Para quem está viajando, essas interferências podem representar mais tempo no deslocamento e exigir planejamento e paciência. Para quem está do lado de dentro da obra, elas representam algo essencial: a possibilidade de transformar uma rodovia que precisa continuar funcionando enquanto é ampliada.
Esse é um dos grandes desafios da engenharia rodoviária: duplicar pistas, ampliar pontes, implantar viadutos e criar novos dispositivos ao mesmo tempo em que a rodovia segue cumprindo seu papel na mobilidade das pessoas e no transporte de cargas. No primeiro ano do contrato modernizado de concessão da BR 101 ES/BA, 23,2 quilômetros de duplicação foram liberados ao tráfego, enquanto novas frentes continuam avançando.
Entre Serra, Fundão, Ibiraçu e João Neiva, por exemplo, estão em implantação quase 25 quilômetros de duplicação. Também avançam obras estruturantes como os contornos de Fundão e Ibiraçu, que criarão alternativas para retirar parte do tráfego de passagem, especialmente de veículos pesados, das áreas urbanas.
São intervenções que exigem terraplenagem, movimentação de grande volume de materiais, novas estruturas e diversas etapas executivas. É esse volume de obras simultâneas que ajuda a explicar por que o usuário encontra mais interferências na rodovia.
Há trabalhos que não podem ser realizados com veículos circulando ao lado. A fragmentação controlada de rochas é um bom exemplo.
Para abrir espaço para a nova pista, é preciso trabalhar sobre maciços rochosos existentes no traçado. Durante determinadas etapas dessa operação, é necessário estabelecer uma área de segurança sem a presença de veículos e trabalhadores.
Operações desse tipo já foram necessárias em diferentes pontos da BR 101. Outras obras exigem movimentar estruturas de grandes dimensões sobre ou muito próximas à pista.
Na duplicação da ponte sobre o Rio Timbuí, em Fundão, foi necessário transportar e içar cinco vigas pré-moldadas de 73 toneladas cada, somando 365 toneladas. Quatro guindastes participaram da operação.
Nesse momento, manter veículos passando pelo local não é compatível com os protocolos de segurança. O bloqueio temporário, ainda que a atividade seja executada em períodos noturnos, é fundamental.
Em outras situações, não é necessário fechar completamente a rodovia. É aí que entra o conhecido Pare e Siga: a interrupção de apenas um sentido da pista, enquanto o outro circula.
Isso permite conciliar a continuidade do tráfego com atividades como movimentação de máquinas e equipamentos, terraplenagem e trabalhos executados próximos à pista. Há também desvios temporários, alterações de acessos e reduções de velocidade.
Cada solução depende do tipo de serviço que está sendo realizado, da geometria do local, do volume de tráfego e das condições necessárias para proteger usuários e trabalhadores. E nenhuma dessas interferências deve ser banalizada.
Executar a obra mantendo a circulação de pessoas envolve planejamento de tráfego, sinalização, escolha de horários, posicionamento de equipamentos, logística dos materiais e presença de equipes operacionais. No entanto, existe uma relação inevitável entre duas realidades que o usuário começa a enxergar na BR 101: quanto mais frentes de obras avançam simultaneamente, maior pode ser a ocorrência de interferências temporárias.
É compreensível que, durante a viagem, seja mais fácil perceber a fila, os cones ou a redução de velocidade do que aquilo que está sendo construído alguns metros adiante. Mas cada uma dessas etapas tem um destino.
Entre Serra, Fundão, Ibiraçu e João Neiva, citados anteriormente, os trabalhos resultarão em duas faixas de tráfego por sentido, além de novas pontes, reforço e alargamento de estruturas existentes e cinco interseções em desnível. São intervenções projetadas para ampliar a segurança, reduzir gargalos e adequar a capacidade da rodovia ao volume crescente de tráfego.
Por isso, uma obra rodoviária tem dois tempos muito diferentes. Existe o tempo da construção, marcado por máquinas, desvios, velocidade reduzida e interferências.
E existe o tempo da infraestrutura entregue, que permanecerá por muitos anos depois que os equipamentos deixarem o local. Quando o canteiro de obras desaparece, o que fica são novas pistas, pontes, viadutos, contornos, acessos e uma BR 101 com mais capacidade para atender ao Espírito Santo.
Por isso, a máxima é válida: às vezes, para avançar, é preciso parar. O desafio na BR 101 é fazer com que cada parada seja tão breve quanto possível, tão segura quanto necessário e tenha sempre uma entrega concreta pela frente.
A Gazeta