Por Bruce WilliamPostado em 24 de outubro de 2026 Gene Simmons nunca escondeu seu interesse pelo lado comercial do rock.
O baixista do Kiss sempre entendeu que uma banda poderia ganhar dinheiro não apenas vendendo discos e ingressos, mas também explorando sua imagem em camisetas e outros produtos. E foi justamente essa visão empresarial que o levou a fazer uma previsão bastante ousada sobre o futuro de um grupo britânico que estava começando a ganhar espaço no heavy metal.
A banda era o Iron Maiden, que em 1980 foi escolhida para abrir apresentações do Kiss durante a turnê europeia do álbum "Unmasked". Na época, o grupo liderado por Steve Harris havia lançado apenas seu primeiro disco, enquanto os americanos já eram uma atração consolidada.
Simmons, entretanto, percebeu algo que poderia colocar os novatos em condições de disputar um mercado dominado pelo próprio Kiss. Segundo uma reportagem da revista Classic Rock, o baixista ficou particularmente impressionado com Eddie, o mascote do Iron Maiden, e fez uma previsão ao empresário Rod Smallwood: "O Iron Maiden vai tomar o lugar do Kiss como a maior banda de merchandising dos Estados Unidos".
Portanto, Simmons não estava necessariamente dizendo que os britânicos superariam o Kiss musicalmente, mas que poderiam se tornar uma potência na venda de produtos associados à banda. Anos depois, ele explicou o que havia enxergado naquele grupo.
"O Maiden imediatamente me pareceu uma banda com um potencial enorme. Eles eram musicais e poderosos, uma combinação rara.
E, sendo o porco capitalista que sou, Eddie me pareceu uma imagem icônica que compraria mansões para todos os integrantes", declarou. A observação era particularmente significativa vindo de alguém que havia transformado o Kiss numa marca reconhecida muito além da música.
A convivência entre as duas bandas também rendeu uma lembrança curiosa para Paul Di'Anno, então vocalista do Iron Maiden. Ele contou, também para a Classic Rock, que ficou espantado ao encontrar Gene Simmons usando uma camiseta do grupo britânico.
Ver um dos maiores astros do rock daquela época divulgando sua banda foi suficiente para fazê-lo pensar que o mundo havia enlouquecido. A previsão de Simmons não parece tão exagerada quando observamos o que aconteceu nas décadas seguintes.
Eddie tornou-se uma presença constante nas capas dos discos, nos palcos e numa infinidade de produtos oficiais. O Iron Maiden também desenvolveu uma identidade visual reconhecida até por pessoas que não acompanham sua música, algo que o Kiss já havia conseguido com seus rostos maquiados.
Curiosamente, em 1988, os papéis se inverteram quando o Kiss participou do festival Monsters of Rock, em Donington, numa edição que teve o Iron Maiden como atração principal. O grupo que havia começado a década abrindo apresentações dos americanos agora ocupava o lugar de maior destaque num dos principais eventos do heavy metal.
Simmons talvez não tivesse previsto todos os detalhes daquela trajetória, mas certamente percebeu cedo que Eddie poderia render muito dinheiro.
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