HIV: pacientes brasileiros começam a participar de estudo com tratamento que mantém a doença sob controle com 1 dose a cada 4 meses

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Uma nova estratégia de longa duração para o tratamento do HIV está em estudo e pacientes brasileiros já começaram a receber o tratamento. Trata-se da combinação de dois antirretrovirais injetáveis, o cabotegravir e a rilpivirina, aplicada a cada quatro meses para manter o vírus sob controle em pessoas que já vivem com a doença. Em países como Canadá, membros da União Europeia, Austrália e Estados Unidos, a combinação de cabotegravir e rilpivirina já está aprovada para o tratamento do HIV, mas para aplicação a cada dois meses. No Brasil, o tratamento ainda não está disponível.

O novo estudo buscar avaliar a eficácia e segurança da estratégia ainda mais estendida, com apenas uma aplicação a cada quatro meses. Para isso, ela será comparada com a estratégia já existente, de aplicação bimestral. A terapia antirretroviral controla a replicação do HIV, reduz a quantidade de vírus no organismo e permite que pessoas vivendo com a doença tenham uma saudável. Quando a terapia é seguida corretamente e mantém a carga viral indetectável, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, mas o controle do vírus depende do uso contínuo dos medicamentos. De acordo com o médico infectologista José Valdez Ramalho Madruga, pesquisador do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids de São Paulo, um dos centros à frente do estudo, a grande novidade do momento são esses medicamentos de ação prolongada. Pode parecer pouco, mas tomar a medicação a cada quatro meses em vez de dois, por exemplo, faz grande diferença na vida e na rotina do paciente. Com a aplicação bimestral, ele tem que ir ao serviço de saúde seis vezes ao ano. Na quadrimestral, isso cai pela metade.

Além disso, a versão injetável pode ser indicada para pessoas que têm tolerância gástrica e náuseas quando tomam comprimido e ainda por fatores sociais e psicológicos.

— Às vezes, a pessoa não quer revelar o diagnóstico da infecção — diz Madruga. — O estigma hoje ainda é uma coisa muito importante nas pessoas vivendo com HIV AIDS. Então, é bom ter a alternativa de injetável porque a pessoa não precisa se dar o trabalho, não tem necessidade de armazenar comprimidos em casa nem de levar comprimidos quando vai viajar. De acordo com o especialista, os injetáveis de longa duração também seriam interessantes para as pessoas que vivem na rua e pessoas privadas de liberdade, por exemplo.

O estudo clínico global, liderado pela farmacêutica GSK, prevê a inclusão de cerca de 564 participantes, em centros do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Austrália, Canadá, Japão, México, Espanha e Reino Unido. A conclusão está prevista para setembro de 2029. De acordo com Rodrigues, os participantes brasileiros estão espalhados em seis centros de pesquisa, sendo dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um em Salvador e um em Curitiba. No total, 65 pessoas já foram incluídas no Brasil e outras cinco estão em triagem. A aplicação da medicação já teve início.

No SUS, o tratamento oferecido atualmente é baseado principalmente em antirretrovirais de uso oral diário.

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