O grupo foi solto em uma área das montanhas Ródope onde pesquisadores acompanham o uso de campos e matas. Em julho de 2025, o bisão-europeu voltou a circular livremente em Zhenda, nas montanhas Ródope, na Bulgária.
Os animais passaram por adaptação antes de sair do recinto. Ao pastar e se deslocar, começaram a influenciar a vegetação que o projeto acompanha na área.
Zhenda fica nas Ródope Orientais, perto de Kardzhali. O comunicado da Rewilding Rhodopes informou a soltura de nove bisões, sete fêmeas e dois machos, em julho de 2025.
O grupo passou por um período de adaptação em uma área cercada. A ação faz parte de um programa regional iniciado em 2013.
Já havia um grupo livre nas proximidades do reservatório de Studen Kladenets. A soltura de Zhenda amplia o esforço para estabelecer animais em outro ponto das montanhas.
O pastoreio reduz a altura da vegetação nas áreas mais usadas pelo grupo. Como os bisões se alimentam e descansam em pontos diferentes, deixam trechos sob intensidades variadas de uso.
Essa diferença ajuda a produzir uma paisagem com vegetação de alturas distintas. O deslocamento também pode transportar sementes e criar trilhas.
O efeito depende do terreno e do tempo de permanência dos animais em cada área. A presença dos bisões acrescenta um processo que atua junto com as chuvas e o crescimento sazonal das plantas.
Os animais influenciam o terreno por meio de atividades do dia a dia. O bisão-europeu, Bison bonasus, perdeu as últimas populações livres no início do século XX.
Os últimos animais conhecidos na natureza desapareceram do Cáucaso em 1927. A espécie persistiu graças aos exemplares que ainda viviam sob cuidados humanos.
A criação em cativeiro permitiu formar grupos para reintrodução. Esse trabalho antecedeu a recuperação em diferentes países.
A soltura nas Ródope pertence a uma história que começou com poucos sobreviventes e passou a incluir grupos livres em várias partes da Europa. Os bisões receberam colares com GPS para registrar os deslocamentos.
As posições ajudam a reconhecer onde o grupo permanece, por quais rotas circula e quais partes do terreno usa. O acompanhamento permite avaliar a adaptação depois da saída do recinto.
A Rewilding Europe também descreveu planos para comparar a vegetação ao longo do tempo com levantamentos aéreos. Os mapas de deslocamento podem orientar a interpretação dessas imagens.
Assim, as mudanças observadas podem ser comparadas aos locais efetivamente usados pelo grupo. Três etapas permitem acompanhar a intervenção.
A continuidade do grupo depende de sobrevivência e reprodução ao longo de vários anos. Nascimentos em liberdade ajudam a indicar adaptação.
Para avaliar se a população pode se manter, também é preciso acompanhar o crescimento dos filhotes e as condições do habitat. O acompanhamento da vegetação responde a outra pergunta.
Mapear locais de pastoreio permite verificar onde o uso pelos bisões coincide com mudanças no terreno. A comparação ao longo das estações ajuda a separar essas mudanças das variações naturais da paisagem.
Os bisões voltaram a pastar e a se deslocar por Zhenda, dois comportamentos com efeitos diretos sobre a vegetação. Os registros de campo já permitem localizar áreas usadas pelo grupo.
A escala das mudanças ficará mais clara em levantamentos comparáveis. A história do bisão-europeu liga a sobrevivência em cativeiro à recuperação de animais livres.
Em Zhenda, essa trajetória aparece na adaptação do grupo e nas marcas que os herbívoros deixam enquanto passam a ocupar diferentes partes das montanhas.
O Antogonista