Nenhum governo tem poder de implementar calote geral, diz Durigan após Flávio prometer congelar dívidas

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Fonte da notícia: Valor Valor

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta terça-feira (20) a proposta da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de congelar dívidas por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas. Segundo o ministro, “nenhum governo tem o poder de implementar um calote geral na economia que, na prática, travaria todos os sistemas de crédito”.

“Se isso acontecer, no dia seguinte, você, que precisa de um crédito para antecipar uma fatura do seu negócio, ou que for financiar a compra de um bem em qualquer loja, ou o produtor rural, que precisa do crédito para financiar sua safra, tudo isso estaria inviabilizado”, afirmou Durigan, em vídeo publicado nas redes sociais.

Flávio falou sobre sua proposta durante o debate promovido pela TV Band no domingo (18). "Quando eu for presidente, a taxa de juros vai começar a cair de forma muito rápida. E para você que é pessoa física vai ficar seis meses congelada. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano, um ano sem pagar suas dívidas", disse. Ele não indicou como pretende financiar a proposta.

O ministro afirmou que a proposta transferiria o custeio para a própria população. “O prejuízo ficaria no seu bolso”, disse. Na avaliação dele, a medida não resolveria o endividamento, que está em patamar recorde, e os juros continuariam a aumentar as dívidas. “A solução para o endividamento das famílias e das empresas não é por toque de mágica, nem com promessas impossíveis de serem cumpridas", afirmou.

"Isso porque, se o sistema financeiro fica sem receber trilhões de reais por até um ano, não haverá recurso para esses novos créditos e, no limite, nem para a devolução do dinheiro que você tem em investimento e depositado em contas bancárias", acrescentou.

Em contraposição à proposta, Durigan defendeu o Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas. Segundo ele, o enfrentamento do endividamento exige um “programa sustentável”, como o que vem sendo implementado pelo governo Lula (PT).

"Na próxima etapa, anunciada pelo presidente Lula, nós vamos adquirir suas dívidas com descontos acima de 90%, sem calote, sem magia, tudo com muita responsabilidade", disse.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, lançou três edições do Desenrola para tentar conter o avanço do endividamento da população, com uma edição em 2023 e dois anúncios neste ano. O novo Desenrola 3. prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atrasos de dois a quatro anos e meio.

O foco será nas dívidas de cartão de crédito, tanto na modalidade parcelada quanto na rotativa, e de crédito pessoal sem desconto em folha, com valores de até R$ 10 mil. A estimativa do governo é que até 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas. O custo máximo de aquisição das carteiras pela União é limitado a R$ 15 bilhões.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan Washington Costa/MF

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