Allan Souza Lima conta que quase apanhou na rua por causa de ‘Quem ama cuida’: ‘Nunca recebi tanto hate’

Allan Souza Lima conta que quase apanhou na rua por causa de ‘Quem ama cuida’: ‘Nunca recebi tanto hate’ - Foto
Fonte da notícia: Extra Extra

Nos capítulos mais recentes de “Quem ama cuida”, a tensão aumentou significativamente em torno de Tom, personagem de Allan Souza Lima. Além de virar amante da vilã Pilar (Isabel Teixeira), ele se envolveu nos crimes da ricaça e tentou matar Pedro (Chay Suede) numa emboscada malsucedida.

Na mansão, o faz-tudo é subjugado pela “patroa”. Em casa, porém, assume o papel de algoz da mulher, Elenice (Mariana Sena), com quem mantém uma relação marcada pela violência e pelo abuso psicológico.

‘Quem ama cuida’: câmera instalada por Adriana na coleira de Maria Antonieta revela segredo de Pilar Galerias Relacionadas

Em breve, na trama, após agredir fisicamente a companheira, Tom a verá desmaiar. A sequência mexeu com o próprio ator.

Em entrevista por telefone para a Canal Extra, um simpático e falante Allan revelou que a cena lhe despertou gatilhos pessoais, num momento em que procura preservar sua saúde mental. Tom (Allan Souza Lima) e Elenice (Mariana Sena) na novela "Quem ama cuida"

Fábio Rocha/Rede Globo — Não faz nem dois anos que tive burnout e saí da minha depressão.

Estou bem agora, mas não posso mais levar o personagem para casa. Não me permito isso.

Fiquei mal após atuar nesse embate que acaba no desmaio da Elenice. Me deu gatilho.

Quando chego das gravações mais acelerado, boto um filme ou vou tomar uma cerveja — conta o ator, que completa 41 anos no dia 18 de novembro. Elenice (Mariana Sena) e Tom (Allan Souza Lima) na novela 'Quem ama cuida'

Beatriz Damy/Rede Globo Em 2024, durante a segunda temporada de “Cangaço novo”, o ator enfrentou crises de ansiedade que, em meio ao excesso de trabalho, evoluíram para um quadro de burnout e depressão.

Na época, ele vivia Ubaldo Vaqueiro na série, papel que exigia uma entrega emocional intensa. — Para interpretar Ubaldo na série, decidi não tomar remédio durante as gravações.

Foi uma escolha cruel, mas não tinha como chegar aos sentimentos do personagem se não fosse dessa forma. Agora, com a novela, o tempo é outro.

É um trabalho que dura um ano, com outra intensidade. Estou gravando muito nas últimas semanas, todo dia.

E agora Tom chegou com tudo, o que acho bom. Se você não é o ator principal, chega uma hora em que sua trama se resolve e não tem mais para onde ir.

Tom ainda está sendo desenvolvido. Pilar (Isabel Teixeira) e Tom (Allan Souza Lima) em "Quem ama cuida"

Rede Globo/ Reprodução A experiência anterior fez Allan estabelecer limites entre a vida profissional e a pessoal.

Não significa, porém, que consiga sair ileso de todas as cenas. A violência de Tom contra Elenice é justamente uma das situações que mais o mobilizam.

E o incômodo ultrapassa a interpretação: a reação do público à personagem de Mariana Sena revela como a violência doméstica continua sendo julgada por quem a acompanha de fora. O ator Allan Souza Lima em ensaio para a Canal Extra

Gustavo Arrais/Divulgação Embora Tom tenha despertado a revolta dos telespectadores, Elenice também se tornou alvo de críticas nas redes sociais.

Parte do público questiona por que ela não reage ou denuncia o marido, como se romper uma relação abusiva fosse uma decisão tão simples. — As pessoas não querem se identificar com a dor.

Quando Tom ataca Elenice, ele ataca a dor que a pessoa de casa tem e não quer ver. Os seres humanos se sujeitam a muitas coisas.

A narrativa ali foi colocada para trazer incômodo. É impossível uma história dessa passar despercebida.

O que Tom faz com Elenice não é uma típica vilania de novela, é algo muito real. Não entendo Tom como vilão, ele é mais do que isso.

Para mim, está mais próximo de uma pessoa real. Essa trama entra na novela com uma função social.

A questão do feminicídio é muito séria e precisa ser abordada — ressalta. O ator Allan Souza Lima em ensaio para a Canal Extra

Gustavo Arrais/Divulgação A repercussão tem sido intensa.

Nas ruas, Allan nota que o público não está apenas acompanhando a história, mas também reagindo a ela. O ator diz nunca ter recebido tanto ódio por um papel, e conta que já se sentiu intimidado numa abordagem.

— Eu nunca recebi tanto “hate” na vida. As pessoas me odeiam.

Percebi isso outro dia, quando estava no Baixo Gávea (na Zona Sul do Rio). O quanto Tom está popular e o quanto está gerando uma raiva muito grande no público — observa.

O ator Allan Souza Lima em ensaio para a Canal Extra Gustavo Arrais/Divulgação

As mensagens que chegam pelas redes sociais dão mais uma dimensão do impacto da trama. — Seis de cada dez comentários que recebo são: “Eu não vejo suas cenas porque me dá gatilho”.

Outro dia, achei que iria apanhar na rua! Veio um cara que foi superestúpido comigo — relata o ator. Em pleno 2026, ainda há quem confunda o intérprete com o personagem?

— As pessoas enlouqueceram — lamenta. Tom (Allan Souza Lima) na novela "Quem ama cuida"

Manoella Mello/Rede Globo Na novela, o envolvimento de Tom com Pilar potencializou outro lado do personagem, numa relação marcada por desejo, fetiche e submissão.

Em cena, ele se ajoelha aos pés da amante e calça seus sapatos. A diretora artística Amora Mautner ajudou a construir essa dinâmica, que também explora as inversões de poder entre os dois.

— Isabel conseguiu retomar o que foram as grandes vilãs, que eram odiadas e não amadas, de uma forma muito contemporânea — analisa Allan. O ator Allan Souza Lima em ensaio para a Canal Extra

Gustavo Arrais/Divulgação Para ele, a conexão do casal passa justamente pela perigosa disputa de poder que marca a relação:

— Amora gosta de botar fogo no circo! Ela sabe dosar o tom certo. O fetiche sexual atrai as pessoas.

E a gente aposta nisso, nessa coisa da submissão, de beijar os pés... Eles estão sempre invertendo o jogo.

Com Pilar, Tom não tem o poder total. O ator Allan Souza Lima em ensaio para a Canal Extra

Gustavo Arrais/Divulgação Um livro nascido do luto

Fora da ficção, Allan transforma experiências pessoais em matéria-prima para a arte. Este ano, o ator escreveu um livro a partir do luto pela morte da ativista Marie Henriqueta, com quem conviveu de perto em 2025.

Fundadora do Instituto Dom Azcona, ela ficou conhecida pela atuação em defesa dos direitos humanos de crianças do Marajó, no Pará, e desenvolveu um trabalho social no Brasil e no exterior. O ator Allan Souza Lima

Reprodução/Instagram Ainda sem título divulgado, a obra reúne memórias e reflexões do ator sobre luto, amizade, amor, infância e identidade.

Não é uma autobiografia, mas um ensaio que surgiu de anotações pessoais e foi escrito em apenas 42 dias. O lançamento está marcado para 8 de novembro.

— Nós estivemos juntos na COP30, em novembro de 2025, e Marie faleceu este ano. Eu participei ativamente ao lado dela da defesa dos direitos humanos.

Fiquei um bom período em silêncio após sua partida. Para mim, é preciso fazer arte para despressurizar.

Esse livro começou de forma muito despretensiosa, no meio de um luto. Eu sempre criei um diário de bordo para meus trabalhos, então comecei a escrever notas.

Trabalhava durante 16 horas por dia. Mas não foi sofrido — detalha.

Allan Souza Lima em "Cangaço novo", série da Amazon Prime Video Reprodução de Instagram

A escrita também abriu espaço para revisitar a própria trajetória profissional. Um dos capítulos, intitulado “Notas sobre Allan e Ubaldo”, é dedicado ao personagem de “Cangaço novo”, papel que marcou de forma definitiva sua trajetória:

— Ele me ensinou a não ser um super-homem. O ator Allan Souza Lima em ensaio para a Canal Extra

Gustavo Arrais/Divulgação No livro, o artista também reflete sobre a importância da palhaçaria em sua vida.

A linguagem, que estuda há anos, está presente até no ensaio para a Canal Extra: em algumas fotos, o ator aparece com o nariz vermelho; numa delas, em chamas. — Sempre estudei palhaçaria, e foi assim que minha relação com a arte começou.

Essa arte tem uma função social gigante para a humanidade. Há vários aspectos dela na minha vida.

Tem uma frase incrível: “Colocar o nariz de palhaço na cara é muito simples. Basta assumir suas dores e seus fracassos” — conta Allan.

O ator Allan Souza Lima Reprodução/Instagram

‘Tenho esse lado bagaceiro’ Espírita, o ator cultiva a espiritualidade e ainda mantém uma rotina de exercícios, com pedaladas e musculação, que associa aos cuidados com a saúde mental.

A participação na “Dança dos famosos”, no ano passado, contribuiu para mudar sua relação com a exposição pública. Habituado a preservar a intimidade, ele afirma que o quadro lhe permitiu mostrar um lado mais descontraído, distante da imagem que costuma transmitir.

— A “Dança” fez com que eu me abrisse um pouco. Antes, eu dizia: “Não falo da minha vida pessoal”.

Mas ali exibi um lado brincalhão, da zoeira, algo que não mostrava. Tenho esse lado bagaceiro também — entrega.

O ator Allan Souza Lima Reprodução/Instagram

Pernambucano do Recife, Allan cresceu perto do cantor e compositor Chico Science (1966-1997), de quem foi vizinho, e teve nesse ambiente um primeiro contato com as artes cênicas. No fim de 2003, assim que completou 18 anos, mudou-se sozinho para o Rio.

No ano seguinte, ingressou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), onde se formou ator em 2006. A trajetória, segundo ele, foi construída longe de qualquer facilidade.

— Estou há 23 anos no Rio, e o que eu mais fiz na vida foi tomar porrada. Mas, quando você tem consciência moral dos seus atos, isso te dá segurança.

Sempre batalhei. Tenho várias dores na minha vida, como todo ser humano.

A diferença é que o artista sabe transformar isso — analisa. Duda Beat ganha beijão do namorado Allan Souza Lima em aniversário

Reprodução/Instagram Na vida pessoal, Allan mantém um relacionamento discreto com a cantora Duda Beat, também pernambucana.

Os dois assumiram o namoro publicamente no início de 2026. — A gente se conhece há anos.

Nascemos na mesma maternidade. Ela estudou com Renato Góes, que era o melhor amigo do meu primo.

Antes de a gente namorar, já chorei várias pitangas para Duda. E ela para mim — confidencia.

Publicação Original Extra extra.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →