'Onda democrata' se confirma em primeiros resultados para o Congresso dos EUA; Trump se recolhe à Casa Branca

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Dois anos depois de sofrerem uma dura derrota e perderem a Presidência e o Congresso, o Partido Democrata parece caminhar para uma vitória contundente nas eleições desta terça-feira, e deve recuperar o comando da Câmara e do Senado, materializando os piores pesadelos do presidente Donald Trump.

A campanha foi marcada pelo elevado número de votos antecipados, pela mobilização dos eleitores e pelo volume recorde investido nos candidatos. Para Trump, que se recolheu na Casa Branca para acompanhar os números, a noite serve como o prenúncio de dois anos difíceis até o final de seu mandato, e reiteram o impacto de sua histórica impopularidade.

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O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular Mesmo antes dos primeiros vitoriosos serem anunciados, o desempenho dos democratas surpreendeu até em áreas dominadas pelo Partido Republicano.

Na Flórida, mesmo em corridas onde foram derrotados, como para a vaga para o Senado, os percentuais foram melhores do que em ciclos anteriores, ignorando manobras jurídicas, como a mudança nos distritos eleitorais, aplicadas por ordem de Trump como forma de enfrentar a oposição. — Estamos prestes a uma mudança drástica de rumo neste país — disse o deputado Hakeem Jeffries a aliados, citado pela rede CNN.

— Estamos prestes a ver os democratas retomarem o controle da Câmara dos Representantes. Coube ao senador Mark Warner a “honra” de ter sido o primeiro a ter a vitória projetada pela imprensa americana, lhe dando mais seis anos no Capitólio — diferentemente do Brasil, onde o sistema de contagem é centralizado, o processo nos EUA está nas mãos dos estados, e os meios de comunicação "declaram" vitórias antes mesmo do fim da contagem, com base em tendências nas urnas e históricas.

Outro resultado importante foi a projeção da vitória do senador Jon Ossoff, na Geórgia, considerada uma das candidaturas mais vulneráveis dos democratas. Na Carolina do Norte, Roy Cooper conquistou uma cadeira no Senado que estava com os republicanos, na primeira virada da noite.

Nas disputas pelos governos, duas eleições históricas: na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra a comandar um estado nos EUA. Já o republicano Byron Donalds é o primeiro homem negro a governar a Flórida.

No Senado, Chris Pappas, eleito por New Hampshire, será o primeiro parlamentar abertamente gay na Casa. — Parece que talvez, apenas talvez, algo esteja despertando na consciência dos Estados Unidos — disse o governador reeleito de Illinois, o democrata JB Pritzker, em discurso a apoiadores no qual lançou as bases da próxima batalha política, a disputa pela sucessão de Trump na Casa Branca, em 2028.

— Escalamos uma montanha hoje à noite. Mas estamos na base de outra.

Uma marca do ciclo eleitoral foi a impopularidade de Trump, principal arma da oposição democrata para conseguir consolidar posições em áreas como a Califórnia e Nova York, e avançar em redutos republicanos, como o Alasca e o Texas, que podem ser decisivos na formação do Congresso.

Hoje, a aprovação presidencial gira em torno de 36%, a mais baixa em décadas. — A situação do país não é nada boa.

A economia. Os preços de tudo — disse Gabrielle Schlueter, uma aposentada de 69 anos na Geórgia, à AFP.

— Saúde. Eu não estou sofrendo com isso, mas outros não deveriam ter essa preocupação.

Os republicanos tentaram desviar o foco da economia, apresentando a eleição como uma escolha entre seu partido e os oponentes democratas, que eles tentaram rotular como ativistas radicais de extrema esquerda, explorando os temores dos eleitores em relação à imigração e a questões como a participação de crianças transgênero em esportes escolares.

Trump buscou defender o próprio legado, repetindo o discurso de que reconstruiu o país por meio de sua repressão à imigração, da guerra contra o Irã e das tarifas, mas alguns candidatos o esconderam durante a campanha. Eleitores votam no dia da eleição, durante as eleições de meio de mandato, na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, Michigan, em 3 de novembro de 2026

JEFF KOWALSKY/AFP Em sua última aparição pública de campanha na segunda-feira, Trump mal mencionou as eleições e fez um discurso desconexo sobre a problemática reforma do espelho d'água de Washington.

Na ocasião, disse queo pleito seria "o mais importante em nossas vidas" e que o Partido Democrata havia "indicado a lista de candidatos mais extremista e perigosa da História americana". Na noite desta terça-feira, o presidente acompanhou a apuração na Casa Branca, ao lado de alguns membros de seu Gabinete, como o secretário de Estado, Marco Rubio, um dos nomes na lista de potenciais sucessores do republicano em 2028.

Em mensagem a apoiadores, afirmou que os democratas querem lançar um novo processo de impeachment contra ele caso conquistem as duas Casas do Congresso. “Nossos oponentes, os democratas, estão mais desequilibrados, raivosos e perigosos do que nunca”, afirmou o presidente, que não terá agenda pública prevista na quarta-feira.

Sob alerta: Democratas se mobilizam nos EUA diante do risco de Trump contestar resultados das eleições de meio de mandato Números preliminares apontam que o comparecimento já superava as expectativas antes do fechamento das urnas.

Segundo a rede NBC News, foram 60 milhões de pessoas até o fim de segunda-feira. Há quatro anos, quando ocorreram as últimas eleições de meio de mandato, 47 milhões de pessoas votaram de maneira antecipada.

Segundo a Associated Press, o eleitorado hispânico e negro compareceu em massa — entre eles, a neta do líder do movimento pelos direitos civis nos EUA, Martin Luther King Jr., Yolanda Renee King, que aos 18 anos votou pela primeira vez em Atlanta. Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado estão em disputa, além dos governos de 36 estados.

Os democratas precisam de apenas três cadeiras conquistadas na Câmara e quatro cadeiras no Senado para assumir o controle de ambas as Casas, atualmente nas mãos dos republicanos. Eleitores votam no dia da eleição, durante as eleições de meio de mandato, na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, Michigan, em 3 de novembro de 2026

JEFF KOWALSKY/AFP Algumas seções eleitorais em todo o país, incluindo no condado de Westchester, em Nova York, relataram problemas na votação nesta terça-feira, embora não houvesse evidências de problemas graves.

Após uma campanha eleitoral tensa, o escritório da senadora Susan Collins, republicana do Maine, foi vandalizado com sangue falso durante a noite, segundo uma porta-voz da senadora. 'Clima sombrio': Cresce temor entre aliados com inflexibilidade de Trump sobre estratégia para eleições de meio de mandato

Trump 2.0: Democratas apostam em frente ampla e estratégia digital contra extrema direita Além do fator Trump e do alto comparecimento antecipado, o processo foi marcado pelo dinheiro despejado nas campanhas desde as primárias: segundo a organização independente de controle Open Secrets, foram gastos US$ 12 bilhões, o maior valor já registrado em eleições de meio de mandato, com destaque para os investimentos do ex-trilionário Elon Musk.

Ele gastou quase meio bilhão de dólares para grupos republicanos, candidatos e seus aliados, mais do que qualquer outro doador jamais gastou em um único ciclo eleitoral. Com AFP e New York Times.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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