Donald Trump é o grande derrotado das eleições de meio de mandato nos EUAReprodução/The White House O republicano Donald Trump se empenhou pessoalmente para evitar uma avalanche democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Viajou pelo país, subiu a palanques, pediu votos nas redes a aliados, espalhou o medo em caso os adversários tomassem o controle do Congresso.Na reta final, vestiu o chapéu de coronel, como se liderasse um rincão isolado, e prometeu pagar US$ 5 mil a cada cidadão norte-americano em caso de vitória dos republicanos.
Um caso típico de tentativa de compra de votos, que em tese deveria impulsionar os candidatos já abastecidos pela grana dos grandes empresários, como Elon Musk, interessadíssimo no resultado eleitoral de estados onde atuam as empresas do X Corp.Não adiantou.Até a manhã desta quinta-feira, os democratas já contabilizavam 228 cadeiras na Câmara, 19 a mais do que possuem hoje.
Os republicanos somavam 139 assentos.Segundo as projeções, essa deve ser a maior onda azul desde 2008, quando o partido de Barack Obama conquistou 257 assentos.Os democratas saem das urnas com 28 governadores eleitos, contra 20 republicanos. A conta anterior era 26 x 24.Na lista de vitoriosos estão as primeiras mulheres indígena e negra a governar um estado no país: Deb Haaland, do povo da comunidade Laguna Pueblo, no Novo México, e Keisha Lance Bottoms, na Geórgia.Para virar maioria no Senado, a oposição a Trump precisava de quatro novas cadeiras.
Conseguiu oito a mais do que as 54 conquistadas em 2022. A sigla conseguiu vitórias histórias em estados historicamente conservadores, como o Kansas, que elegeu o primeiro democrata em quase 90 anos: o pastor Adam Hamilton. Outro estado que se coloriu de azul foi o Texas, onde James Talarico confirmou o favoritismo, venceu a disputa pelo Senado, e já desponta como possível pré-candidato da legenda para a Presidência ao lado de outros vitoriosos nas urnas, como Jon Ossoff (Geórgia) e Abdul El-Sayed, que venceu em Michigan e se tornou o primeiro senador muçulmano da história dos EUA.Eles se juntam à deputada Alexandria Ocasio-Cortez, reeleita com vantagem acachapante para a Câmara em Nova York, e ao prefeito da metrópole, Zohran Mamdani, como as novas estrelas do Partido Democrata.Donald Trump tentou transformar as midterms em um referendo sobre seu mandato, que registra perda de popularidade desde que declarou guerra (comercial) contra meio mundo e lançou bombas contra o Irã.
Agora não tem maioria para projetos chave, como os relacionados à infraestrutura da IA, e perde o controle da agenda do Congresso. Isso, claro, terá impacto na próxima eleição presidencial.Mesmo sem seu nome nas cédulas, o chefe da Casa Branca sai da disputa como o maior derrotado nas urnas.
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