Identificar alterações importantes no organismo antes que elas provoquem danos irreversíveis é o objetivo de um projeto liderado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos. Batizado de PYTHIA - plataforma preditiva para intervenção fisiológica e terapêutica em saúde e gestão adaptativa -, ele terá como meta o desenvolvimento de um adesivo não invasivo e vestível que monitore continuamente biomarcadores de doenças cardíacas e sepse (resposta desregulada e exagerada do organismo a uma infecção).
A iniciativa de quatro anos conta com financiamento de até US$ 38 milhões (aproximadamente R$ 208 milhões) da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Saúde dos EUA (ARPA-H). De acordo com o plano, o adesivo captará informações de saúde de nível clínico em tempo real e será alimentado pelo calor do corpo do paciente.
Esse dispositivo poderá fornecer informações essenciais para ajudar os médicos a diagnosticar insuficiência cardíaca e sepse precocemente. Além disso, os pesquisadores acreditam que ele poderá monitorar o progresso da recuperação de um paciente após a alta hospitalar e auxiliar os médicos no desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais eficazes.
Em comunicado, o MIT explica que o adesivo monitorará biomarcadores de insuficiência cardíaca e sepse no fluido intersticial, que é o fluido sob a pele. Para medí-los em detalhes, o sistema executará uma reação química que liga certas substâncias químicas às moléculas dos biomarcadores no fluido intersticial, facilitando sua identificação.
“A microeletrônica avançada do adesivo realizará as medições, capturando dados dos biomarcadores com sensibilidade suficiente para aplicações clínicas”, apontou a instituição. “Como o dispositivo realizará medições continuamente, acumulando uma enorme quantidade de dados, o PYTHIA incorporará modelos de IA integrados para traduzir os dados brutos em informações úteis para os médicos.”
A equipe envolvida começará a desenvolver e testar componentes eletrônicos para o minúsculo chip de baixo consumo de energia. Em seguida, planeja avançar com o dispositivo vestível por meio de ensaios pré-clínicos e clínicos, até o ponto em que ele possa ser produzido em escala comercial.
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