Por Bruce WilliamPostado em 04 de novembro de 2026 Neil Young nunca foi exatamente um guitarrista preocupado em tocar tudo com perfeição.
Boa parte do encanto de seu estilo está justamente na maneira como explora distorções, improvisações e notas que parecem surgir no calor do momento. Mas isso não o impede de admirar músicos com uma abordagem bem diferente da sua, como Eric Clapton, de quem se tornou um grande admirador.
Os dois se conheceram no final dos anos 1960, quando Young ainda integrava o Buffalo Springfield e Clapton estava no Cream, depois de passagens pelos Yardbirds e pelos Bluesbreakers de John Mayall. Com o tempo, o canadense passou a apreciar cada vez mais a maneira como o inglês trabalhava a guitarra, especialmente sua precisão e o cuidado com cada nota.
"Ele trabalha duro, com muita dedicação, naquilo que faz. Eu não gostava tanto da música dele 15 anos atrás, mas agora gosto.
Tudo o que ele faz parece ter algum significado para ele", declarou Young em uma entrevista resgatada pela Far Out. Young também comparou Clapton a Stephen Stills, seu antigo parceiro no Buffalo Springfield e posteriormente no Crosby, Stills, Nash & Young.
Para ele, os dois compartilhavam uma segurança impressionante quando assumiam a guitarra solo. "Ele é tão bom, sabe? Não havia nada que ele tentasse fazer e não conseguisse."
A relação entre os músicos começou de uma maneira bastante movimentada. Em março de 1968, Clapton participou de um encontro com integrantes do Buffalo Springfield na Califórnia.
A reunião, que incluía música e algumas substâncias ilícitas, chamou a atenção dos vizinhos, que reclamaram do barulho. Quando a polícia apareceu, os agentes encontraram drogas e levaram vários participantes para a delegacia.
Stephen Stills conseguiu escapar pela janela do banheiro, mas Clapton e Young não tiveram a mesma sorte. O episódio foi relembrado pelo próprio Clapton no documentário Echo in the Canyon, lançado em 2018, e aparece também na biografia Shakey, escrita por Jimmy McDonough.
A confusão aconteceu pouco antes do encerramento das atividades do Buffalo Springfield, que faria seus últimos shows naquele mesmo ano. Apesar das diferenças entre seus estilos, Young sempre valorizou a oportunidade de tocar com Clapton.
O canadense, que frequentemente se vê mais como um guitarrista rítmico, apreciava a segurança do colega nos solos, pois isso lhe dava liberdade para explorar outras possibilidades na música. Uma admiração que também não o impediu de reconhecer a importância de outros guitarristas, como J.J.
Cale, cuja influência sobre o próprio Clapton foi enorme.
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