O encontro com morcegos em residências ou áreas urbanas gera preocupação imediata devido à associação com a raiva, uma doença grave e potencialmente fatal. No entanto, especialistas alertam que nem toda situação representa risco. Manter a calma e saber diferenciar os tipos de contato é fundamental para evitar exposições desnecessárias e agir corretamente quando há, de fato, perigo, segundo o biólogo Fabiano Sores, em declaração ao portal Metrópoles.
Apesar de os morcegos serem reservatórios do vírus da raiva, o simples fato de um animal entrar voando em uma residência não é motivo para pânico. “Se não houve mordida, arranhão ou ferimento, não há necessidade de procurar uma unidade de saúde”, afirma Sores.
A importância dessas orientações foi reforçada recentemente com a confirmação de um caso de raiva em morcego no bairro do Jurunas, em Belém, tornando ainda mais crucial a atenção aos cuidados e à forma correta de agir diante de um contato com o animal.
Quando procurar atendimento médico e como se proteger?
A recomendação é buscar atendimento médico apenas quando há contato direto sem proteção, especialmente nos casos em que a pessoa manipula o animal e acaba sendo mordida ou arranhada. Nessas situações, a unidade básica de saúde avalia a necessidade de exames e da profilaxia contra a raiva.
A entrada de morcegos em residências costuma ser acidental e não significa, necessariamente, uma infestação. É crucial evitar reações impulsivas. Tentar espantar o morcego com vassouras ou objetos pode estressar o animal e aumentar o risco de agressão.
“O ideal é manter a calma e não provocar o bicho. Quanto mais estressado ele fica, maior a chance de uma exposição”, explica o biólogo.
Fabiano Sores orienta que, caso seja necessário lidar com o animal, o contato deve ser controlado. O uso de luvas ou panos reduz o risco e, quando feito dessa forma, não há motivo para preocupação. Ainda assim, o ideal é acionar órgãos responsáveis sempre que possível.
Morcegos caídos ou com comportamento atípico exigem atenção
Atenção redobrada deve ser dada quando o morcego apresenta sinais incomuns, como atividade durante o dia, voo desorientado ou dificuldade evidente de locomoção. Esses comportamentos podem indicar doenças, inclusive a raiva. Nesses casos, a recomendação é acionar a vigilância sanitária para que o animal seja recolhido e testado, ajudando a monitorar a circulação do vírus na região.
A bióloga Regina Lex Engel, em entrevista ao G1, alerta a população sobre os cuidados necessários se o animal for encontrado caído no chão de casa, calçadas ou ruas.
"Não é hábito do morcego ficar no chão. Se isso ocorrer é porque o animal está com algum problema. O morcego nessa situação é considerado suspeito de estar contaminado com o vírus da raiva", afirma.
Mesmo morto, o morcego contaminado com o vírus da raiva pode transmitir a doença. A especialista orienta que o animal precisa ser recolhido com todos os cuidados e proteção necessária, sem que ocorra contato direto com humanos.
Como recolher o animal?
Mesmo que o animal esteja morto, não se deve pegá-lo com as mãos desprotegidas, pois ele pode transmitir a raiva. É preciso recolher o morcego com uma pá de lixo ou com as mãos envoltas em alguma proteção que também será descartada após a ação.
O que fazer em caso de acidente?
Se houver acidente (mordida, arranhão ou lambida), é essencial que a pessoa procure atendimento médico para que um especialista avalie o tipo de contato ocorrido com o animal e determine a necessidade de vacina antirrábica ou soro.
Uso de venenos é inadequado e perigoso
O biólogo Fabiano Sores alerta que o uso de venenos é inadequado e perigoso. Além de não resolver o problema, pode fazer com que os morcegos saiam do abrigo em horários impróprios, aumentando o risco de contato com pessoas. O método correto de manejo envolve vedar os acessos ao telhado e utilizar dispositivos de saída única, permitindo que os animais saiam sem conseguir retornar.
Detalhes do caso de raiva em morcego confirmado em Belém
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) confirmou um caso de raiva em um morcego no bairro do Jurunas, em Belém. O morcego infectado foi localizado na Rua dos Tamoios, próximo à Avenida Bernardo Sayão. O recolhimento do animal foi feito pela Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) no dia 25 de setembro, e o resultado positivo para o vírus da raiva foi emitido no início de outubro.
De acordo com a Sesma, foram intensificadas as ações de vigilância e bloqueio epidemiológico na área para evitar a propagação do vírus e proteger a população e os animais domésticos. Como medida imediata de prevenção, equipes da UVZ, em parceria com profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), iniciaram uma busca ativa em um raio de 500 metros a partir do ponto onde o morcego foi encontrado.
Durante as visitas domiciliares, que seguem até a próxima sexta-feira (16), os agentes investigam se houve outros avistamentos de morcegos na região ou se pessoas e animais domésticos tiveram contato com o transmissor. Além disso, as equipes estão aplicando a vacina antirrábica em cães e gatos que estejam com o esquema vacinal em atraso.
No sábado (17), a mobilização ganha reforço com uma ação especial de vacinação antirrábica, realizada na Estratégia Saúde da Família (ESF) Portal da Amazônia, voltada para tutores que precisam imunizar seus pets.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que, desde 2011, o Pará não registra casos de raiva em cães e gatos. A Sespa esclareceu ainda que cabe ao órgão estadual capacitar os profissionais de saúde sobre os ciclos da doença e que a secretaria atua diretamente em caso de surtos de raiva humana.
Orientações da Sesma para a população sobre a raiva
A raiva é uma doença infecciosa viral grave, que afeta o sistema nervoso central e é quase 100% letal. Diante do cenário local, a Sesma reforça as seguintes orientações para a população:
Evite o contato físico: Nunca toque, pegue ou tente remover morcegos caídos no chão, pendurados em locais baixos ou que apresentem comportamento incomum (como voar durante o dia). Isole o animal: Caso encontre um morcego nessas condições, tente isolá-lo colocando um balde ou caixa sobre ele e entre em contato imediatamente com a Vigilância de Zoonoses para o recolhimento seguro. Procure atendimento médico imediato: Se houver qualquer tipo de contato direto com o morcego (mordida, arranhão ou lambida), a pessoa deve lavar o local com água e sabão abundantemente e procurar a unidade de saúde mais próxima o mais rápido possível para receber a avaliação médica e o tratamento preventivo, com vacina ou soro.
O Liberal