Governo Lula minimiza falta de reconhecimento dos EUA das eleições e aposta em pragmatismo com Trump

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Fonte da notícia: Valor Valor

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a falta de reconhecimento dos Estados Unidos do resultado da eleição de domingo (25) não altera a legitimidade do pleito, já que outros líderes mundiais já parabenizaram o petista. Segundo aliados, a expectativa é que a relação com Donald Trump siga de maneira semelhante ao modo que foi adotado durante o tarifaço: pragmática e na tentativa de manter o comércio bilateral.

Uma ala do Palácio do Planalto avalia que a fuga do adversário derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), para os Estados Unidos aproxima o atual cenário da crise diplomática de julho do ano passado, quando Trump anunciou o tarifaço sob a alegação de que Jair Bolsonaro, ex-presidente e pai de Flávio, era alvo de perseguição política no Brasil.

Na ocasião, governadores, autoridades e entidades empresariais criticaram a decisão americana. No cenário pós-segundo turno, a avaliação é que, mais uma vez, um integrante da família Bolsonaro se coloca como elemento de tensão na relação entre Brasil e Estados Unidos.

Apesar disso, o governo brasileiro considera que o respaldo de diversos chefes de governo à reeleição de Lula, somado às manifestações de partidos políticos, dispensa a necessidade de um pronunciamento da Casa Branca para validar a legitimidade do resultado eleitoral. Segundo um interlocutor, os cumprimentos são "voluntários".

Mesmo nessa posição, a leitura é que a relação entre Brasil e Estados Unidos se manterá de maneira prática e com foco nos interesses em comum. Um dos pontos essenciais é preservar a parceria comercial entre os países.

Além disso, são apontadas as cooperações que Lula sugeriu a Trump no âmbito do combate ao crime organizado na região. Até o momento, não houve pedido de telefonema de Trump a Lula.

Porém, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, irá nesta quinta-feira (29) para Atlanta, na Geórgia, para participar da reunião de chanceleres do G20 nos dias 30 e 31. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estará nas agendas, e não é descartada uma conversa entre os dois.

O governo Lula também considera as eleições legislativas americanas, marcadas para a próxima terça-feira (3), como um divisor de água para a relação entre os dois países. A previsão é que o presidente americano perca a maioria no Congresso.

A partir disso, o Brasil acha que pode haver uma reformulação do discurso de Trump. Nesse imbróglio, uma ala do Palácio do Planalto defende que Lula não se manifeste sobre a posição de Trump, nem que o governo, de forma institucional, rebata as alegações do republicano, que disse que a eleição de domingo pareceu "fraudulenta".

Essa parte do governo defende ainda que o governo não analise, no curto prazo, o aval ao indicado para ser o embaixador americano no Brasil, Daniel Perez. O argumento é que é melhor manter a cautela e esperar que as tensões entre os dois países diminuam.

Mesmo assim, aliados dizem não haver um impedimento para conceder o “agrément” no momento, mas é preciso observar se o candidato mantém uma postura condizente ao cargo a que foi nomeado. Em outra frente, o governo brasileiro também vê uma ajuda da Argentina na operação de fuga de Flávio do Brasil.

Interlocutores acreditam que é possível o Brasil pedir explicação ao país sobre o que foi feito para ajudar o senador, que deixou o país após ter sido derrotado por Lula. De olho nisso, a gestão petista descarta, no curto prazo, a volta de embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, ao país de Javier Millei.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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