A Polícia Federal (PF) abriu um processo administrativo que pode culminar com a cassação de registro, porte e posse de arma para o deputado estadual de São Paulo Marcelo Theodoro de Aguiar (PL), acusado de atirar com uma pistola Glock, calibre .380, dentro de uma bar na Zona Sul da capital, em 20 de outubro.
Na ocasião, o tiro acertou o pé do apresentador da TV Globo Fred Bruno. Segundo a PF, que instaurou o procedimento na segunda-feira (26), os fatos narrados por testemunhas representam indícios suficientes para justificar uma possível perda de idoneidade administrativa por parte do acusado, motivo pelo qual a ação foi aberta no âmbito da corporação.
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De acordo com testemunhas, Aguiar apresentava sinais de embriaguez, incomodava frequentadores e teria importunado mulheres no estabelecimento. Os relatos apontam que ele estaria abordando diversas mulheres, pegando em suas mãos e encostando nelas.
A situação teria provocado a reação de outros clientes e dado início a uma discussão. A Polícia Militar foi acionada e conduziu o parlamentar ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros.
Segundo informações do boletim de ocorrência, Aguiar estava em estado de exaltação e precisou ser algemado durante a abordagem. A arma foi apreendida e encaminhada para perícia.
Marcelo Aguiar é detido após disparo de arma em festa em SP No dia seguinte, em nota, a assessoria de Aguiar afirmou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa, e que acabou se envolvendo em uma discussão.
Segundo a nota, Aguiar confia na Justiça e espera que os fatos sejam esclarecidos. Fred afirmou, em vídeo enviado a TV Globo, que está tomando as medidas necessárias após o episódio.
Ele pontuou não participava da discussão que antecedeu o tiro. Apesar do ferimento, ele afirmou que está bem.
— Está tudo bem sobre o ocorrido no bar ontem à noite. Eu estava, sim, presente, embora não tivesse nada a ver com o ocorrido.
Eu ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé, que começou a latejar, começou a queimar. Eu não entendi o que tinha acontecido.
Porém, foi algo muito sério, poderia ter acontecido algo muito pior — afirmou o apresentador. MP não quer foro privilegiado
O procurador de Justiça Sérgio Turra Sobrane pediu à Justiça paulista que o caso seja remetido à primeira instância, pois os fatos não ocorreram durante o exercício do mandato do deputado, ou em função dele. "O relato é de fatos ocorridos no contexto de frequência a estabelecimento comercial, sem qualquer relação com o mandato exercido perante a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Logo, o caso deve tramitar em primeiro grau de jurisdição", afirmou o procurador paulista. A Justiça ainda não determinou se acata ou não o pedido do membro do MP.
Enquanto a jurisdição do processo não é definida, a Polícia Civil segue com as investigações. Até o momento, três testemunhas foram ouvidas, duas das quais presenciaram o momento dos tiros.
A terceira, uma mulher, diz apenas ter ouvido o disparo. Segundo pessoas que acompanham o processo, há a possibilidade de Aguiar estar acompanhado por mais de um deputado, mas os nomes não foram confirmados e tampouco divulgados até o momento.
O Globo