PF faz operação que mira em ex-servidor do STJ suspeito de passar informações a advogado amigo de Flávio Bolsonaro

PF faz operação que mira em ex-servidor do STJ suspeito de passar informações a advogado amigo de Flávio Bolsonaro - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Polícia Federal (PF) realiza nesta segunda-feira buscas contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida ocorre no âmbito de uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e que também envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. Pradera foi exonerado do STJ na última sexta-feira. Antes disso, o presidente do tribunal, ministro Luis Felipe Salomão, já havia determinado a abertura de um procedimento interno para apurar as suspeitas envolvendo o servidor. Em nota, o STJ afirmou que Salomão tomou conhecimento dos fatos e que a apuração administrativa havia sido instaurada na semana passada. Segundo a Corte, Pradera foi exonerado por ocupar um cargo de confiança e não ser servidor concursado. “As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar”, informou o STJ. Entenda a investigação Humberto Pradera passou a ser investigado a partir de informações reunidas pela Polícia Federal em uma apuração que envolve o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Pradera ocupava o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a investigação, mensagens indicam que informações sobre processos em tramitação no STJ teriam sido repassadas a Willer. Entre os elementos identificados pelos investigadores estão dados sobre demandas internas da Corte e até uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador. A PF também identificou indícios de que o escritório de Willer tinha acesso antecipado a minutas de decisões do STJ e a pareceres do Ministério Público Federal (MPF). Em alguns casos, o escritório teria recebido previamente informações sobre o resultado de julgamentos e, a partir disso, alterado sua estratégia processual. Em nota, Willer Tomaz nega ter obtido qualquer acesso irregular a decisões judiciais ou ter interferido no conteúdo de manifestações do Ministério Público Federal. O advogado afirma que as insinuações feitas contra ele são “falsas” e que desconhece o relatório citado da PF. “O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais”, diz trecho da nota. O advogado argumenta ainda que o conhecimento antecipado de julgados não é crime, mas sim uma “funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte”. “Tampouco há ilícito quando um procurador, convencido pelos memoriais apresentados, incorpora seus argumentos ao parecer. Isso é contraditório, e converter rotina processual em suspeita é criminalizar a advocacia.A defesa desconhece o relatório citado e repudia sua divulgação seletiva, em plena campanha eleitoral, com menções a terceiros alheios aos fatos investigados. Ilegal, este sim, é o vazamento de material sigiloso, cujos autores serão identificados e responsabilizados”. O GLOBO não localizou Humberto Pradera. Ao portal UOL, ele afirmou não ter acesso a processos em andamento e declarou que não havia sido informado de sua exoneração.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo