Os equipamentos de uma nova unidade industrial em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, estão sendo preparados para transformar o gás liberado pela decomposição do lixo em combustível para grandes fábricas. A Gás Verde pretende concluir as obras em dezembro de 2026 e começar a fornecer biometano no início de 2027.
Segundo o Movimento Econômico, em reportagem publicada em 4 de novembro de 2026, o empreendimento recebeu R$ 90,2 milhões em investimentos e terá capacidade de produzir aproximadamente 45,7 mil metros cúbicos de combustível renovável por dia. Antes mesmo de entrar em funcionamento, mais de 60% de sua produção prevista já foi negociada.
Entre os clientes estão a montadora Stellantis, instalada em Goiana, e a fabricante de alimentos Mondelēz Brasil, que mantém uma unidade em Vitória de Santo Antão. A nova estrutura deverá atender indústrias e operadores logísticos de diferentes municípios pernambucanos.
A Gás Verde está concluindo sua primeira unidade de produção de biometano no Nordeste. A estrutura fica em Igarassu, município que integra a Região Metropolitana do Recife e abriga atividades industriais e logísticas.
O investimento de R$ 90,2 milhões foi anunciado anteriormente, com financiamento aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em maio de 2025. A novidade de novembro de 2026 é o avanço das obras.
A previsão atual é terminar a construção em dezembro e iniciar as operações no começo de 2027. O cronograma representa uma atualização em relação à expectativa anterior de funcionamento ainda em 2026.
Quando estiver funcionando, a nova instalação poderá produzir aproximadamente 45,7 mil metros cúbicos de biometano diariamente. A capacidade corresponde ao volume máximo projetado, não à produção efetivamente registrada.
Em 30 dias de operação nessa capacidade, o volume poderá chegar a aproximadamente 1,37 milhão de metros cúbicos. A quantidade realmente produzida dependerá das condições de funcionamento e da disponibilidade de matéria-prima.
O combustível será destinado principalmente a empresas da região. A Gás Verde pretende atender consumidores industriais e operadores de transporte em um raio aproximado de 150 quilômetros da fábrica.
A nova planta utilizará o biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterro sanitário. Restos de alimentos e outros materiais descartados liberam gases enquanto passam por esse processo.
O biogás contém principalmente metano e gás carbônico. Para produzir biometano, os equipamentos precisam retirar impurezas e separar parte dos componentes indesejados.
Depois do tratamento, o combustível pode alcançar características semelhantes às do gás natural. Isso permite sua utilização em processos industriais e em veículos com equipamentos compatíveis, respeitando os requisitos de qualidade.
Entre os clientes confirmados está a Stellantis, grupo responsável por marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. A companhia possui um importante complexo industrial de veículos em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.
A montadora ampliou seu contrato com a Gás Verde para incluir o fornecimento de biometano à unidade pernambucana. O combustível poderá ser utilizado em atividades industriais que necessitam de energia térmica.
A Stellantis já utiliza biometano fornecido pela empresa em operações no Rio de Janeiro. O novo acordo estende essa relação comercial para uma das principais instalações automotivas do Nordeste.
Outra empresa que negociou o fornecimento é a Mondelēz Brasil, fabricante de alimentos que possui uma unidade em Vitória de Santo Antão. A companhia pretende incorporar o biometano à energia utilizada pela fábrica.
O contrato terá duração de três anos. Segundo informações divulgadas pela InfraFM em 3 de novembro, o fornecimento começará em aproximadamente 50 mil metros cúbicos mensais, com aumento gradual previsto.
O objetivo é alcançar cerca de 100 mil metros cúbicos por mês. As empresas estimam que a substituição de combustível poderá evitar aproximadamente 6 mil toneladas de gases de efeito estufa, medidas em CO₂ equivalente, durante o contrato.
A Gás Verde informou que mais de 60% da capacidade prevista de sua nova planta já está comprometida comercialmente. Isso significa que parte importante do combustível produzido terá compradores contratados.
Considerando a capacidade anunciada, essa participação representa mais de 27 mil metros cúbicos por dia em volume equivalente. O fornecimento efetivo será realizado conforme os contratos e as condições de operação.
Os acordos com Stellantis e Mondelēz estão entre os negócios divulgados. A empresa não detalhou o volume individual de todos os contratos que compõem a parcela comercializada.
A localização em Igarassu permite atender diferentes polos industriais e centros de distribuição de Pernambuco. Entre as cidades citadas estão Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho.
A área comercial também abrange Goiana, Vitória de Santo Antão, Ipojuca e Belo Jardim. Esses municípios concentram fábricas, armazéns, transportadoras e outras atividades que consomem energia.
A distribuição do biometano permite levar o combustível a clientes que não possuem uma ligação direta com redes de gás. A logística de entrega dependerá das estruturas utilizadas e das condições contratadas com cada consumidor.
Além das fábricas, o combustível pode ser utilizado em veículos preparados para operar com gás. Isso inclui determinados modelos de caminhões, ônibus e veículos leves.
Para essas operações, o combustível precisa atender às especificações técnicas exigidas. Os veículos também devem possuir sistemas adequados para receber, armazenar e utilizar o gás.
A Gás Verde já participa de iniciativas ligadas ao abastecimento de frotas empresariais. No estado de São Paulo, operações de clientes como L’Oréal Brasil e Henkel utilizam soluções de fornecimento voltadas ao transporte de cargas.
O financiamento de R$ 90,2 milhões para a unidade de Igarassu foi aprovado pelo BNDES em maio de 2025. Desse valor, R$ 72,2 milhões vieram do Fundo Clima.
O fundo apoia projetos relacionados à redução das emissões de gases que contribuem para o aquecimento global. No caso da unidade pernambucana, o objetivo inclui aproveitar o metano gerado pela decomposição de resíduos.
Na mesma operação financeira, o BNDES também aprovou recursos para outro projeto da Gás Verde, em Seropédica, no Rio de Janeiro. Os dois empreendimentos somaram R$ 131,1 milhões em financiamentos.
A Gás Verde possui duas unidades produtoras de biometano em operação, localizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Juntas, elas apresentam produção informada de aproximadamente 180 mil metros cúbicos por dia.
A companhia também desenvolve atividades relacionadas à geração de eletricidade a partir de biogás. Sua estrutura inclui instalações distribuídas por diferentes estados brasileiros.
Entre os consumidores atendidos pela empresa estão Ambev, Nestlé, Ternium, Saint-Gobain, Vesuvius e Knauf. As operações abrangem atividades industriais que utilizam energia em diferentes etapas da produção.
A nova fábrica de Pernambuco faz parte de um programa de crescimento mais amplo. A Gás Verde pretende ampliar sua capacidade nacional de produção de biometano nos próximos anos.
A meta divulgada pela companhia é alcançar 650 mil metros cúbicos por dia. O planejamento inclui novos projetos em seis estados brasileiros e a conversão de unidades que atualmente produzem eletricidade utilizando biogás.
A meta ainda não representa capacidade instalada. Para atingir esse volume, os novos empreendimentos precisarão passar pelas etapas de investimento, construção, autorização e início de operação.
A Gás Verde trabalha para concluir as obras de Igarassu em dezembro de 2026. Depois dessa etapa, a unidade deverá avançar para o início das operações e para a entrega do combustível aos clientes contratados.
A nova planta terá capacidade projetada de aproximadamente 45,7 mil metros cúbicos diários. A produção inicial poderá ser ajustada conforme os testes, a disponibilidade de biogás e o aumento da demanda dos consumidores.
Com Stellantis e Mondelēz entre os compradores, a companhia já possui contratos para uma parcela expressiva do volume planejado. As primeiras entregas comerciais deverão marcar a entrada da nova fábrica no mercado de energia de Pernambuco.
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