O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes alertou para o avanço dos gastos públicos fora do orçamento e os riscos que o desequilíbrio fiscal representa para o pagamento de aposentadorias no futuro. Em vídeos publicados nas redes sociais, Nardes afirmou que o país enfrenta dificuldades para sustentar as despesas previdenciárias e criticou o modelo de distribuição de benefícios sociais sem medidas que estimulem a autonomia financeira dos beneficiários.
Segundo o ministro, a chamada desorçamentação, prática de realizar despesas fora do orçamento público, agrava o cenário fiscal brasileiro. Augusto citou um montante de R$ 326 bilhões e afirmou que o volume de recursos envolvidos compromete a economia nacional e prejudica a capacidade do país de atrair investidores estrangeiros.
“A situação se torna cada vez mais grave porque foi feita uma desorçamentação. Ou seja, gastar por fora.
Atualmente, já estamos em R$ 326 bilhões. Portanto, está colapsando a economia nacional, está praticamente inviabilizando o país a nível internacional de buscar investidores”, declarou.
O ministro também demonstrou preocupação com a capacidade de financiamento da Previdência Social diante do número de trabalhadores que contribuem para o sistema. Na avaliação dele, a manutenção das regras atuais pode comprometer o pagamento das aposentadorias nas próximas décadas.
“Então, que você que vai um dia querer se aposentar pela Previdência ficar sabendo que, como está, não haverá aposentadoria porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e quem dirá futuramente”, afirmou. Ao abordar os programas de assistência social, Nardes defendeu que o poder público combine o auxílio às famílias em situação de vulnerabilidade com iniciativas voltadas à qualificação profissional e à geração de renda.
Para ele, a concessão de benefícios precisa estar acompanhada de medidas que permitam aos cidadãos conquistar independência financeira. “Os aposentados dificilmente irão receber salários futuramente, porque não tem mais gente trabalhando de forma adequada para pagar os aposentados, porque todo mundo recebe um tipo de auxílio, uma bolsa, isso é ou aquilo.
Então, nós, em vez de ensinar a pescar, nós estamos dando peixe para todo mundo”, disse. O ministro ponderou, porém, que não é contrário à assistência social e reconheceu a importância dos programas destinados a garantir condições básicas de sobrevivência à população mais pobre.
“Eu sou favorável que as pessoas recebam, que tenham um auxílio. As pessoas não podem passar fome, mas tem que orientar, tem que ensinar a pescar e não somente dar o peixe”, concluiu.
Um post compartilhado por João Augusto Ribeiro Nardes (@augustonardes) Um post compartilhado por João Augusto Ribeiro Nardes (@augustonardes)
Diario do poder