Na reta final do primeiro turno da disputa pelo Palácio Guanabara, os dois candidatos melhor posicionados nas pesquisas têm travado uma batalha pelo voto da Baixada Fluminense. Buscando fidelizar o eleitorado da região, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) fizeram 19 agendas nos municípios da região na última semana. Quaest: Oscilação positiva de Lula frustra campanha de Flávio, que apostava em queda com crise do STF Com aliado em dificuldades: Ratinho usa voto a favor de Dino em sabatina no Senado para vincular Moro ao ministro do STF Além de aumentar a presença, eles também têm mirado nessas cidades algumas das principais propostas de governo como na área de mobilidade. O tema é essencial para o eleitorado local, já que muitas cidades, como São João de Meriti, são conhecidas por serem municípios dormitórios, onde a população trabalha na capital fluminense e retorna para casa somente pela noite. O ex-prefeito da capital, por exemplo, diz que vai estender o metrô para a Baixada enquanto o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) quer construir corredores viários de alta capacidade conectando cinco cidades da região. Com 2,8 milhões de eleitores aptos a irem às urnas neste ano, a Baixada Fluminense pode ser o fiel da balança na disputa entre os dois candidatos. As duas campanhas admitem investir na região devido à alta densidade demográfica das cidades. No pleito de 2024, o Partido Liberal acreditava ter eleito uma maioria de prefeitos aliados. A região, na eleição municipal, elegeu 11 prefeitos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas, nos últimos meses, Paes conseguiu atrair caciques dessas cidades, resultando até num desembarque da federação Progressistas e União Brasil da chapa de Ruas. Histórico desfavorável A investida de Paes na região não acontece somente pelos números populacionais. Em 2018, quando tentou se eleger governador, ele teve um baixo desempenho na Baixada Fluminense. Naquele 2º turno contra Wilson Witzel, ele alcançou cerca de um terço dos votos válidos na região. Neste último final de semana, o ex-prefeito esteve em Duque de Caxias, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi e São João de Meriti. O movimento também aparece na campanha digital do ex-prefeito. Dados da Meta, que controla o Facebook e Instagram, mostram que ele tem direcionado cerca de um terço do valor gasto para impulsionar a propaganda online para moradores de Nova Iguaçu e Caxias. Nesse ranking, a capital fica atrás de Queimados, Japeri e Magé, por exemplo. Nessas postagens, ele também tem buscado falar diretamente sobre propostas para a região. — A Baixada, São Gonçalo e Região Metropolitana têm que ser prioridade. São áreas que precisam ser transformadas, precisam deixar de ser receptoras de migalhas do estado — defende o ex-prefeito. Ruas adotou o slogan “Rio real” e busca colar a imagem do adversário a uma gestão que priorizou somente a Zona Sul da capital. Na campanha de rua, onde prefere o corpo a corpo para se tornar um rosto conhecido, tem distribuído santinhos diferentes nas cidades da Baixada: o material traz a imagem de Flávio Bolsonaro (PL) com cores verde e amarela, reforçando o vínculo com a direita. Ele também escolheu Nova Iguaçu, quarto maior colégio eleitoral do estado, para um ato com o presidenciável no início da campanha. Em propagandas impulsionadas nas redes, Ruas tem direcionado menos as postagens a moradores da Baixada Fluminense. A aposta é em pulverizar peças publicitárias com a imagem de de apoio da família Bolsonaro nas publicações pagas. — Todo voto é importante e estamos atacando mais Baixada e Rio por causa da concentração de votos. O foco agora é na concentração demográfica — conta Bruno Bonetti, presidente do PL na capital e coordenador de campanha de Ruas. Encontros na rua A imersão dos candidatos na Baixada Fluminense tem até criado situações curiosas nas ruas da Baixada. Em duas agendas nos últimos dias Douglas Ruas encontrou adversários e aliados de Paes em Duque de Caxias. A cidade é reduto eleitoral da família Reis, que indicou a vice Jane Reis na chapa do ex-prefeito.
Na quinta-feira passada, cabos eleitorais da campanha do presidente da Alerj chegaram a se desentender com os mobilizadores dos irmãos Gutemberg e Rosenverg Reis, ambos do MDB, e foi necessário antecipar a agenda do candidato do PL para evitar conflitos. No último domingo, encontraram novamente apoiadores dos caciques locais e até com a candidata a senadora Benedita da Silva (PT), mas não houve problemas.
O Globo