso nunca existiu. Eu nunca pedi nada a ele.
Ele nunca me pediu nada. Agora, se nos encontramos alguma vez em algum lugar, também não tem como saber.
Em Brasília, você encontra todo mundo”, declarou. O ministro também voltou a negar que seu filho teria recebido pagamentos do Master.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal mencionam pagamentos de R$ 500 mil mensais a Kevin Marques que, em vez de serem enviados diretamente a ele, seriam repassados por meio da empresa Consult. “Meu filho nunca recebeu nada do Master e nenhum parente meu jamais advogou para o banqueiro.
O sigilo do meu filho foi quebrado indevidamente e ficou comprovado que ele recebeu R$ 281,6 mil (dez parcelas de R$ 28 mil) da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos. Estes são os fatos.
Nunca votei a favor de Vorcaro, inclusive dei voto pela manutenção da prisão”, afirmou.
Poder 360