O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), publicou um vídeo na rede social X nesta terça-feira (3/11) para retomar a mobilização pela realização de um segundo turno na eleição para o governo do estado. Na gravação, ele afirmou que decidiu não se manifestar sobre o assunto durante a disputa presidencial para evitar que a discussão interferisse na votação nacional.
“Agora chegou a hora de a gente falar sobre isso. Ao longo da última semana, eu vi muitas manifestações de diferentes setores da sociedade fluminense exigindo a realização de segundo turno aqui.
Hoje eu reinicio, junto com vocês, essa luta”, declarou. Paes também voltou a questionar a participação de Anthony Garotinho (Republicanos) na eleição.
Segundo o prefeito, o ex-governador estava com os direitos políticos suspensos e não poderia ter disputado o pleito. Mesmo assim, o nome de Garotinho permaneceu na urna eletrônica e recebeu 274.411 votos.
“Desde o início da campanha a gente denunciou que o candidato Garotinho estava com seus direitos políticos cassados. Ele não podia votar e muito menos ser candidato”, afirmou.
Segundo Paes, esses votos deveriam ser considerados no cálculo da maioria absoluta exigida para definir a necessidade de segundo turno. Ele afirmou que nenhum candidato ultrapassou 50% dos votos na votação de 4 de outubro e defendeu que os eleitores fluminenses tenham a oportunidade de voltar às urnas.
“E essa não é uma ação sobre uma candidatura, um candidato ou outro. É preciso respeitar a vontade das urnas expressas no dia 4 de outubro.
E o Rio escolheu ter segundo turno. O povo do Rio de Janeiro tem o direito de votar”, disse.
O povo do Rio tem o direito de votar! #2turnonorio — Eduardo Paes (@eduardopaes) November 3, 2026
O PSD acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a exclusão dos votos de Garotinho da contagem eleitoral. A ação, apresentada por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.362, é relatada pelo ministro Cristiano Zanin.
No primeiro turno, Douglas Ruas (PL) recebeu 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes teve 42,76%. Garotinho, que disputou a eleição com o registro de candidatura indeferido e recurso pendente, recebeu 274.411 votos, o equivalente a 3,17%.
Em 8 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o indeferimento do registro de Garotinho e determinou a anulação dos votos recebidos por ele. Após a retotalização, Ruas passou a somar 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para a vitória em primeiro turno.
O PSD argumenta que os votos dados a Garotinho devem ser considerados para definir se algum candidato alcançou a maioria absoluta. A legenda sustenta que os eleitores fizeram uma escolha nas urnas e que a anulação posterior da candidatura não deveria apagar essa manifestação de vontade.
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