O mercado interno deve se manter como protagonista para o setor de milho no Brasil em 2027. A avaliação é do banco holandês Rabobank, que atualizou, nesta quarta-feira (4/11), suas projeções para o agronegócio brasileiro para 2027, em uma coletiva de imprensa, em São Paulo.
O aumento na demanda virá do setor de combustíveis, para a produção de etanol, e da cadeia produtiva de carnes, com o grão para a alimentação dos plantéis de criação. O consumo interno deve crescer 7,1%, passando de 98 milhões para 105 milhões de toneladas.
Só as usinas que produzem o biocombustível a partir do cereal devem demandar 32 milhões de toneladas em 2027. Neste ano, foram 27 milhões.
As exportações também devem aumentar, projeta o banco holandês. O volume de embarques deve passar de 36 milhões para 38 milhões de toneladas (+5%).
“Essa nova dinâmica do mercado interno está mudando a precificação do milho, com exportadores olhando mais para o longo prazo. O diferencial de base está encolhendo e exportadores tender a sofrer mais para originar o cereal”, disse a analista de mercado Marcela Marini.
O Rabobank projeta um aumento de 1,8% na área plantada com milho no Brasil, de 22,3 milhões para 22,7 milhões de toneladas. A produção total deve subir 0,7%, de 140 milhões para 141 milhões de toneladas (32 milhões de toneladas no verão e 109 milhões na segunda safra).
Marcela explicou que o ritmo acelerado do plantio de soja deve favorecer a semeadura do cereal, ainda que em um ritmo menor que o de anos anteriores, em função dos custos elevados e das atuais condições financeiras do produtor. “Não vai ter muita margem para investimento.
Mas a área de milho deve aumentar. Estamos vendo a importância do milho na composição da receita do produtor e ele tende a maximizar o uso do seu principal ativo, que é a terra”, disse.
O crescimento da demanda, no entanto, deve compensar essa alta na colheita e limitar pressões sobre os preços do milho. A expectativa de um quadro mais apertado de oferta e demanda global e de redução de estoques na safra 2026/27 deve dar um suporte adicional às cotações.
“O ano de 2027 deverá combinar demanda interna estruturalmente mais forte, estoques mais ajustados e maior dependência do desempenho da segunda safra, oferecendo algum suporte aos preços, mas mantendo elevada a exposição a riscos climáticos e macro econômicos”, resume o banco, no relatório divulgado nesta quarta-feira.
Globo Rural