247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta terça-feira (20) que sua participação no próximo debate da TV Globo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) está condicionada à apresentação de uma autorização do senador para a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Durante um ato de campanha no Nordeste, Lula chamou o adversário de “ladrão” e declarou que não pretende enfrentá-lo no programa caso a exigência não seja atendida.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a declaração foi feita durante uma mobilização eleitoral na ponte sobre o Rio São Francisco, entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. O presidente reforçou o desafio lançado ao candidato do PL no debate realizado no último domingo (18), pela Band e pelo Estadão.
“Se ele apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão”, declarou Lula.
A cobrança ocorreu no mesmo dia em que a campanha petista protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas do presidente e de seus familiares. O documento, no entanto, estabelece que a liberação dos dados depende de uma medida equivalente por parte de Flávio Bolsonaro e de integrantes de sua família.
Lula apresenta autorização ao TSE e cobra reciprocidade
O documento encaminhado pela campanha de Lula prevê a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos. A proposta estabelece que os registros sejam disponibilizados no sistema DivulgaCand Contas, do TSE, ou em outra plataforma pública que permita o acesso aos dados.
A petição apresentada nesta terça-feira contém uma declaração formal de autorização do presidente, mas ainda não inclui os registros bancários, fiscais e telefônicos mencionados.
A efetiva publicação das informações está condicionada à concordância do candidato adversário em adotar o mesmo procedimento.
No caso de Lula, a autorização abrangeria também a primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, e os cinco filhos do presidente.
Já a exigência dirigida a Flávio Bolsonaro envolve, além do próprio senador, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, seus pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e seus irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.
Carlos foi eleito senador por Santa Catarina, enquanto Jair Renan conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo mesmo estado.
Desafio começou no debate da Band
A cobrança feita nesta terça-feira é um desdobramento do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro realizado no domingo (18), durante o debate promovido pela Band e pelo jornal O Estado de São Paulo.
Na ocasião, o presidente propôs que os dois autorizassem a divulgação de seus sigilos, estendendo a medida aos respectivos familiares.
Flávio reagiu com ironia ao desafio, mas não confirmou se concordaria com a abertura das informações.
Dois dias depois, a campanha de Lula formalizou sua disposição de divulgar os dados mediante reciprocidade, transformando a proposta apresentada no debate em uma iniciativa protocolada na Justiça Eleitoral.
Ato reúne governadores e aliados no Nordeste
A manifestação de Lula ocorreu durante um evento de campanha na ponte que liga Juazeiro (BA) a Petrolina (PE), sobre o Rio São Francisco. Participaram da mobilização o governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e Rui Costa (PT), eleito senador pela Bahia.
O ato integrou a agenda eleitoral do presidente nos últimos dias anteriores à votação decisiva. O segundo turno da eleição presidencial será realizado em 25 de outubro.
Brasil 247