María Corina Machado aposta no diálogo com Delcy Rodríguez após regresso do exílio

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Fonte da notícia: Euro News Euro News

María Corina Machado mostra-se disposta a dialogar com Delcy Rodríguez após regressar à Venezuela. A líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou esta segunda-feira que está disponível para se reunir com a presidente interina do país após o seu inesperado regresso do exílio.

Machado aterrou no domingo em Caracas depois de quase um ano no exílio, onde foi recebida por uma multidão de apoiantes, num desafio direto ao governo apoiado pelos Estados Unidos. Milhares de pessoas juntaram-se em estradas, portagens e ruas da capital, empunhando bandeiras venezuelanas e gritando “Liberdade!”, enquanto Machado entrava sorridente em Caracas, acompanhada por uma caravana de carros e motociclos.

Com a sua habitual camisola branca e umas calças de ganga, inclinou-se pelo teto de abrir de um veículo para saudar a multidão e apertar a mão aos seus apoiantes. Esta segunda-feira, Machado estendeu também a mão à possibilidade de dialogar com a presidente interina, Delcy Rodríguez, que foi vice-presidente do seu principal adversário político, Nicolás Maduro, antes de ser capturado pelos Estados Unidos.

Machado “manifestou a sua disponibilidade para se sentar, não só com Delcy Rodríguez, mas com quem for necessário, perante o país, com total transparência e uma agenda definida”, declarou a sua porta-voz, Claudia Macero, à rádio local Unión Radio. A União Europeia saudou o seu regresso: “Confiamos em que as autoridades venezuelanas e todos os atores políticos aproveitem esta oportunidade para avançar para um diálogo inclusivo, liderado pelos próprios venezuelanos, que conduza a eleições livres e justas”, afirmou o porta-voz dos Negócios Estrangeiros da UE, Anouar El Anouni.

O regresso de Machado volta a colocar a figura mais influente da oposição venezuelana no centro da política turbulenta do país. “Maria, se tu voltas, a minha filha também tem de voltar!”, gritou-lhe uma apoiante no domingo, numa referência a uma das milhões de venezuelanos que abandonaram o país para fugir à repressão e a uma economia estagnada.

Machado saiu clandestinamente da Venezuela em dezembro passado para receber o Prémio Nobel da Paz, depois de passar quase um ano escondida. Desde então, a dirigente, de 59 anos, tinha tentado regressar ao país pelo menos sete vezes, sem êxito, segundo fontes do seu partido.

Agora regressa a uma Venezuela muito diferente. Há nove meses, Maduro foi capturado numa extraordinária operação militar norte-americana e preso nos Estados Unidos.

Porém, para desilusão da oposição democrática, a sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina com o apoio de Washington. Desde então, Machado viu-se obrigada a acompanhar, a partir do seu exílio no Panamá, as conversações sobre a transição política, apoiadas pelos Estados Unidos, nas quais não participava.

O governo interino prometeu realizar eleições, embora ainda não tenha fixado uma data. Machado elogiou repetidamente o presidente norte-americano, Donald Trump, por ordenar a arriscada operação militar e chegou mesmo a oferecer-lhe a medalha do seu Prémio Nobel.

Trump, por seu lado, tem reiterado a sua satisfação com Rodríguez, que está a cumprir exigências-chave de Washington, especialmente no que diz respeito ao acesso ao petróleo venezuelano. No domingo, Trump garantiu que desconhecia o regresso de Machado, embora tenha acrescentado: “Acho que é uma mulher muito simpática.

Ofereceu-me o seu Prémio Nobel, por isso, que mais posso dizer?”. “As coisas estão a correr-nos muito bem na Venezuela”, afirmou.

Na semana passada, milhares de pessoas manifestaram-se em Caracas e noutras cidades para exigir o regresso de Machado e a realização de eleições. Vários dirigentes do seu partido, Vente Venezuela, regressaram também recentemente do exílio, para onde foram forçados pela repressão na sequência das eleições, que fez 28 mortos e mais de 2 400 detidos, entre eles dezenas de colaboradores de Machado.

O partido reclama a realização de eleições em 2027 e que Machado possa concorrer como candidata, algo que não lhe foi permitido nas últimas presidenciais. A Venezuela possui as maiores reservas provadas de petróleo do mundo.

No entanto, a produção atual, de um milhão de barris diários, está muito abaixo dos três milhões registados há décadas, devido a anos de corrupção e má gestão. Rodríguez concedeu a Washington acesso a uma parte importante das reservas de crude do país e assinou acordos com empresas estrangeiras para explorar, produzir e exportar petróleo e gás.

Publicação Original Euro News pt.euronews.com
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