Otan enviará 'recursos adicionais' ao Mar Negro após ataques recentes contra navios comerciais

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os membros da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, concordaram em reforçar suas posições no Mar Negro, um dos palcos da guerra travada pela Rússia pela Ucrânia e hoje uma das áreas mais perigosas para a navegação internacional. Nas últimas duas semanas, ao menos sete navios foram afundados perto de dois países da organização, deixando quase 30 tripulantes mortos ou desaparecidos e acendendo alertas sobre as reais intenções do presidente russo, Vladimir Putin, para a Europa. Novo contexto: Vitais para a economia global, rotas marítimas são ameaçadas por guerras, duelo entre potências e crise do clima Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp De acordo com a porta-voz da Otan, Alisson Hart, embaixadores dos 31 países da aliança militar decidiram enviar “recursos adicionais para a região, incluindo apoio para vigilância, reconhecimento e perícia”, incluindo aeronaves de patrulha, sistemas de radar, drones e ferramentas de inteligência.

“Continuaremos unidos e garantiremos que estamos prontos e aptos a enfrentar qualquer ameaça e a manter em segurança o nosso um bilhão de habitantes”, concluiu Hart, em publicação na rede social X.

Desde o início da guerra, a navegação pelo Mar Negro, vital para o escoamento das produções dos países da região, está ameaçada pelos combates navais envolvendo Rússia e Ucrânia, com impactos em escala global. Contudo, um novo padrão surgiu recentemente: navios comerciais passaram a ser atacados perto das águas costeiras de membros da Otan. Na terça-feira passada, o ataque contra um navio na costa búlgara deixou 11 tripulantes desaparecidos. Dias depois, duas embarcações de transporte de produtos químicos foram atingidas por drones na Romênia, perto de um canal que liga o Mar Negro ao rio Danúbio e que é usado também pelos ucranianos.

Em meio a ameaças: Otan detalha plano para proteger aliados europeus de possível ataque da Rússia Ninguém assumiu a autoria dos ataques, mas analistas e comandantes militares são unânimes ao acusar a Rússia. Para eles, os objetivos de Vladimir Putin não seriam provocar apenas danos econômicos às duas nações, mas sim testar a disposição da Otan em atuar de forma coletiva diante de uma ameaça. Incidentes como a descoberta de drones explosivos em um aeroporto alemão confirmaram que uma "guerra híbrida" estava em curso, e agências de inteligência ocidentais apontam que incursões localizadas e ataques contra áreas urbanas, com a intenção de deixar vítimas, são prováveis.

— Será um inverno sombrio para a Europa — afirmou o ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, em setembro. — A guerra híbrida não é algo que a Rússia tenha começado há dois ou três anos. Eles vêm fazendo isso há 50 anos. Isso é algo em que [o presidente Vladimir] Putin é muito bom. Neste contexto, o Mar Negro seria uma frente crucial, além da região do Mar Báltico e do enclave de Kaliningrado, localizado entre Polônia e Lituânia, dois membros da aliança militar. — O objetivo não é tomar o país, mas sim dividir a Otan — disse, no mês passado, Thomas Ahrenkiel, chefe do serviço de inteligência da Dinamarca, detalhando um relatório no qual alertava para o crescente risco de ações russas em solo europeu.

Tensão crescente: Dinamarca acusa fragata russa de disparar sinalizadores na direção de helicóptero, enquanto Otan derruba drone na Lituânia Moscou tenta ainda forçar os países europeus a repensarem os níveis de ajuda econômica e militar à Ucrânia, no momento em que a guerra parece estagnada no campo de batalha, sem grandes avanços territoriais e com bombardeios de lado a lado, com impactos humanos e econômicos elevados.

— O alto comando militar russo está convencido de que alguns países da Otan estão diretamente envolvidos na guerra contra a Rússia, não só fornecendo armas e inteligência à Ucrânia, mas também ajudando a orientar mísseis e drones — disse uma fonte próxima ao comando militar russo ao jornal britânico Guardian, em condição de anonimato. — Eles acreditam, portanto, que a Otan já está travando uma guerra híbrida contra a Rússia e que a Rússia tem o direito de responder na mesma moeda. A Rússia nega as alegações, ao mesmo tempo em que mantém um discurso duro, com perigosas menções ao arsenal nuclear russo, como as feitas por Putin em setembro, se referindo a um eventual bloqueio de Kaliningrado.

— Não vamos lutar contra a Europa; isso é loucura, é um contrassenso. Mas a Europa está se preparando para uma guerra contra nós — afirmou, no mês passado, o chanceler russo, Sergei Lavrov. — Essa postura pode acabar se tornando uma profecia autorrealizável, já que eles estão investindo quantias enormes de dinheiro na produção de armas.

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