Moradores de Volta Redonda (RJ) viram a fumaça subir da CSN às 13h30, quando ferro-gusa em alta temperatura encontrou umidade no poço de escória da Usina Presidente Vargas, e a Polícia Civil fará perícia

Moradores de Volta Redonda (RJ) viram a fumaça subir da CSN às 13h30, quando ferro-gusa em alta temperatura encontrou umidade no poço de escória da Usina Presidente Vargas, e a Polícia Civil fará perícia - Foto
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A Companhia Siderúrgica Nacional informou em nota que o episódio ocorreu durante a cambagem, nome técnico do descarregamento de ferro-gusa de um carro-torpedo no Poço de Tombamento de Escória, conhecido como Kisch Pit. Segundo a empresa, o contato do material em alta temperatura com excesso de umidade no solo provocou uma forte reação, com liberação de calor e fumaça visíveis dentro e fora da usina.

Vídeos enviados por moradores mostram uma nuvem marrom subindo acima das casas, com a base escura e o topo em forma de cogumelo. A cena se espalhou pelas redes sociais no início da tarde.

A Usina Presidente Vargas fica no meio da cidade. Por isso, o estrondo e a fumaça foram percebidos em bairros vizinhos ao complexo, segundo relatos publicados pela imprensa regional.

Parte das imagens foi enviada por moradores à TV Rio Sul, afiliada da TV Globo na região, segundo a Veja Rio. Nelas, a fumaça aparece por cima das árvores e dos telhados, com o complexo ao fundo.

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro foi acionado e, segundo a corporação, as informações iniciais apontavam para uma reação química que teria provocado um deslocamento de ar no local. A brigada da própria CSN atuou no combate aos focos iniciais de incêndio, informou a CNN Brasil.

Depois, os agentes fizeram uma varredura na área e não encontraram feridos nem incêndio ativo, de acordo com a Veja Rio. A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação sobre a explosão.

A perícia será feita no local depois que o Corpo de Bombeiros encerrar o trabalho de rescaldo, segundo a CNN Brasil. A CSN disse que as causas estão sendo apuradas.

A empresa não informou se a operação de cambagem no poço foi suspensa nem quanto tempo a área deve ficar isolada. “Não houve vítimas nem registro de feridos, em qualquer grau”, afirmou a companhia na nota divulgada no fim da tarde.

O ferro-gusa é o metal que sai do alto-forno, depois que o minério de ferro é derretido com carvão. Ele ainda tem muito carbono e precisa passar pela aciaria para virar aço.

Dentro da usina, o gusa líquido viaja em vagões especiais, chamados carros-torpedo, por causa do formato alongado. São eles que levam o metal até a aciaria ou, quando é preciso, até um poço de descarte.

O Kisch Pit, onde ocorreu a reação, é o poço de tombamento de escória da usina. Foi ali que o carro-torpedo despejava o gusa quando o material quente encontrou o solo úmido, segundo a CSN.

A escória é o resíduo que se separa do metal no alto-forno, formado pelas impurezas do minério e pelos materiais usados na fusão. Ela também vai para esses poços, onde esfria antes de ser retirada e reaproveitada.

O especialista em riscos e segurança Gerardo Portela, que trabalhou na CSN e participou da construção do Alto-Forno 2, explicou ao g1 o fenômeno que pode estar por trás da cena. Quando o gusa incandescente encontra água ou umidade, a água vira vapor quase instantaneamente.

A expansão brusca cria uma diferença de pressão capaz de lançar material para o alto. Segundo Portela, a força pode arrastar resíduos do processo, como a escória, e formar a nuvem parecida com um cogumelo vista pelos moradores.

Ele ressalvou que a dinâmica exata depende de confirmação técnica. A explicação do especialista descreve um fenômeno físico conhecido em operações com metal superaquecido, mas não confirma sozinha o que aconteceu na Usina Presidente Vargas na quarta.

A conclusão depende do laudo da perícia e da apuração interna da CSN, que ainda não divulgou prazo para apresentar o resultado. Também não há informação sobre a quantidade de gusa que estava sendo despejada no momento da reação.

Até lá, a versão oficial é a da nota da empresa: umidade em excesso no solo do poço no momento em que o carro-torpedo despejava o gusa. O episódio da quarta acontece 13 dias depois de outra ocorrência na mesma usina.

Em 15 de outubro, um trabalhador terceirizado de 63 anos morreu dentro da Usina Presidente Vargas. Naquela ocasião, a Polícia Civil também fez perícia, no setor de dessulfuração, para investigar as circunstâncias, como registrou o site na matéria sobre a perícia no setor de dessulfuração da CSN.

Os dois casos não têm relação conhecida entre si. O de outubro ocorreu em outro setor, e a CSN não comentou se revisou procedimentos de segurança depois dele.

A usina já teve explosão com feridos no passado. Em 15 de maio de 2019, uma explosão no complexo deixou 26 feridos, segundo reportagem publicada pelo site naquele dia.

Para quem vive no entorno, a principal dúvida é se a fumaça trouxe algum risco à saúde ou ao ar da cidade. Nem a CSN nem os bombeiros divulgaram medições da qualidade do ar depois do episódio.

A empresa também não informou se a produção da usina foi afetada pela ocorrência nem se houve dano a equipamentos no poço de escória. Você mora em Volta Redonda ou em cidade com siderúrgica? Já viu algo parecido perto de casa? Conte nos comentários.

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