A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas por fraudes financeiras na venda de uma carteira de crédito sem lastro do Master ao BRB por R$ 12,2 bilhões. Trata-se do primeiro indiciamento contra Vorcaro apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a maior fraude do sistema financeiro do país e que levou o BRB a uma crise sem precedentes.
No relatório, a PF atribui papel de liderança a Daniel Vorcaro e afirma que ele teria influencia até nas versões apresentadas pelo BRB ao Banco Central (BC) sobre os negócios entre as duas instituições. "A vinculação de Daniel Bueno Vorcaro aos fatos não decorre apenas de sua condição de controlador do Banco Master ou do proveito econômico associado às operações.
Resulta da convergência entre sua ciência direta sobre a origem e as inconsistências das bases, o comando exercido sobre os demais envolvidos, a indicação das necessidades de liquidez, a pressão pela continuidade das cessões, a supervisão da produção documental posterior e a definição das versões apresentadas ao BRB e ao Banco Central", diz o trecho do relatório sobre o ex-banqueiro.
"Assim, considerados os elementos em sua integralidade e não de forma isolada, Daniel Bueno Vorcaro apresenta-se como principal centro de comando, coordenação e decisão da estrutura investigada, responsável por transformar as necessidades financeiras do Banco Master em ordens de obtenção de bases, produção de carteiras, cessão ao BRB, fabricação posterior dos respectivos suportes documentais e construção das versões apresentadas aos órgãos de controle.
Além de atuar na criação de espaço regulatório no BRB", segue a PF ao resumir as acusações contra ele. O relatório apresentado hoje faz parte da primeira fase da Compliance Zero, que prendeu Vorcaro pela primeira vez, em novembro do ano passado, enquanto ele tentava deixar o país pelo Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo BC. No relatório, a PF pede ainda mais 60 dias de prazo para esgotar as diligências da investigação que ainda estão pendentes.
Além da carteira de crédito sem lastro, o BRB ainda tentou comprar o Master, em uma operação que foi barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado. Vorcaro foi preso novamente em março deste ano.
Em abril, Costa também foi detido preventivamente. Daniel Vorcaro, do Banco Master
Victor Moriyama/Bloomberg
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