Lula (PT) esteve em dez estados brasileiros nos primeiros 30 dias de campanha eleitoral e foi o candidato à presidência que proporcionalmente mais esteve no Nordeste. O petista teve o menor número de compromissos como candidato no levantamento realizado por O GLOBO, com base nos comunicados enviados pelas assessorias de imprensa de cada campanha eleitoral. Foram quatorze compromissos de campanha entre 16 de agosto e 15 de setembro. A equipe do presidente priorizou compromissos mais "tradicionais" e metade deles foram comícios, realizados em estados do Sul, Nordeste e Sudeste.
Mapa da campanha presidencial: Sudeste concentra 70% dos compromissos dos candidatos enquanto Norte é deixado de lado A reportagem analisou os deslocamentos de cinco candidatos à presidência no período. Além de Lula, também foram mapeadas as agendas de Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Em um cálculo ilustrativo feito por O GLOBO para entender o quanto cada candidato percorreu pelo país até o momento, Lula acumula mais de 17.000 quilômetros, considerando as distâncias em linha reta entre os compromissos divulgado pela assessoria do candidato. Veja mapa abaixo:
Até o dia 16, Lula não visitou o Norte enquanto candidato. Flávio foi o único candidato até o momento que visitou estados da região. Na agenda da presidência, no entanto, o petista esteve no Amapá em 17 de agosto, na cidade de Oiapoque, no extremo norte do estado. Ele visitou um navio da Petrobras que realiza pesquisas na Margem Equatorial, depois do anúncio da estatal de indícios de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. O petista tem dividido o tempo entre compromissos de governo e de campanha. A busca pela reeleição acaba se concentrando sobretudo às sextas-feiras e finais de semana. A equipe tem dado preferência aos locais em que o presidente encontra um palanque local robusto, seja de candidatos do próprio partido ou de legendas aliadas.
Lula concentrou 35,7% dos compromissos no Nordeste, a maior proporção entre os candidatos analisados. Por lá ele encontra situação mais confortável, dado o histórico de preferência nos estados da região em candidatos do PT. No Sul, os atos de campanha foram ao lado de candidatos do PDT aos governos do Rio Grande do Sul e do Paraná, fruto de alianças pensadas para unir a esquerda em prol de um palanque mais forte para Lula.
No Sudeste, que teve 42% dos compromissos de Lula, o petista enfrenta uma situação desafiadora. Em São Paulo, seu apadrinhado ao governo estadual, Fernando Haddad (PT), enfrenta uma estagnação nas pesquisas e dificuldades perante o adversário bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.
Já em Minas, o presidente tenta fortalecer a candidatura de Patrus Ananias (PT), que aparece empatado em segundo lugar nas pesquisas com Alexandre Kalil (PDT) — ambos atrás de Cleitinho Azevedo (Republicanos). Historicamente, os dois estados são considerados chave para garantir a eleição presidencial pela quantidade de eleitores. Já no Rio, ele apoia Eduardo Paes (PSD), que por sua vez expõe a aliança com parcimônia em sua campanha, ainda que negue esconder o petista.
O Globo