Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28) A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos provou poucas manifestações entre as principais lideranças do PL em Santa Catarina.
Procurados pelo ND Mais nesta quarta-feira (28), deputados, senadores e outras lideranças do partido, incluindo o governador Jorginho Mello, permaneceram em silêncio e não apresentaram posicionamentos sobre o assunto até a publicação desta matéria. Entre os representantes que se manifestaram estão o deputado estadual Sargento Lima, o deputado estadual eleito Bruno Souza, deputado estadual Jessé Lopes e o deputado estadual Maurício Peixer.
O deputado federal Daniel Freitas, a deputada federal e senadora eleita Carol De Toni, o senador eleito Carlos Bolsonaro e o senador Jorge Seif também publicaram manifestações nas redes sociais. O senador eleito por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, disse que não faria pronunciamento à imprensa.
No entanto, publicou um vídeo em seu Instagram revelando que visitou o pai Jair Bolsonaro na terça-feira (27), sem citar diretamente a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA. “Eu falei: ‘desculpa, a gente falhou’.
Ele: ‘negativo, levanta a cabeça, vambora, tem muita coisa pra fazer pelo Brasil ainda’. Meu pai é um preso político, só está em casa agora porque tem quase uma dezena de comorbidades, senão ele estaria agora na Papudinha, mesmo tendo 71 anos de idade”, afirmou.
Um post compartilhado por Carlos Bolsonaro (@carlosbolsonaro) Seif também se manifestou pela internet dizendo que Flávio e a família chegaram em segurança aos EUA, aproveitando a ocasião para criticar a esquerda.
“Enquanto a esquerda persegue, prende e cassa opositores, os EUA abriram as portas para quem defende a liberdade. Obrigado @secrubio [Marco Rubio] e ao Presidente @realdonaldtrump [Donald Trump] por acolher um perseguido político brasileiro!”, escreveu. Um post compartilhado por Jorge Seif Junior (@jorgeseifjunior)
Ana Campagnolo não comentou diretamente sobre a saída de Flávio do Brasil, mas publicou um longo vídeo onde comenta sobre “o futuro da direita no país”. Na avaliação da deputada, a direita precisa compreender a desigualdade de forças políticas e institucionais e construir estratégias de longo prazo para ampliar sua influência.
Como exemplo, a deputada citou sua trajetória em Santa Catarina, onde afirmou ter ampliado sua votação de 34.825 votos, em 2018, para 387.523 na eleição mais recente. Segundo ela, o crescimento foi resultado da construção de uma rede presencial de apoiadores, com presença em prefeituras, associações, conselhos e outras instituições, e não apenas de sua atuação nas redes sociais.
Um post compartilhado por Ana Caroline Campagnolo (@anacampagnolo) Júlia Zanatta, por sua vez, foi breve em seu perfil pessoal, publicou apenas um vídeo de Flávio desembarcando nos EUA com a legenda: “Flávio Bolsonaro e sua família chegam em segurança aos Estados Unidos”.
Em publicação nas redes sociais, Daniel Freitas saiu em defesa de Flávio Bolsonaro. “Flávio não é um fugitivo, é um exilado”, escreveu o deputado federal, em referência à saída do senador do Brasil.
— Daniel Freitas (@DFDanielFreitas) October 27, 2026 Carol De Toni também se pronunciou nas redes sociais.
A parlamentar afirmou que Flávio está sendo alvo de perseguição política e mencionou os 59,8 milhões de votos válidos recebidos pelo senador na eleição presidencial. Ela relacionou a situação dele à de outros integrantes da família Bolsonaro.
“Jair Messias Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, sob mandado de prisão no Brasil.
E agora Flávio, que conseguiu deixar o país, mas que, se voltar, poderá ser preso”, escreveu. Um post compartilhado por Carol De Toni (@carolinedetoni)
Em nota, Bruno Souza destacou que a Polícia Federal protocolou o pedido de apreensão do passaporte de Flávio às 21h16 de domingo (26), sete minutos após o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar matematicamente a reeleição de Lula (PT). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, atendeu à solicitação na mesma noite.
Para o deputado eleito, a proximidade entre os acontecimentos indicaria motivação política na decisão. “Isso revela o caráter político da medida.
Se Flávio tivesse vencido, é razoável supor que não haveria apreensão de passaporte naquela noite. O ministro sabia que uma decisão arbitrária contra o presidente eleito traria consequências.
Como Flávio perdeu, Moraes tirou as asas e mostrou, mais uma vez, o autoritarismo com que trata a oposição”, afirmou. Souza também defendeu a decisão de Flávio de deixar o Brasil.
A informação de que o senador havia viajado aos Estados Unidos foi confirmada por familiares a Carol De Toni nesta terça-feira (27), segundo a publicação da parlamentar nas redes sociais. “Em vez de permanecer refém de um sistema que já não funciona como democracia de verdade há tempos, optou por seguir para o exterior e liderar a oposição de lá.
Diante de uma justiça seletiva e de uma ordem de apreensão de passaporte tomada no calor do resultado eleitoral, a saída era a decisão racional”, declarou Souza. O deputado eleito também criticou o que considera um tratamento desigual entre Flávio Bolsonaro e outros personagens citados em investigações.
Em suas declarações, fez referências ao ministro Alexandre de Moraes, ao empresário Daniel Vorcaro e a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As acusações e interpretações apresentadas pelo parlamentar representam a avaliação dele sobre o cenário político e judicial.
O deputado estadual Sargento Lima também questionou o momento da decisão e a justificativa para a apreensão do passaporte. Durante entrevista ao ND Mais, ele citou a expressão jurídica periculum in mora, que significa perigo na demora, e argumentou que uma medida urgente precisa estar fundamentada em um risco que justifique sua adoção imediata.
“Quando se cumpre uma busca e apreensão, um pedido de apreensão de um passaporte, tem que ser justificado qual é o perigo que o atraso dessa medida ofereceria. No caso ali, levou sete minutos apenas após o resultado das eleições.
Qual é o risco, qual é o perigo que não foi considerado antes do resultado das eleições?”, questionou. Assim como Bruno Souza, Lima levantou a hipótese de que a decisão poderia ter sido diferente caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido a disputa presidencial.
“Questiona-se se, caso ele fosse eleito presidente da República, seria cumprida essa medida. Existiria a necessidade de um perigo real e iminente para ele permanecer de posse do passaporte?”, declarou.
Na avaliação do deputado, o momento da decisão levanta dúvidas sobre uma possível motivação política. “A única coisa que pode levar a crer nisso é que tem, sim, um cunho político, caso contrário, ele não seria executado logo após o resultado das eleições”, afirmou.
Apesar das críticas à medida, Lima disse que buscava informações na imprensa e em outras fontes para compreender os motivos da viagem de Flávio aos Estados Unidos. Ele lembrou que Jair Bolsonaro também viajou para o país após as eleições anteriores e posteriormente retornou ao Brasil.
Para o parlamentar, uma viagem ao exterior não comprova, por si só, uma tentativa de escapar de eventuais sanções. Lima afirmou que, até onde tinha conhecimento, não havia informações que demonstrassem que a viagem de Flávio tivesse sido planejada com essa finalidade.
O deputado estadual Maurício Peixer seguiu o pensamento dos colegas de partido e destacou que o passaporte de Flávio virou alvo da PF muito rapidamente. No entanto, evitou opinar sobre a saída do senador do Brasil.
“Ele sabe que seria preso e ele saiu, foi se refugiar nos Estados Unidos. É uma decisão dele, que não tem o que a gente discutir.
A decisão é dele. Eu não tenho opinião sobre isso”, apontou.
O deputado ainda criticou a decisão do TSE em estender o horário de votação por mais duas horas, mas se disse conformado com o resultado e afirmou que agora o foco é Santa Catarina. “Não foi como a gente queria, como eu gostaria que fosse.
A gente tem que aceitar o resultado da forma como foi, entendendo que não seria de acordo com aquilo que a gente queria. Teve problemas, a gente sabe como foi.
E agora é trabalhar Santa Catarina, tocar para frente com o nosso governador Jorginho Mello, para que as coisas andem bem em Santa Catarina”. O deputado estadual Jessé Lopes avaliou que a Justiça precisa funcionar de maneira constitucional e imparcial, “pois democracia não deveria ser a ditadura de quem tem a caneta nas mãos”.
“No lugar do Flávio, eu faria a mesma coisa que ele, pois hoje vivemos um momento de anomalia institucional sem precedentes. Polícia Federal, chancelada pela Justiça, levando poucos minutos, após pleito eleitoral controverso, para perseguir o principal opositor político é algo que não vimos nem mesmo na republiqueta bolivariana da Venezuela”, disse.
O Portal ND Mais entrou em contato com todos representantes do PL. Os que negaram se manifestar à reportagem do ND Mais foram o governador Jorginho Mello, presidente do PL em Santa Catarina; o deputado estadual Camilo Martins; deputado estadual Leandro Sorgatto; deputada estadual Ana Campagnolo; deputado estadual eleito Edilson Massocco; deputada federal Júlia Zanatta e seu marido, deputado estadual eleito Guilherme Colombo.
Os que foram procurados, mas não atenderam até a publicação foram o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan Bolsonaro e o deputado estadual eleito Ulisses Gabriel. O espaço segue aberto para novos posicionamentos. Gabrielle Tavares atua como repórter do portal ND Mais, onde escreve sobre os assuntos que dominam o noticiário de Santa Catarina, cobrindo segurança pública, cotidiano, política, economia, saúde e mais.
Além de produzir textos, é repórter multimídia e participa de conteúdos em vídeo publicados nas redes sociais. Jornalista desde 2020, é formada pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e tem experiência em portais de notícias, TV e redações multimídia.
Cursa pós-graduação em Direito Penal e Criminologia na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e venceu o Prêmio Mário Petrelli de Jornalismo 2025 e o Prêmio Sistema Famasul de Jornalismo 2019. Atuou na cobertura eleitoral de 2022, reportando diretamente de colégios eleitorais e entrevistando eleitores e candidatos.
Leia mais ▾
ND Mais