Flávio não driblou autoridades ao fugir. Driblou seus eleitores

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Flávio Bolsonaro e familiares chegam aos EUA Reprodução/6 South Florida Flávio Bolsonaro (PL) chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) deixando para trás dois inquéritos abertos sobre lavagem de dinheiro, uma base de parlamentares dividida e quase 60 milhões de eleitores desenganados.Primeiro eles acreditavam que ele de fato não tinha qualquer envolvimento com Daniel Vorcaro, Willer Tomaz e outros bilionários com quem se encontrava com frequência.Acreditaram também que ele era o homem certo para liderar a nação.

E que essa liderança envolvia coragem.Acreditaram também que ele tinha algum plano para os desafios (reais) da nação.E que, uma vez derrotado, se comportaria como adulto e organizaria a oposição ao governo Lula (PT).Não era pouca coisa, já que de saída ele teria a maior bancada da Câmara e do Senado para dominar a agenda de votações no Congresso.Flávio é um político jovem, de 45 anos, e que poderia disputar quantas eleições quisesse com o recall de votos de 2026.

Bastaria ficar, defender a inocência nos dois processos, provar a inocência (parece detalhe, mas não é) e usar o capital político para servir como barreira a projetos do governo que seus eleitores consideram inadequados ao país.Ele preferiu fugir para não correr qualquer risco de ser preso com ajuda dos extremistas eleitos na Argentina e nos Estados Unidos.Segue uma trilha aberta por outros bolsonaristas que aprovaram e correram para não lidar com a lei: Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Silvinei Vasques e seu irmão, Eduardo.Ao seguir a mesma rota, mesmo passando a campanha dizendo que era tão diferente, Flávio não driblou apenas as autoridades brasileiras e o próprio governo – que não sabe se comemora ou se preocupa com a presença de um conspirador no ouvido de Donald Trump. Flávio enganou seus eleitores e seus aliados, que agora andam atordoados sem uma ordem e uma explicação claras de ação.Uns foram às redes defender o indefensável e dizer que a deserção é antes resultado de um sistema persecutório do que da covardia do ex-futuro-presidente.

Outros querem o fígado do Zero Um, que virou memes e figurinhas de WhatsApp que ridicularizam toda a direita brasileira. Muitos se lembram do que fez Fernando Haddad (PT) quando foi derrotado para Jair Bolsonaro em 2018. Ao ser questionado sobre o futuro, respondeu: “volto a dar aulas amanhã”.Lula, quando acusado de ter um plano para fugir do Brasil, entregou os passaportes e ficou no país para se defender do que chamou de perseguição com objetivos políticos.

Foi condenado, preso, e libertado.O juiz e o procurador hoje estão na política, fazem campanha para seu adversário e se gabam de tê-lo prendido em camisetas usadas como bullying em debate na TV.O mundo não dá volta, capota.E aquele menino que ia mudar o mundo e uma hora dessas estaria escolhendo o/a futuro/a ministro/a da Fazenda deixou um país inteiro diante da TV para assistir a um filme sobre um acusado em fuga.Ele,, que intermediou uma bolada para financiar um filme sobre o pai, decidiu protagonizar o próprio longa-metragem.Há quem diga que não é proteção que ele busca nos Estados Unidos.É a grana que ajudou a arrancar de Daniel Vorcaro naquela ligação antes mesmo de ser confirmado candidato a presidente.

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