Nesta semana, a Defesa Civil do Brasil divulgou uma lista de itens para a montagem de um kit de emergência. A orientação segue uma estratégia simples: prevenção, com o objetivo de ajudar a população brasileira a estar preparada para situações de risco.
Esse tipo de publicação é recorrente e já foi feito em outros momentos deste ano.A preocupação com a preparação para emergências, no entanto, não se restringe ao Brasil. No Reino Unido, uma campanha governamental chamada Be Ready (Esteja Preparado, em tradução livre) busca chamar a atenção para os riscos de eventos climáticos extremos e ataques cibernéticos, que podem comprometer serviços essenciais, como o fornecimento de energia elétrica.Leia MaisTrês a cada dez municípios brasileiros não possuem planos para enfrentar desastres climáticosTrens parados, caos nos aeroportos: como se desenrolou o apagão em Portugal e EspanhaUm exemplo de como esse tipo de situação pode afetar a população ocorreu em 5 de dezembro de 2015, na cidade de Lancaster, na Inglaterra.
Às 22h45, o rio Lune, que atravessa o município, transbordou e provocou a interrupção do fornecimento de energia elétrica para 61,5 mil pessoas.Um dos afetados foi o professor universitário Roger Kemp. Em entrevista à BBC, ele contou que assistia a uma série policial quando "tudo apagou".
Ao sair para caminhar no dia seguinte, descreveu o cenário como "um filme de zumbis"."As pessoas tentavam encontrar sinal de telefone, queriam saber onde estavam as coisas, e havia uma fila enorme na única cabine telefônica que ainda funcionava", relatou Kemp à BBC.Com a interrupção do fornecimento de energia, as residências também ficaram sem aquecimento.
Parte do abastecimento de água começou a falhar, enquanto postos de combustível, caixas eletrônicos e estações ferroviárias tiveram o funcionamento comprometido.O episódio acendeu um alerta entre especialistas em planejamento de contingências: o que acontece quando uma cidade fica dias sem eletricidade? E, principalmente, quem está preparado para enfrentar uma situação como essa?Kemp, professor de engenharia especializado em segurança e sistemas elétricos, reuniu especialistas três meses depois do episódio para analisar os problemas identificados durante a emergência.
A conclusão foi que, quando uma cidade fica vários dias sem energia, os serviços e sistemas dos quais depende a sociedade conectada podem entrar em colapso.Esse tipo de situação passou a ser chamado de evento de "Céu Negro" (Black Sky, em inglês). A campanha britânica Be Ready foi criada para preparar a população para diferentes tipos de crises.
O governo, porém, afirma que não existe uma ameaça específica à rede elétrica do país. Ainda assim, a possibilidade de um evento de Céu Negro está entre as preocupações das autoridades.A manivelaA BBC também mantém um plano próprio para situações de Céu Negro.
Uma das alternativas previstas é o uso de um rádio mecânico, que pode ser alimentado por meio de uma manivela, sem depender diretamente da rede elétrica.A comunicação de emergência seria feita pelas ondas de rádio FM. Segundo a reportagem da BBC, apenas um pequeno grupo de funcionários conhece todos os detalhes do planejamento, mas cerca de 100 pessoas seriam responsáveis por operar um estúdio especial de rádio de emergência.O espaço contaria com linhas de comunicação seguras e independentes da internet, além de combustível, água e alimentos suficientes para funcionar por pelo menos três dias, ou 72 horas, sem necessidade de reabastecimento.A ideia é que o serviço transmita mensagens governamentais previamente preparadas, com orientações à população sobre como agir durante a emergência.Mais que um apagar das luzesEm entrevista à BBC, Lord Harris, presidente da Comissão Nacional de Preparação do Reino Unido, afirmou que a população precisa entender que os cortes de energia vão muito além de simplesmente ficar sem iluminação."É provável que o abastecimento de água seja interrompido, porque, a menos que você esteja convenientemente localizado abaixo de um reservatório, o sistema depende de eletricidade", explicou.Outro problema, segundo Harris, envolve o sistema de esgoto, que pode ser comprometido quando a água deixa de circular."Isso provoca entupimentos, todo o sistema fica comprometido, e você começa a ter esgoto transbordando e retornando pela rede", alertou.O planejamento para situações de emergência, portanto, não depende apenas de governos e emissoras.
A preparação também começa dentro de casa, com itens básicos que podem fazer diferença durante um apagão. Ter uma lanterna, pilhas em boas condições
Correio Braziliense