A Quaest mapeou em seu último levantamento, feito entre 17 e 20 de outubro, o que os brasileiros mais esperam que melhore na vida como consequência da eleição para presidente. Os dados, divulgados nesta sexta-feira pelo GLOBO, apontam que um quarto dos eleitores (25%) espera principalmente "pagar menos impostos" e pouco mais de um sexto deles (18%) se sentir seguro nas ruas.
Pesquisa Quaest: Flávio tem 45%, e Lula marca 44%; distância diminui a quatro dias da eleição Quaest: Lula avança entre eleitores de Cury no segundo turno, enquanto Flávio cresce entre apoiadores de Renan e Caiado
Os dados corroboram a centralidade da agenda de economia e segurança pública para a decisão de voto, dois dos temas mais proeminentes na disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial. Desde o início da corrida ao Planalto, o combate à criminalidade despontou entre as preocupações do brasileiro — Flávio prometeu medidas mais duras e apontou suposta leniência da esquerda contra facções criminosas, enquanto Lula levou à frente um projeto que reivindica para a gestão federal mais responsabilidade na segurança urbana, delegado pela Constituição Federal aos estados e ao Distrito Federal.
Veja abaixo o que o brasileiro mais espera ao votar para presidente: Pagar menos impostos - 25%
Me sentir seguro nas ruas - 18% Conseguir comprar mais com o que ganha - 11%
Ganhar mais dinheiro do que ganho hoje - 8% Me sentir livre para expressar a minha opinião - 7%
Manter meu trabalho ou minha fonte de renda - 7% Expandir ou abrir o meu próprio negócio - 6%
Ter condições de moradia mais dignas - 6% Conseguir pagar minhas dívidas - 5%
Não espero conseguir nada desta eleição - 3% Não souberam/não responderam - 3%
A expectativa pela queda na cobrança de impostos é maior no Sul (38% a citam como principal consequência esperada do pleito) e entre os homens (27%). No Sudeste e no Nordeste, desponta a segurança nas ruas (23% e 20%, respectivamente), assim como entre os eleitores de 60 anos ou mais (30%) e entre os eleitores que optaram no primeiro turno pelos candidatos do Avante e do PSD, respectivamente, Augusto Cury (29%) e Ronaldo Caiado (43%).
Temor com menos liberdade de expressão De acordo com os dados, seis em cada dez eleitores (65%) acreditam que, se o candidato oposto ao de sua preferência vencer o pleito, a melhoria esperada para a própria vida após o desfecho da eleição não será possível.
Outros 29% afirmaram acreditar que as consequências esperadas podem se tornar realidade mesmo num resultado adverso. Os mais céticos sobre suas expectativas se tornarem realidade em eventual vitória do adversário estão no Sudeste (67%), têm Ensino Superior (77%); ganham mais de cinco salários mínimos (72%); e declaram voto em Flávio (68%, ante 62% de Lula).
Se o candidato oposto sair vencedor no domingo, 80% acreditam que não se sentirão livres para expressar a opinião e 73% não acham que poderão manter o trabalho ou a fonte de renda. Além disso, dois terços do eleitorado são céticos quanto às chances de conseguir comprar mais com o que ganha (66%), pagar menos impostos se o rival vencer (66%) ou se sentir seguros nas ruas (67%).
Quase seis em cada dez entrevistados também disse que não será possível pagar as dívidas, neste caso (59%). Engajamento com a campanha
Segundo a Quaest, 82% dos eleitores não estão fazendo e nem pretendem fazer campanha para algum candidato. Outros 13% afirmam que estão engajados, e 4% ainda pretendem fazer.
Os mais engajados estão no Nordeste (20% estão em campanha, contra apenas 8% no Sul); têm ensino superior (25%); estão entre os mais ricos, que recebem mais de cinco salários mínimos (19%); e estão entre aqueles que declaram voto em Lula (18%, contra 11% dos apoiadores de Flávio).
Pelos dados, a maior parte daqueles que se disseram engajados ou que pretendem fazer campanha sinalizaram atuar "divulgando nas redes sociais" (47%); "tentando convencer familiares ou conhecidos para votar no seu candidato" (42%); "colocando materiais de campanha em casa, carro, moto, mochila ou bag" (17%); ou "participando de eventos de campanha" (15%).
Contratado pelo GLOBO e pela TV Globo, o levantamento fez 2.154 entrevistas domiciliares presenciais entre 17 e 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%.
O registro junto à Justiça Eleitoral foi feito sob o código BR-08535/2026.
O Globo