Por Gustavo MaiatoPostado em 25 de outubro de 2026 Em 1985, Scott Ian e o vocalista Joey Belladonna foram à Inglaterra divulgar "Spreading the Disease", segundo álbum do Anthrax.
Passaram o dia no escritório da gravadora dando entrevistas. A última foi para jornalistas da Kerrang!, que o guitarrista lia e admirava desde a adolescência.
No fim do expediente, os repórteres convidaram a dupla para uma cerveja num bar subterrâneo chamado St. Moritz.
Ao podcast The Magnificent Others, de Billy Corgan, Scott contou que encontrou Lemmy Kilmister no balcão, jogando numa máquina caça-níquel. Aos 22 anos, ele não bebia.
Tinha parado desde o aniversário de 16 ou 17, quando passou mal com vodca barata. Só depois de três cervejas, e incentivado pelo jornalista Xavier Russell, teve coragem de se aproximar do líder do Motörhead.
"Ele não estava me dando a menor atenção. Eu já estava pronto para ir embora.
Aí perguntei: 'Posso te pagar uma bebida?'. Ele olhou para mim e disse: 'Você está na minha cidade.
Eu pago. O que vai querer?'.
Eu não bebia naquela época. Agora estou com 22 anos, parado ao lado do meu herói, ele me pergunta o que vou beber e eu não sei responder.
Então eu disse: 'O mesmo que você'. E, claro, chegam dois Jack com Coca.
Agora eu preciso tomar aquilo com ele sem vomitar nas botas brancas dele e ser demitido pelo prefeito do heavy metal." Os copos não paravam de chegar, porque o barman reabastecia Lemmy sempre que a bebida acabava.
Depois de seis ou sete doses, a última lembrança de Scott é sair correndo pela porta. Ele acordou na manhã seguinte com Johnny Zazula, empresário do Anthrax, sacudindo-o na cama, coberto de vômito.
Zazula contou que o encontrou gritando e se jogando em montes de lixo na rua até que ele não saiu mais de um deles. O guitarrista teve intoxicação alcoólica por dias, já na escala seguinte da viagem, em Munique.
O reencontro aconteceu seis meses depois, no primeiro show do Anthrax como atração principal em Londres. "O Lemmy entra no nosso camarim, olha para mim e diz: 'Como você está se sentindo?'.
Eu falei: 'Olha, eu não era muito de beber'. Ele: 'É, deu para perceber'.
Eu disse: 'Espero não ter feito nem dito nenhuma besteira. Peço desculpas se fiz'.
Ele respondeu: 'Não, não, você estava ótimo até parar de falar inglês. Eu meio que fui junto por um tempo, porque era bem engraçado.
Você falava coisas e eu nem sei que palavras saíam da sua boca. Aí, de repente, você virou e saiu correndo do bar o mais rápido que pôde'", relembrou.
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