Faltam sete anos para o prazo que o Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) deu ao país: até 2033, 90% da população deve contar com coleta e tratamento de esgoto, e 99%, com água potável. O retrato mais recente mostra o tamanho do caminho. No Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil com dados de 2024 do SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), a coleta alcança 56,7% dos brasileiros, e o tratamento cobre apenas 51,8% do esgoto gerado. Cerca de 90 milhões de pessoas, ou 43,3% da população, continuam sem o serviço. Fechar essa conta passa por construir redes debaixo das ruas, e uma rede não se resume a tubos. Quem vai operá-la precisa chegar à tubulação enterrada, e esse acesso é feito pelos poços de visita, posicionados onde a rede faz curva, troca de nível ou de diâmetro. É por eles que as equipes fazem inspeção, limpeza e reparos durante toda a vida útil do sistema. Sem eles, inspecionar ou desobstruir um trecho exigiria abrir a rua. Na drenagem urbana, a mesma estrutura conecta as bocas de lobo à rede coletora. Essa peça importante da infraestrutura é o destaque do estande da Asperbras na Fenasan 2026 (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente), que ocupa o Expo Center Norte, em São Paulo, de 20 a 22 de outubro. Fabricante de tubos e conexões com mais de 40 anos de mercado, a empresa expõe num espaço de 140 m² a linha de poços de visita em PEAD (polietileno de alta densidade) e de inspeção, segmento em que a fabricante se apresenta como pioneira e líder. "A nossa presença no saneamento é muito forte, e já reconhecida pelo mercado. A linha de poços de visita e inspeção em polietileno, que já temos há 15 anos, é uma realidade que agrega aos mercados públicos e privados", afirma Thiago Rosa, diretor comercial da Asperbras. Empresa da holding Colpar Brasil, a Asperbras figura entre as mil maiores companhias do país, segundo a edição 2026 do ranking Valor 1000. Com seis unidades industriais, em Penápolis (SP), Macaíba (RN) e Simões Filho (BA), tem capacidade para mais de 60 mil toneladas por ano em PVC (policloreto de vinila) e PEAD e soma 700 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos. Chega à feira com a ampliação da fábrica de Penápolis concluída: o investimento de R$ 50 milhões somou mais de 5 mil m² em áreas fabris, de armazenagem e de distribuição e deixa a unidade em condições de dobrar sua capacidade de produção de tubos e conexões, com cerca de 50 empregos diretos e 150 indiretos na região. A planta de PEAD, inaugurada em 2023, também está em expansão. Do lado de quem contrata as obras, a escala mudou desde a aprovação da lei. Levantamento da Abcon Sindcon (Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), divulgado em julho, mostra operadoras privadas presentes em 2.720 municípios, quase metade das cidades brasileiras (48,8%), e mais de R$ 177 bilhões em investimentos contratados. O dinheiro, porém, não chega por igual. O Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) calcula que a universalização exige R$ 225 por habitante a cada ano; nos 100 municípios mais populosos, a média de 2024 foi de R$ 135,89, e em 51 deles o valor não chegou a R$ 100 por morador, segundo o Trata Brasil. Na Asperbras, a aposta é de continuidade. "Acreditamos no avanço do Marco Legal do Saneamento e, por isso, vamos continuar investindo em produtos e na ampliação da capacidade de nossas plantas", diz Rosa. A Fenasan, que os organizadores descrevem como um dos principais eventos de saneamento ambiental das Américas, é promovida pela AESabesp (Associação dos Engenheiros da Sabesp), acontece junto com o Encontro Técnico da entidade e reúne fabricantes e fornecedores de materiais, equipamentos e soluções para quem planeja, constrói e opera as redes. A edição de 2026 tem 479 expositores espalhados por 37 mil m² e espera 40 mil visitantes, de acordo com a organização. O credenciamento é gratuito pelo site do evento, e a Asperbras ocupa o estande D07/E08. Os números dão a medida do desafio dos próximos sete anos. As redes que faltam terão de ser projetadas, compradas e enterradas, e o ritmo de cada etapa depende de quanto cada cidade consegue investir. Se mais da metade das 100 maiores cidades do país investe menos da metade do que o plano nacional considera necessário, quantas delas chegarão a 2033 com a rede de esgoto construída e em condições de ser mantida?
O que falta para o Brasil cumprir a meta de saneamento até 2033
Fonte da notícia:
O Globo
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