Mobilização popular foi protagonista da vitória, diz Executiva Nacional do PT

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Fonte da notícia: PT PT

O povo brasileiro escreveu, no último domingo, mais uma página extraordinária de sua história. Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela quarta vez presidente da República, com 51,8% dos votos válidos.

Foram 64 milhões de brasileiras e brasileiros que escolheram o 13, na maior votação nominal já recebida por um candidato à Presidência. Pela primeira vez na história democrática do país, um candidato que chegou ao segundo turno em segundo lugar venceu as eleições.

O primeiro operário eleito presidente do Brasil tornou-se também o primeiro brasileiro a promover uma virada eleitoral do primeiro para o segundo turno! Foi uma vitória construída pelo povo, com coragem, esperança e uma extraordinária capacidade de mobilização.

Entre o primeiro e o segundo turno, conquistamos mais de 10 milhões de votos, crescemos em todas as unidades da federação e viramos o resultado em mais de 100 municípios, enquanto nosso adversário conseguiu fazê-lo em apenas um. O Brasil registrou ainda o menor índice de abstenção desde 2006.

Milhões de brasileiros e brasileiras decidiram que não ficariam à margem da história. A grande protagonista desta vitória foi a mobilização popular.

O Brasil viu florescer uma impressionante onda de participação política. A juventude ocupou as ruas, organizou grandes manifestações, reuniu multidões, mobilizou escolas e universidades e mostrou que uma nova geração está disposta a assumir seu lugar na construção do futuro do país.

Os estudantes, com sua irreverência, criatividade e capacidade de organização, estiveram na linha de frente dessa jornada. Das grandes manifestações às brigadas de diálogo nas periferias, aos fandoms, a juventude demonstrou que a política pode voltar a ser espaço de esperança, pertencimento e transformação.

Quando a democracia é ameaçada os artistas e intelectuais se posicionam porque não existe cidadania plena sem Cultura, nem democracia sem liberdade de expressão. As mulheres, a população LGBT e o povo negro também foram protagonistas desta vitória.

Nas ruas, nas redes, nas comunidades, nos locais de trabalho e nas famílias se mobilizaram em defesa da democracia, dos direitos e de um futuro de mais igualdade. Foram vozes decisivas na defesa da vida, no enfrentamento à misoginia, ao racismo, ao preconceito LGBT e na afirmação de que não há democracia verdadeira sem a participação, a liberdade e a igualdade. 

Nossa militância escreveu uma das mais belas páginas da história do Partido dos Trabalhadores. Em cada cidade, em cada bairro, nas periferias e no interior do país, milhares de companheiras e companheiros fizeram o que sempre souberam fazer: organizar o povo, conversar, escutar, convencer e transformar esperança em ação coletiva.

A militância que nunca desistiu, que enfrentou os momentos mais difíceis da nossa história, mostrou mais uma vez sua potência. A virada nasceu das ruas, do trabalho coletivo, da generosidade e da convicção de que o Brasil vale cada esforço.

Nas redes sociais, a mobilização também foi extraordinária. O “Exército do Lula”, liderado por André Janones, somou-se à força da militância, dos comunicadores populares e de milhões de apoiadores, contribuindo para transformar o debate digital e enfrentar a desinformação. 

Esta foi uma vitória que ultrapassou as fronteiras partidárias. Ao lado dos partidos aliados, dos movimentos populares, dos sindicatos, dos artistas, dos intelectuais e de amplos setores da sociedade civil, também setores liberais, conservadores e da direita democrática que reconheceram a gravidade da ameaça representada pela continuidade do bolsonarismo.

Apesar das diferenças políticas, compreenderam que a defesa da democracia deveria estar acima das disputas eleitorais.  Vencemos defendendo a soberania nacional, a democracia e um projeto de desenvolvimento comprometido com a vida do povo brasileiro.

Defendemos o SUS público, a educação em tempo integral, a universalização das creches, o enfrentamento à violência, a ampliação das políticas sociais, o fim da escala 6×1, a tarifa zero, e a utilização das riquezas nacionais para produzir desenvolvimento, empregos e oportunidades no Brasil.

Enfrentamos a mentira, o negacionismo, a violência política e as tentativas de interferência estrangeira no processo democrático brasileiro. Vamos articular o desenvolvimento nacional à distribuição de renda, à valorização dos salários, à ampliação dos direitos trabalhistas, à redução da jornada e ao enfrentamento das desigualdades de classe, étnico-raciais, de gênero e regionais, integrando a sustentabilidade ambiental e a valorização do trabalho no campo e na cidade.

Lula foi eleito para fazer mudanças. O novo mandato deve abrir um ciclo de transformações estruturais, com destaque para a reforma do Sistema de Justiça, a reforma do Sistema Político-Eleitoral e a regulação democrática das grandes plataformas digitais.

É preciso aprofundar a democracia, enfrentar desigualdades históricas e garantir que o desenvolvimento do Brasil se traduza em melhores condições de vida para sua população. Vamos construir uma estratégia nacional de soberania digital e tecnológica, com investimentos em ciência, inteligência artificial e tecnologias nacionais, proteção de dados e democratização do acesso digital.

É necessário enfrentar a dependência tecnológica e a concentração de poder das grandes plataformas, assegurando que essas transformações estejam a serviço da democracia, do desenvolvimento nacional e dos direitos da população sem fazer ajuste em cima dos mais pobres. O povo brasileiro nos confiou mais quatro anos para governar o país.

Nossa responsabilidade é fazer deste período um tempo de grandes realizações, ampliando conquistas, fortalecendo direitos e aprofundando o diálogo com a sociedade. Como afirmou o presidente Lula, este será um governo de muito diálogo.

Cabe ao PT ser uma ponte permanente entre o governo, os partidos políticos, os movimentos sociais e os diferentes setores da sociedade, mantendo viva a energia democrática que se expressou nas eleições. Vamos defender um governo com participação do povo nas decisões políticas, com orçamento participativo e mobilizado para garantir o programa que elegeu Lula Presidente!

A celebração desta conquista não diminui nossa responsabilidade diante dos desafios que permanecem. A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil apenas dois dias depois do resultado do segundo turno, em meio às denúncias e investigações de corrupção, revela a gravidade do momento político.

Flávio Bolsonaro, foragido nos EUA, escreveu uma carta se intitulando “o verdadeiro presidente”, sem reconhecer o resultado da eleição com base em falsas alegações sobre as eleições. Contesta o resultado de eleições legítimas, auditáveis e transparentes, que manifestaram a soberania popular para escolha de representantes para câmaras estaduais e federal, Senado, Governos e Presidência, e foram reconhecidas pelo TSE e por todos os partidos políticos, inclusive, pelo PL. 

Não é a primeira vez que a família Bolsonaro não reconhece o resultado das eleições. Em 2022, contestaram os resultados planejando uma tentativa de golpe de estado e assassinato do presidente e vice presidente eleitos.

Esta tentativa, desarmada pelas instituições democráticas, culminou na prisão de Jair Bolsonaro e dos militares envolvidos. Mas a tentativa, através da carta de Flávio, de conclamar a interferência externa, representa um novo degrau da reação autoritária por parte dos derrotados nas urnas. 

A posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante do resultado eleitoral e de sua presença em território norte-americano também exige atenção. O Brasil não aceitará que interesses estrangeiros interfiram em sua democracia, nem que disputas políticas sirvam de pretexto para desrespeitar a vontade soberana do povo brasileiro, em eleições amplamente fiscalizadas e reconhecidas por sua lisura. 

Também nos preocupam profundamente os episódios de violência política registrados durante os últimos dias da campanha e após a votação. No dia 24 de outubro, a vereadora Iara Pimentel, do PT de Montes Claros (MG), foi atingida por uma pedrada no rosto durante uma carreata.

Há denúncias de homicídios, tentativas de homicídio, agressões, ameaças e intimidações, além de graves relatos de assédio eleitoral nos ambientes de trabalho, com ameaças de demissão, perseguições e constrangimentos contra trabalhadores e trabalhadoras que votaram em Lula. É inadmissível que o exercício livre do voto, um dos direitos mais fundamentais da democracia, seja ameaçado por qualquer forma de violência ou coerção.

O Ministério Público do Trabalho deve estar especialmente atento às denúncias de assédio eleitoral, atuando com rigor na investigação e responsabilização dos envolvidos.  Orientamos também que os diretórios municipais e estaduais comuniquem todas as ocorrências de violência política e assédio eleitoral ao Diretório Nacional, por meio do formulário disponibilizado em pt.org.br, para o acompanhamento dos casos, o encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes e a adoção das providências cabíveis.

A vitória eleitoral não encerra a tarefa de defender a democracia. Transformar a vitória eleitoral em organização popular permanente, fortalecendo os núcleos de base e os diretórios do PT, no campo e na cidade.

Para isso, é necessário ampliar a formação política, promover plenárias territoriais, fortalecer os movimentos populares, sociais e sindicais e criar espaços permanentes de escuta e participação. O partido deve incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nos territórios, transformando o apoio eleitoral em força social organizada. 

É fundamental preservar a participação social, fortalecer a organização popular e manter abertos os caminhos de diálogo e mobilização que tornaram possível esta conquista. Vamos também fortalecer o diálogo do PT com as diferentes tradições religiosas, respeitando a liberdade de consciência e a laicidade do Estado.

Construir convergências em torno da democracia, da justiça social, da solidariedade e da dignidade humana, enfrentando a intolerância religiosa e a instrumentalização da fé contra os direitos e a democracia. Orientamos os diretórios, os movimentos sociais e as centrais sindicais a seguirem organizados, contribuindo para a defesa das instituições democráticas e para o acompanhamento da implementação do projeto aprovado nas urnas. 

A população negra brasileira teve papel decisivo na vitória de Lula e na mobilização popular em defesa da democracia, da soberania nacional e de um país com menos desigualdades. Nas periferias, nos movimentos sociais, nas redes e nas ruas, negras e negros estiveram na linha de frente da campanha, enfrentando o racismo, a desinformação e as desigualdades que historicamente limitam sua participação política.

Esse protagonismo deve se traduzir em mais políticas de igualdade racial, maior representação política negra e combate ao racismo estrutural e institucional. O PT deve convocar sua militância, os setoriais, as secretarias de combate ao racismo, os mandatos parlamentares e o movimento negro para uma ampla mobilização no Novembro Negro, com o 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, como marco de luta, reflexão e organização.

É fundamental ocupar ruas e redes com atos, plenárias, formação e debates nos territórios, reafirmando que não há democracia plena sem justiça racial, reparação histórica e igualdade de oportunidades.  A juventude que tomou as ruas deve ter um lugar central neste novo momento.

O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política. Orientamos a realização de uma ampla campanha de filiação de jovens ao Partido dos Trabalhadores, articulada a espaços de escuta, formação, participação e acolhimento dessa geração que demonstrou tanta disposição para construir o futuro do Brasil.

Cabe ao PT assumir sua responsabilidade histórica na continuidade e no aprofundamento do projeto democrático e popular, formando novas lideranças, renovando suas práticas e fortalecendo sua organização para os desafios do período pós-Lula. No dia 5 de janeiro de 2027, o Presidente Lula tomará pela quarta vez posse como Presidente da República, para seu último mandato na função.

Será um dia histórico, marcando essa trajetória de lutas e transformações do Brasil. Por isso, para celebrar esse dia, convidamos os diretórios estaduais, parlamentares, sindicatos, movimentos sociais a organizarem caravanas para a militância estar presente e festejar a posse em Brasília. 

Convocamos para o dia 13 de novembro de 2026 uma reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, destinada ao balanço das eleições e à análise da conjuntura política. A partir desse debate, será elaborado um documento com a síntese política aprofundada do partido sobre a vitória histórica alcançada e as orientações para o próximo ciclo.

Celebramos esta conquista com alegria, gratidão e consciência histórica. O Brasil demonstrou que a democracia tem raízes profundas, que a esperança pode vencer o medo e que a luta social é capaz de transformar os rumos de uma nação.

Das mãos dos trabalhadores  à ousadia dos estudantes, da coragem das mulheres à perseverança de nossa militância, milhões de brasileiros e brasileiras fizeram desta vitória uma construção coletiva. O Brasil escreveu uma página extraordinária de sua história.

Agora, é tempo de transformar a força dessa vitória em um novo ciclo de democracia, direitos, soberania e justiça social.

Publicação Original PT pt.org.br
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