Ex-presidente da Câmara e articulador do impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha(Republicanos) não conseguiu se eleger deputado federal por Minas Gerais. A sua candidatura foi indeferida pelo TRE-MG, que o considerou inelegível até 2027, mas ele recorreu ao TSE. Com 99,85% das urnas apuradas, Cunha somava 31.795 votos. Cassado pela Câmara dos Deputados em 2016 e sem mandato desde então, o ex-presidente da Casa concorreu pelo terceiro estado diferente, depois de uma longa trajetória no Rio de Janeiro e uma tentativa frustrada em São Paulo, em 2022, na época filiado ao PTB.
Cunha passou o ano construindo uma base no interior do estado, com forte aproximação de igrejas evangélicas, emissoras de rádio e clubes de futebol. Uma peça importante dessa estratégia foi a expansão de emissoras de rádio ligadas a ele e familiares no estado. Seu mote na campanha foi criticar os governos petistas, retomando sua trajetória de rivalidade com o partido. Em 2015, quando presidia a Câmara, ele aceitou a denúncia que deu início ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Na época, o PT o acusou de vingança pela falta de apoio da bancada petista à sua eleição na Câmara. Cunha integrou um grupo de ao menos 132 candidatos que trocaram de estado para a corrida eleitoral deste ano, segundo levantamento do GLOBO a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A base reúne postulantes que já disputaram cargos em unidades da federação diferentes daquela em que estão registrados para 2026 — e mostra que a migração raramente é só geográfica: 117 desses nomes também deixaram a antiga legenda partidária ao trocar de endereço eleitoral. A sigla que mais atraiu esses "migrantes" este ano foi o Republicanos (15), seguido pelo PL (9).
O Globo