Por Bruce WilliamPostado em 25 de outubro de 2026 Quando Seattle se transformou na capital mundial do rock alternativo, no início dos anos 1990, Chris Cornell já conhecia muito bem a tradição musical da cidade.
Antes de Soundgarden, Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains conquistarem o planeta, uma banda havia demonstrado que era possível sair daquela região dos Estados Unidos e alcançar reconhecimento internacional. Para Cornell, o Heart, liderado pelas irmãs Ann e Nancy Wilson, teve uma importância que ultrapassava a música.
O vocalista cresceu ouvindo os discos do grupo, que nos anos 1970 lançou trabalhos como "Dreamboat Annie", "Little Queen" e "Dog and Butterfly". A combinação de guitarras pesadas, influências do folk e vocais poderosos o impressionava.
Em um especial da VH1 sobre os maiores nomes do hard rock, exibido em 2000, Cornell chegou a comparar o Heart com uma de suas maiores referências: "Para mim, eles eram como uma versão americana do Led Zeppelin". A admiração ganhou uma dimensão ainda mais pessoal quando Cornell foi escolhido para apresentar o Heart na cerimônia de entrada da banda para o Rock and Roll Hall of Fame, em 2013.
Durante o discurso, ele recordou o impacto de ver duas mulheres ocupando uma posição de destaque num ambiente em que os homens dominavam praticamente tudo. "Com duas Joanas d'Arc na linha de frente, chutando bundas, apoiadas por uma banda surpreendentemente poderosa e singular, o Heart derrubou as barreiras sexistas que encontrou pela frente, armado com a pura força do rock and roll", declarou Cornell, que também destacou a importância do grupo para os músicos de sua geração.
O cantor explicou que a existência do Heart oferecia uma espécie de confirmação para quem sonhava em construir uma carreira longe dos grandes centros da indústria musical. "O Heart era importante para nós, não apenas como músicos, mas também como prova de que Seattle podia produzir algo belo e pesado, com o qual o resto do mundo realmente se importasse", afirmou.
Cornell também conhecia as irmãs Wilson pessoalmente e tinha grande admiração pela voz de Ann. Durante o discurso, lembrou que já havia se sentado com as duas para tocar violão e cantar, numa experiência que considerava inesquecível.
Sua relação com o Heart, portanto, não se limitava à admiração de um fã que conhecia os discos desde a adolescência. O reconhecimento era recíproco.
Após a morte de Cornell, em maio de 2017, Nancy Wilson o chamou de irmão de sua família musical de Seattle. Ann também prestou homenagem ao cantor, recordando o carinho que as duas tinham por ele, em depoimento publicado no site oficial do Heart.
Na cerimônia de 2013, Cornell ainda participou de uma apresentação de "Barracuda" ao lado do Heart e do guitarrista Jerry Cantrell, do Alice in Chains. Era o encontro de duas gerações do rock de Seattle: a que havia aberto caminho nos anos 1970 e aquela que, duas décadas depois, colocaria a cidade no centro das atenções.
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