A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, está organizando um jantar com ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar das eleições e das estratégias da campanha do petista às vésperas do primeiro turno. Segundo relatos, o encontro está previsto para ocorrer nesta terça-feira, em Brasília, e não terá participação do presidente — Lula estará em deslocamento, voltando de viagem internacional aos Estados Unidos.
A expectativa é que sejam discutidas estratégias para essa reta final de campanha, num momento em que o petista está pressionado pelas pesquisas eleitorais. Levantamento da Quaest divulgado nesta segunda-feira mostrou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, numericamente à frente do petista num eventual segundo turno (o senador registra 42% dos votos, ante 41% do presidente). No primeiro turno, o chefe do Executivo aparece à frente: 37% ante 33% de Flávio. Segundo relatos, encontros como esses promovidos por integrantes da Esplanada petista têm sido comuns, com outros ministros organizando conversas desse tipo. Um deles aconteceu em agosto e reuniu integrantes de diferentes ministérios que tinham até 35 anos para discutir propostas para a juventude. As agendas têm ocorrido à noite, fora do expediente de trabalho e costumam contar com a presença de membros da coordenação de campanha do presidente.
Em agosto, auxiliares de Lula no Palácio do Planalto passaram a cobrar ministros para que percorram o Brasil, a fim de divulgar ações do governo e defender a gestão petista, apesar das restrições da Lei Eleitoral durante o período de campanha. A Casa Civil estabeleceu uma meta de três viagens semanais para cada integrante do primeiro escalão, destinadas a inaugurações e visitas a obras do governo. Além disso, havia orientação para que eles falassem à imprensa local e ocupassem as redes sociais.
A expectativa é que o jantar desta terça-feira possa apresentar novos passos e definir uma estratégia unificada para a campanha e atuação dos ministros. No último dia 10, o PT convocou uma reunião de emergência com integrantes da executiva da sigla e membros da coordenação de Lula numa espécie de “freio de arrumação”, diante de um cenário de consolidação de Flávio nas pesquisas e de incertezas provocadas pela crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).
Naquele dia, foram defendidos maior mobilização da militância nas redes sociais e nas ruas, além de endurecimento do enfrentamento ao bolsonarismo e maior diálogo com movimentos sociais e partidos da base aliada. Lula é apoiado pelos partidos PT, PSB, PDT, PSOL-Rede, PV e PC do B. De lá para cá, a coordenação de campanha do petista passou a adotar tom mais duro e incisivo contra Flávio Bolsonaro, apostando nas comparações com a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e com ataques diretos ao que classificam como prejuízos que o país terá num eventual governo Flávio.
Além disso, a equipe de Lula mudou a cara dos programas de horário eleitoral, buscando tratar de temas mais cotidianos da população, como o custo de vida. Nesta segunda, a campanha exibiu uma peça em que o presidente defende o fim das apostas esportivas, as bets. Como O GLOBO mostrou, nas últimas semanas, o petista passou a adotar um discurso “pé no chão”, reconhecendo limitações da sua gestão e apontando para medidas que poderão ser tomadas num eventual quarto mandato.
O Globo