Suspeita de ajuda de Milei a Flávio ameaça levar crise com o Brasil a nível inédito

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

A suspeita de que o governo de Javier Milei tenha ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos pode aprofundar a crise entre Buenos Aires e Brasília. Segundo o jornal argentino Clarín, três órgãos do governo, os ministérios da Segurança e das Relações Exteriores e a agência de inteligência SIDE, participaram da operação.

O senador cruzou a fronteira para a Argentina na noite de terça-feira (27), após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do Brasil. Flávio entrou no país vizinho com passaporte italiano e embarcou em um avião particular que chegou a Miami nesta quarta (28), segundo a imprensa argentina.

A dimensão da participação oficial argentina ainda precisa ser esclarecida. Continua após a publicidade

O governo confirmou que Flávio e a família entraram no país com documentos válidos e afirmou que não havia impedimento legal para a entrada. O Clarín, por sua vez, diz que uma caminhonete com placa diplomática foi colocada à disposição da família e que agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária acompanharam o grupo no aeroporto de Puerto Iguazú.

Continua após a publicidade As informações sobre o apoio logístico foram atribuídas pelo jornal a fontes oficiais e locais; o governo argentino não apresentou publicamente uma versão detalhada da operação.

O caso tem uma nuance jurídica. A Polícia Federal brasileira confirmou que havia uma ordem judicial proibindo Flávio de deixar o país e que ele não entregou o passaporte italiano no prazo determinado.

Continua após a publicidade Mas afirmou que o descumprimento, por si só, não o torna foragido nem autoriza sua prisão.

A PF investiga como ele saiu do Brasil; não havia registro de passagem pelos postos migratórios brasileiros. Relação já estava rebaixada

O episódio ocorre depois de meses de atritos entre Milei e Lula. Continua após a publicidade

Em agosto, o Itamaraty decidiu tratar com a Argentina apenas por meio de um encarregado de negócios, enquanto o embaixador argentino no Brasil poderia voltar a Buenos Aires. A medida foi uma resposta aos ataques de Milei ao presidente brasileiro e a autoridades do país.

Continua após a publicidade Uma eventual confirmação de que órgãos argentinos mobilizaram recursos públicos para facilitar a viagem de um senador que descumpriu uma ordem judicial brasileira acrescentaria uma dimensão institucional ao conflito.

Até agora, não há anúncio de sanções ou de retaliação comercial brasileira. O governo de Lula evitou comentar o possível apoio argentino.

O impacto potencial não é apenas diplomático. O Brasil é o principal destino das exportações argentinas.

Respondeu por 12% das vendas externas de bens do país no primeiro semestre de 2026, à frente da China e dos Estados Unidos, segundo dados do Indec. Uma deterioração dos canais de diálogo poderia dificultar negociações comerciais e a coordenação entre os dois países no Mercosul, embora, até aqui, não haja indicação de que o caso tenha produzido efeitos sobre o comércio. 

Congresso e Justiça cobram explicações Na Argentina, a repercussão já chegou ao Congresso.

Deputados opositores pediram que o chanceler Pablo Quirno compareça para explicar a possível participação de funcionários e o eventual uso de recursos públicos. O pedido foi apresentado enquanto o Ministério Público Federal em Puerto Iguazú solicitava informações a órgãos oficiais sobre a entrada de Flávio no país e a existência de algum impedimento. 

A imprensa argentina também apresentou versões e ênfases diferentes. O Clarín publicou que Segurança, Chancelaria e SIDE atuaram na saída do senador.

O Página|12 descreveu a operação como uma colaboração do governo de Milei e destacou a cobrança por explicações no Congresso. Já o La Nación relatou a confusão sobre o paradeiro de Flávio e a circulação de informações contraditórias no início da cobertura; reportagens posteriores do jornal confirmaram a passagem pela Argentina e a chegada aos Estados Unidos.

A situação também expõe uma divergência dentro do governo argentino. Enquanto Milei ainda não havia comentado a eleição brasileira nem o caso, a então ministra da Segurança Patricia Bullrich afirmou que o resultado das urnas deve ser respeitado e que a democracia não pode ser tratada como uma disputa em que quem perde “vai para a cadeia”.

A declaração contrastou com o apoio público de Milei à candidatura de Flávio e com a linha adotada por integrantes de seu governo nas redes sociais.  O desfecho dependerá do que as investigações e os pedidos de informação revelarem sobre a atuação de funcionários argentinos.

Por ora, a entrada de Flávio foi registrada como regular pelas autoridades migratórias do país. A questão política para Milei é outra.

Se ficar comprovado que o Estado argentino organizou ou facilitou a saída, o governo terá de explicar por que mobilizou seus órgãos em favor de um aliado político que estava sob uma ordem judicial do principal parceiro regional da Argentina. Publicidade

Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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