Belo Horizonte — A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) defendeu nesta segunda-feira (26/10) uma relação de diálogo com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), apesar das diferenças ideológicas entre os dois. Durante entrevista coletiva em Belo Horizonte para falar sobre a vitória de Lula (PT), a petista afirmou que pretende colaborar com o futuro governo sempre que houver benefício para os mineiros.
“Não haverá nenhum impedimento da minha parte para que nós possamos melhorar [a vida da população] de alguma forma”, declarou. Ana Elisa classificou Cleitinho como uma pessoa “muito maleável” e disse que a relação entre ambos deve ser “profissional”.
Questionada sobre uma possível aproximação do governador eleito com o PT, afirmou que não cabe ao partido tentar deslocá-lo de seu campo político, mas deixou as portas abertas. “Se ele se sentir confortável de vir, imagino que será bem-vindo.
Se quiser permanecer, também que permaneça. Isso é uma democracia”, disse a deputada eleita.
“Nós estamos falando de uma pessoa muito maleável, pelo que se aparenta, que é o governador Cleitinho, que foi eleito, escolhido pelas urnas, assim como eu. Então, eu quero trabalhar o melhor para o povo mineiro, para o povo que me elegeu e não só para o povo mineiro, para o povo brasileiro”, detalhou Ana Elisa.
A deputada concedeu a entrevista no dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também virou a disputa em Minas Gerais. Segundo Ana Elisa, o PT distribuiu tarefas conforme a atuação e a força regional de suas lideranças.
Ela afirmou que foi a Brasília conversar com a coordenação da campanha e depois assumiu a missão de mobilizar jovens, movimentos estudantis e eleitores em diferentes estados. Para Ana Elisa, a esquerda havia perdido espaço tanto nas ruas quanto no ambiente digital antes de reagir no segundo turno.
“Nós perdemos o costume de ir para as ruas e também ficamos sem rede social. Quase que o campo ficou negacionista de rede”, avaliou.
A petista avaliou, porém, que Lula ouviu as lideranças jovens e mudou a postura da campanha, com maior presença pessoal nas redes e incentivo à mobilização popular. Ana Elisa também destacou o papel do deputado André Janones (Rede-MG), responsável pela criação do chamado “Exército do Lula”.
Ela rejeitou uma disputa interna por protagonismo, mas afirmou ter enviado uma mensagem ao parlamentar reconhecendo sua importância: “A gente deve o resto dessa eleição a você”. Segundo a deputada, Janones foi criticado ao apontar falhas da campanha no primeiro turno, persistiu na estratégia digital e “merece o espaço” conquistado.
Sobre a recusa de Flávio Bolsonaro (PL) em reconhecer o resultado e o anúncio de que pedirá a anulação da eleição, Ana Elisa comparou o movimento à contestação das urnas ocorrida em 2022. Ela disse não ter assistido ao vídeo do candidato derrotado e ironizou: “Pergunta se eles querem cancelar o primeiro turno, então.
Será que alguém vai querer?”. Flávio terminou a primeira rodada à frente de Lula, mas foi derrotado no segundo turno, tanto em Minas quanto no resultado nacional.
Metropoles