Democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado, impondo uma derrota expressiva ao presidente americano Donald Trump; saiba como isso pode afetar o Brasil A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos mudou o equilíbrio de forças no Congresso americano.
Os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado, deixando o presidente com menos espaço para aprovar sua agenda nos dois últimos anos de mandato. O resultado também pode ter reflexos para o Brasil, especialmente em discussões sobre tarifas comerciais, sanções e a atuação de autoridades americanas em assuntos brasileiros.
Apesar disso, uma mudança na relação entre os países não é automática. As eleições de meio de mandato, realizadas em 3 de novembro, renovaram todas as 435 cadeira da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 vagas do Senado.
Também houve disputas para governos estaduais. De acordo com a Associated Press, com a vitória democrata nas duas Casas, a oposição passa a ter mais força para fiscalizar o governo, convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações sobre decisões da administração Trump.
Os parlamentares também poderão dificultar a aprovação de projetos e rejeitar indicações para cargos importantes. Hakeem Jeffries poderá assumir a presidência da Câmara, mas ainda precisa ser escolhido pelos demais deputados quando o novo Congresso tomar posse, em janeiro.
A derrota representa um obstáculo político para Trump, mas não significa que ele perderá automaticamente os poderes da Presidência. Para o Brasil, uma das possíveis consequências é o aumento da pressão sobre decisões do governo americano que envolveram o país nos últimos meses.
Em setembro, 31 congressistas democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando medidas relacionadas às tarifas comerciais, às sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e à revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Com a maioria no Congresso, os democratas podem ampliar a cobrança por explicações e transformar questionamentos anteriores em iniciativas de fiscalização mais efetivas. Porém, isso não significa que as tarifas impostas ao Brasil serão retiradas.
A política externa americana continua sob influência direta do presidente, e o Congresso precisa agir para tentar limitar ou modificar determinadas decisões. Outro assunto que pode ganhar força é a atuação de integrantes do governo Trump em relação à política brasileira.
Em outubro, congressistas americanos pediram explicações sobre uma possível participação da Casa Branca na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, apesar de uma restrição judicial. Uma investigação da Reuters também apontou que funcionários do Departamento de Estado teriam adotado iniciativas favoráveis à família Bolsonaro.
Após a condenação de Jair Bolsonaro, a estratégia teria passado a considerar Flávio como uma alternativa política. A reportagem ouviu autoridades americanas atuais e antigas, mas não conseguiu determinar até que ponto as iniciativas partiram diretamente da Casa Branca ou de Marco Rubio.
Com o controle das duas Casas, os democratas terão mais instrumentos para investigar essas suspeitas e cobrar respostas do governo. A vitória democrata pode aumentar a pressão política sobre Trump para rever decisões comerciais, mas não garante o fim das tarifas.
A professora de Relações Internacionais Fernanda Medeiros, do CEUB, explica que o presidente americano tem instrumentos próprios para conduzir a política externa, inclusive por meio de medidas executivas. Segundo a especialista, uma mudança nas tarifas dependeria de uma ação concreta e não apenas da nova composição do Congresso.
A derrota também pode estimular Trump a buscar negociações para reduzir o desgaste econômico, mas não há garantia de que isso acontecerá. A nova composição do Congresso assume em janeiro de 2027 e terá condições de aumentar a fiscalização sobre o governo Trump até o fim do mandato.
Para o Brasil, o resultado pode abrir espaço para mais questionamentos sobre tarifas, sanções e a relação de integrantes do governo americano com a política brasileira. Ainda assim, uma mudança significativa na relação entre Lula e Trump dependerá principalmente das decisões dos dois governos e das negociações diplomáticas.
A vitória democrata altera o cenário político americano, mas não determina, por si só, os próximos passos da Casa Branca. Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil.
Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023. Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público.
Leia mais ▾
ND Mais