Wilder Morais vai abrir mão do comando do PL ou esperar que o façam por ele?

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Passadas as eleições deste ano, os partidos “fecham para balanço” e avaliam, internamente, o que muda, o que continua e como vão caminhar até 2028, principalmente no que diz respeito aos vencedores do pleito. Farão alianças? Serão oposição? Quais quadros já começarão a ser trabalhados? Quais precisam jogar a toalha e caçar outro rumo?

As lideranças que se prezem, quando percebem que não entregaram um bom resultado, fazem uma profunda autocrítica, que passa por diálogos e construções conjuntas com os correligionários ou, na hipótese mais profunda, pela decisão de abrir mão do posto de comando. Às vezes, em nome até de uma alternância, de uma “arejada no poder”.

Mas Wilder Morais, senador da República derrotado nas últimas eleições estaduais em Goiás, não parece fazer nem uma coisa nem outra. Em Goiás, o PL, partido que o senador preside, conseguiu um bom resultado nas urnas.

Apesar dele. Isso porque, além de os cinco deputados estaduais, quatro federais e o senador eleito, o mais votado do estado de Goiás, terem conseguido se eleger sem absolutamente nenhuma ajuda ou influência de Wilder, alguns garantiram uma cadeira no Legislativo até fazendo oposição interna ao presidente estadual da sigla.

É o caso da deputada Magda Mofatto, por exemplo, e de Gustavo Gayer, que, verdade seja dita, nos bastidores nunca conseguiu engolir a manobra feita por Wilder que extinguiu a aliança que seria construída entre o governo do Estado e o PL para as eleições. Deputado federal eleito, o vereador Major Vitor Hugo, uma das principais lideranças do PL e que já foi líder do governo Bolsonaro na Câmara, deu voz exatamente ao clima que paira no PL goiano hoje.

Em entrevista recente a uma rádio de Goiânia, Vitor Hugo fez um apelo público para que Wilder chame o partido para conversar e, justamente, falar sobre a sucessão do comando da legenda. O deputado eleito fez questão de frisar que, até hoje, após o pleito, não houve nenhum tipo de reunião ou conversa a respeito.

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O nome de Gayer, inclusive, tem sido citado como o possível novo líder do PL em Goiás. Porém, como se sabe, Wilder não é muito afeito ao diálogo.

Nunca foi, e isso é admitido por seus próprios (poucos) aliados. Aqui no estado, a legenda bolsonarista tem órgão provisório, que conta com Wilder na presidência até maio do ano que vem.

Mas já é sabido que a situação de Wilder não permitirá que ele fique até lá. Derrotado nas urnas com uma votação decepcionante, menos de 800 mil votos na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, Wilder conseguiu queimar suas reservas políticas e eleitorais e detonar sua imagem com um êxito surpreendente.

Passou por cima das maiores lideranças do PL para empurrar seu projeto pessoal de disputar o governo de Goiás e, no final das contas, teve um resultado humilhante. E não bastando, abriu fogo contra as figuras mais populares do partido sob o pretexto de “infidelidade partidária” (o prefeito Márcio Corrêa que o diga).

Como se não bastasse, o parlamentar não consegue ao menos seguir as diretrizes “radicalizadas” do bolsonarismo. Quem não se lembra do discurso de Wilder durante a campanha, “Flávio primeiro, Goiás depois”? Passado o pleito, e passada a derrota e fuga do filho “01” de Bolsonaro, parece que nem uma coisa nem outra tem sido prioridade para o senador.

O próprio Gayer criticou publicamente a falta de uma defesa mais contundente de Wilder a Flávio Bolsonaro, chegando a chamar o senador de “bunda mole”. Vale lembrar que o PL há tempos já recalculou sua rota e, em Goiás, deve trilhar a mesma rota do governo do Estado e até da Prefeitura de Goiânia.

E Wilder passa muito ao largo dos projetos e alianças já em construção. Os dias de Wilder Morais no comando do PL estão contados, isso é fato.

Diz-se que até sua permanência na legenda pode ser avaliada. Espera-se, então, que o senador tenha o bom senso de preparar uma saída honrosa e baseada na autocrítica.

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