Campanha de Flávio vê postura agressiva como ponto negativo em debate; equipe de Lula aponta falta de propostas e aspecto de 'cansado' do petista

Campanha de Flávio vê postura agressiva como ponto negativo em debate; equipe de Lula aponta falta de propostas e aspecto de 'cansado' do petista - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

As campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificaram problemas no desempenho de seus candidatos durante o primeiro debate do segundo turno, realizado neste domingo, na Band, e discutem ajustes para o próximo confronto, na TV Globo. No entorno de Flávio, a avaliação é que o senador exagerou na agressividade, transmitiu uma imagem de arrogância em determinados momentos e deixou de responder a perguntas importantes do adversário. Já integrantes da equipe de Lula apontam que o petista deixou de apresentar propostas, deu respostas pouco firmes às acusações do adversário e transmitiu uma imagem de cansaço em alguns momentos, o que foi visto como negativo. Apesar das ressalvas, os dois grupos consideram que o debate não alterou significativamente o cenário eleitoral. Entre os aliados de Flávio, a principal preocupação é que o tom adotado pelo senador tenha dificultado a aproximação com eleitores indecisos. Embora considerem que ele seguiu o treinamento preparado para o debate e demonstrou mais segurança que Lula, interlocutores do senador avaliam que o excesso de provocações reforçou seu discurso entre os apoiadores já convencidos, sem necessariamente conquistar novos votos. Um dos episódios citados ocorreu quando Flávio cobrou respeito do presidente por ter recebido quase 56 milhões de votos no primeiro turno, o que, na visão de aliados, pode ter soado como arrogância. Em outro momento, afirmou que estava "esfregando verdades" na cara do adversário. Aliados também fizeram ressalvas às interrupções, às ironias recorrentes e aos gestos de reprovação enquanto Lula falava. A avaliação é que essas atitudes transmitiram uma imagem de "salto alto", em contraste com a postura mais moderada que parte da equipe considera necessária para alcançar eleitores fora da base bolsonarista. As críticas internas também envolvem as respostas evasivas. Embora a estratégia preparada pela campanha previsse evitar determinadas discussões e direcionar o confronto para temas desfavoráveis a Lula, aliados reconhecem que Flávio exagerou, especialmente no primeiro bloco. Entre os assuntos nos quais a equipe identificou dificuldades estão os questionamentos sobre o financiamento do filme "Dark Horse", financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual e suas mudanças de posição sobre o fim da escala 6x1. Interlocutores consideram que o senador poderia ter apresentado explicações mais claras, sobretudo no caso do filme, assunto sobre o qual já havia se manifestado publicamente. Para o próximo debate, integrantes da campanha do PL defendem que Flávio adote uma postura mais propositiva e responda diretamente aos questionamentos, sem abandonar os ataques ao adversário. A intenção é corrigir os excessos identificados no primeiro confronto e ampliar o alcance de seu discurso entre eleitores que ainda não decidiram o voto. Apesar da autocrítica, o balanço interno é que o encontro foi favorável ao senador. Durante o debate, integrantes da campanha elogiaram sua disciplina em seguir o treinamento e avaliaram que Lula demonstrou nervosismo no primeiro bloco. A equipe também considera que Flávio conseguiu rebater as acusações de que um eventual governo seu colocaria em risco o Bolsa Família, o SUS e outros direitos sociais. Para a última semana, a campanha pretende explorar nas redes sociais trechos do debate que trataram das investigações envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, da cobrança relacionada a uma reunião entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, do combate ao narcotráfico e do endividamento das famílias. A avaliação é que, embora o debate não tenha alterado significativamente as intenções de voto, ofereceu material para a disputa digital na reta final. Petista deve rever estratégia para encontro na TV Globo No entorno de Lula, a avaliação é que o presidente não surpreendeu no debate, diferentemente da expectativa de sua própria campanha. Pesquisas qualitativas realizadas pela equipe do petista apontaram que ele passou uma imagem de estar cansado, especialmente no primeiro bloco, considerado o mais importante por concentrar a maior audiência. Os levantamentos também indicaram que Lula perdeu essa etapa do confronto. Outra autocrítica é que o presidente não respondeu diretamente às acusações feitas por Flávio, nem se defendeu com a firmeza que costuma demonstrar em entrevistas. Um dos episódios citados foi quando o senador perguntou se Lula conhecia a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, seu filho mais velho. O petista respondeu que o assunto era da Polícia Federal, sem esclarecer se conhecia ou não Roberta. Para aliados, a resposta deixou espaço para o adversário insistir no questionamento. A equipe também considera negativo o fato de Lula não ter conseguido apresentar propostas para o futuro, apesar de essa orientação ter sido discutida durante o treinamento. O presidente falou mais sobre as realizações de seus três mandatos, mas, na avaliação de interlocutores, o eleitor não conseguiu captar o que ele pretende fazer em um eventual novo governo. A dificuldade contraria a mudança de tom que a campanha tenta imprimir no segundo turno, com o objetivo de mostrar um candidato mais propositivo. O presidente também enfrentou dificuldades com o enquadramento das câmeras. Segundo aliados presentes no estúdio, a câmera para a qual o presidente falava estava posicionada diante da plateia de convidados de Flávio, que fazia provocações ao petista. A situação, de acordo com esses interlocutores, prejudicou a concentração de Lula durante o confronto. Apesar da avaliação negativa sobre o primeiro bloco, o entorno do presidente considera que o debate terminou em um empate, sem mudança significativa nas intenções de voto ou grande impacto entre os eleitores indecisos. A campanha pretende agora explorar duas frentes de desgaste de Flávio nas redes sociais: o desafio feito por Lula para que ambos abram seus sigilos bancários e telefônicos e o fato de o senador não ter respondido diretamente aos questionamentos do presidente. Entre os assuntos que os petistas pretendem destacar estão as perguntas sobre o dinheiro que Flávio teria recebido de Vorcaro e sua atuação na defesa de um policial militar envolvido no processo sobre a morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em Niterói, em 2021. Flávio é advogado no caso. Para o próximo debate, na TV Globo, o treinamento de Lula deverá levar em conta a avaliação de que o senador evita responder às perguntas e recorre a provocações durante o confronto, além de reforçar a necessidade de apresentar propostas para um eventual novo mandato.

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