Na reta final, campanhas de Tarcísio e Prado se apegam a voto útil para tentar frear 'efeito Salles'

Na reta final, campanhas de Tarcísio e Prado se apegam a voto útil para tentar frear 'efeito Salles' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Apesar da imprevisibilidade de momento nas principais pesquisas eleitorais ao Senado, o grupo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) projeta uma migração de votos na reta final da disputa. Seria o chamado "voto útil", capitaneado pelo eleitorado conservador do estado que rejeita as candidatas apoiadas pelo PT, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). No melhor dos cenários para esse grupo, a estratégia poderia beneficiar o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). Para isso, precisa aparecer na dianteira em relação ao deputado federal Ricardo Salles (Novo), que concorre de modo independente na direita, para demonstrar maior viabilidade em barrar a chapa petista. A leitura de um integrante da campanha de Tarcísio é de que o eleitor ainda não está totalmente informado da possibilidade de dois votos ao Senado, e isso deve se tornar prioritário nos últimos dez dias. O apelo mais direto ao “voto útil”, por outro lado, depende do próprio governador, que teria condições de pautar o assunto de maneira ampla, mas enfrenta uma dificuldade interna. O deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública e segundo integrante da chapa de Tarcísio, mantém boa interlocução com Salles. A aposta é de que ele não aceitaria encampar esse mote, nem a pedido. Há ainda um elemento estratégico, uma vez que parte do bolsonarismo vota nele e em Salles ao mesmo tempo.

Derrite deu uma sinalização nesse sentido durante o debate promovido pelo jornal Folha de S. Paulo e o site UOL nesta segunda-feira (21). Ele foi procurado por ambos, Prado e Salles, para fazer dobradinhas contra Tebet e Silva. Numa delas, interpelado pelo candidato do PL, foi direto: — Sei da discordância entre o senhor (Prado) e Ricardo Salles, mas nós três somos de São Paulo, temos legado em São Paulo, que não admite plano B de quem quer que seja, inclusive daqueles que escondem o grupo político a que pertencem. São as candidatas do PT, da esquerda, do atraso, do Lula e do Haddad — disse. Pelos lados de Prado, a avaliação é de que a propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV, assim como as dezenas de inserções diárias nas emissoras destacando ser ele o “braço direito de Tarcísio”, vai colocá-lo em vantagem e, no discurso, será reforçada na reta final a importância de que são dois votos para o Senado e que apostar em um nome fora da chapa significaria “dividir a direita e dar votos a uma candidata da esquerda”. Outra aposta é a exposição nas ruas, com faixas e wind banners com seu rosto ao lado de Tarcísio, acompanhado de seu número, espalhadas por diversas áreas centrais da capital e cidades do interior.

De olho em reforçar a ideia da “chapa oficial” do governador, Prado passou a inserir, no início de suas propagandas na televisão que têm ido ao ar nos últimos dias, uma chamada com os três unidos: Tarcísio, no meio dos dois postulantes ao Senado, pede votos para Derrite e Prado e destaca que esses são os seus dois candidatos. A aposta na exposição da chapa completa com “a direita unida” deve continuar nos próximos dias e, nas redes sociais, Prado deve contar também com o apoio de Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado que está nos Estados Unidos e que deu a “bênção” da família Bolsonaro para que o presidente da Alesp disputasse o cargo.

Salles não conta com essa visibilidade nos meios tradicionais e explora principalmente as redes sociais, onde costuma adotar uma retórica agressiva contra o chamado “Centrão”, sempre incluindo Prado neste grupo.

— Não adianta combater a esquerda se o Centrão vai lá e faz a mesma coisa que a esquerda faz. Temos que ter a seriedade e a hombridade de dizer nem esquerda, nem forasteiras, nem a roubalheira do Centrão, que a gente sabe de onde vem e quem é — declarou Salles, no mesmo debate, antecipando-se ao movimento. O deputado estadual, por sua vez, tende a reforçar nessa reta final seus ataques a Salles, para responder às críticas que o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro tem feito em seus perfis nas redes. O candidato do PL passou a publicar vídeos com frases como “as incoerências de Ricardo Salles”, atrelando o adversário ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a Dilma Rousseff (PT).

Na esquerda, Marina e Simone têm adotado um tom mais duro em relação ao papel do Senado de fiscalizar e punir eventuais abusos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e o discurso de combate à corrupção tem ganhado mais espaço sobretudo na campanha de Simone.

Durante o debate desta segunda, por diversas vezes a candidata do PSB entrou em embates mais duros com o postulante do PP: os dois trocaram farpas sobre o envolvimento de Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, e do candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) no caso Master, enquanto Derrite tentou atrelar a ex-ministra do Planejamento a escândalos de corrupção ocorridos em gestões petistas. A tendência, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, é que o discurso contra Flávio se acentue com a aproximação do primeiro turno, em uma estratégia coordenada com a campanha de Lula.

A segurança pública e o combate ao feminicídio também foram pautas bastante abordadas pelas duas candidatas da esquerda no debate, que vêm acenando para o eleitorado feminino, que tende a rejeitar mais o bolsonarismo.

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