Depois de avançar nos Estados Unidos e na Europa, a Farm já prepara sua próxima etapa de internacionalização. A marca brasileira de moda identificou a China e a Austrália como mercados prioritários para uma possível nova fase de expansão, segundo contou à coluna o CEO global da companhia, Fábio Barreto.
A escolha foi feita após um estudo com a consultoria McKinsey, realizado no primeiro semestre deste ano, que avaliou também Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático, com atenção especial a Singapura e Tailândia. Barreto passou mais de um mês na região para conhecer os mercados e conta que um dos resultados que mais surpreenderam a direção da Farm foi o interesse pela marca identificado entre os consumidores chineses.
A Austrália já era vista como um mercado promissor pela semelhança de estilo de vida com o Brasil, mas a receptividade na China, um mercado de dimensões muito maiores, chamou a atenção da companhia. — Uma coisa que nos surpreendeu foi um desejo de marca através das pesquisas da China, muito parecido com a Austrália — afirmou Barreto.
As pesquisas também apontaram potencial na Tailândia, enquanto Japão e Coreia do Sul apresentaram maior dificuldade de conexão da marca com os consumidores locais. O modelo de entrada deverá variar conforme o mercado.
Na Austrália, a Farm pretende operar diretamente, como já faz nos Estados Unidos e no Reino Unido. Na China, a ideia é combinar uma participação mais ativa da companhia na construção da marca com o apoio de parceiros locais, sobretudo pelo funcionamento particular do mercado digital chinês, onde plataformas globais utilizadas pela Farm em outros países não têm a mesma presença.
— Do ponto de vista de marca, a gente tem que ter muito controle, a gente quer garantir do nosso jeito essa experiência de marca muito própria — disse. Já na Tailândia, a possibilidade considerada é a entrada por meio de um master franqueado, modelo utilizado pela Farm na América Latina e no Oriente Médio.
Os planos para a Ásia e a Austrália, porém, ainda estão em fase de estudos. A Farm afirma que não há cronograma definido para a entrada nesses mercados, nem estimativas de investimento ou número de lojas.
Por enquanto, a prioridade da companhia é continuar investindo nos Estados Unidos e na Europa, onde Barreto considera que ainda há espaço significativo para crescer. — Quanto mais fortalecermos nossa presença nos Estados Unidos e na Europa, mais cedo poderemos avançar para a Ásia, sobretudo pela influência do mercado europeu na indústria da moda — afirmou Barreto.
Para 2027, a Farm prevê a abertura de cinco a dez lojas internacionais, segundo informou a companhia à coluna. A marca soma atualmente 36 pontos de venda no exterior, incluindo unidades temporárias e espaços em lojas de departamentos.
a Desse total, 24 são de operação própria, nos Estados Unidos e na Europa, e 12 funcionam por meio de franquias.
Desde julho, foram inauguradas quatro unidades, sendo três próprias, em Nova York, na Califórnia e em Madri, e uma franqueada, na Colômbia. A companhia aposta em grandes cidades para ganhar reconhecimento antes de ampliar sua distribuição para outras regiões, por meio de lojas próprias, e-commerce e atacado, incluindo lojas de departamentos e multimarcas, conta o CEO.
Ao menos foi esse o modelo replicado até o momento em Nova York, Los Angeles, Paris e Londres, que a companhia agora pretende repetir na Espanha. Recentemente, a marca anunciou uma collab com o Real Madrid e Adidas, outra com a marca espanhola Flabelus, além de uma ação com uma loja de departamentos.
— Todo mundo me pergunta onde é que a Farm vai bem? E eu falo, todo lugar que a gente conseguiu lançar uma marca 360 e contou a nossa história, a Farm foi muito bem — afirmou Barreto. Além das operações próprias nos Estados Unidos e na Europa, a Farm vem ampliando sua presença internacional com o apoio de parceiros locais.
No Oriente Médio, onde trabalha com o grupo Chalhoub desde 2024, a companhia pretende superar dez lojas nos próximos cinco anos, segundo Barreto. Na região, a Farm prepara a abertura de uma loja em Jeddah, na Arábia Saudita, prevista para 31 de janeiro de 2027.
A expansão da companhia na região ocorre por meio de master franqueados, modelo escolhido para mercados em que a Farm considera importante contar com parceiros familiarizados com as particularidades locais. Na América Latina, a companhia segue a mesma estratégia e soma nove pontos de venda franqueados, sendo seis no México e um em cada um dos seguintes países: Panamá, Argentina e Colômbia.
Embora veja oportunidades de crescimento nessas regiões, Barreto considera que Estados Unidos, Europa e, futuramente, China e Austrália oferecem um potencial de faturamento maior para a marca. — São mercados endereçáveis menores.
Então, proporcionalmente, quando a gente pensa em Estados Unidos e Europa, a nossa expectativa de faturamento para o futuro é muito maior, quando a gente pensa em Ásia também — disse o executivo. A expansão internacional é a principal aposta do planejamento estratégico Farm Rio 2032, elaborado pela companhia no ano passado.
Como a coluna já antecipou, o plano foi traçado antes do acordo de cisão da Azzas 2154, com o objetivo de manter as prioridades de crescimento da marca independentemente das mudanças societárias. Hoje, o exterior responde por cerca de 40% das vendas da Farm.
A meta é que essa participação supere dois terços nos próximos cinco anos. Segundo Barreto, a operação internacional já tem rentabilidade comparável à do negócio brasileiro.
A Farm ficará em uma sociedade própria após a cisão da Azzas, com participações de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da Soma. O Morgan Stanley foi contratado para avaliar alternativas estratégicas para a marca, incluindo uma eventual venda.
Barreto afirma que o ritmo de execução do plano poderá mudar conforme o desfecho societário, mas que as prioridades de expansão estão mantidas.
O Globo