Paes diz estar triste após decisão que abriu caminho para vitória de Ruas e cita Carlos Lacerda: ‘Nada a reclamar’

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) afirmou nesta sexta-feira estar triste por não poder “fazer mais” pelo estado, após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e abriu caminho para a vitória de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno. Em uma publicação em seu perfil no X, Paes agradeceu as manifestações de apoio e recorreu a um trecho do livro “Depoimento”, de Carlos Lacerda, jornalista e político, primeiro governador da Guanabara, para descrever como se sente. “Agradeço as muitas manifestações de carinho e apoio que venho recebendo desde ontem. Estou triste por não poder fazer mais por nosso Estado e nossa gente, mas com a consciência tranquila do dever cumprido e de que travei o bom combate!”, escreveu. Na mensagem, Paes fez um balanço de sua trajetória pública e disse não ter motivos para reclamar. “Foram mais de 30 anos dedicados ao Rio e sua gente, com muitas entregas e reconhecimento. Nada a reclamar! Só gratidão e alegria!”, afirmou. Referência a Carlos Lacerda Para explicar seu sentimento após o desfecho da disputa, Paes compartilhou uma passagem em que Lacerda reflete sobre a ambição de chegar à Presidência da República e sobre as possibilidades de uma vida fora do cargo. “Troquem o presidente pelo governador e vocês entenderão como me sinto”, escreveu o ex-prefeito ao apresentar o trecho. Na passagem escolhida, Lacerda reconhece que a ideia de ser presidente o atraía como um dever público e manifesta confiança em sua capacidade de governar. Em seguida, contrapõe essa aspiração à satisfação de ter liberdade para ler, estudar, conviver e trabalhar. Paes também mostrou o primeiro volume da biografia de Lacerda escrita pelo jornalista Mario Magalhães e anunciou que começaria a leitura nesta sexta-feira. Carlos Lacerda (1914–1977) foi jornalista e governador da Guanabara, estado que correspondia à atual cidade do Rio, entre 1960 e 1965. Líder da União Democrática Nacional (UDN) e adversário de Getúlio Vargas, alimentou a ambição de chegar à Presidência. Apoiou o golpe de 1964, mas depois rompeu com o regime militar e teve seus direitos políticos suspensos em 1968. Decisão do TSE A publicação ocorreu um dia depois de o TSE decidir, por cinco votos a dois, anular os votos recebidos por Garotinho na eleição para o governo do Rio. A Corte determinou que o Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RJ) faça uma nova totalização da votação. Na contagem que incluía provisoriamente os votos do ex-governador, Ruas tinha 49,27%, enquanto Paes aparecia com 42,76%. Com a exclusão dos votos de Garotinho, o candidato do PL passa a aproximadamente 50,9% dos votos válidos, percentual suficiente para vencer no primeiro turno. Na noite de quinta-feira, Paes já havia reconhecido a derrota e afirmado que respeitaria a decisão da Justiça Eleitoral.

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