Amina Helmi tinha 11 anos quando visitou pela primeira vez o planetário de Buenos Aires e ficou fascinada com as imagens do universo. O que começou como uma curiosidade infantil transformou-se em uma carreira científica que a levaria a investigar alguns dos acontecimentos mais antigos de nossa galáxia, informou a BBC News Mundo.
Décadas depois, seu trabalho a transformou em uma das protagonistas da astronomia internacional. 'É surreal': astronautas da Artemis II relatam experiência de observar o lado oculto da Lua
Não é só fome: orangotangos preferem alimentos associados a sons de risadas, aponta estudo Nascida em Bahía Blanca, na Argentina, Helmi recebeu em 2026 o Prêmio Kavli de Astrofísica, um reconhecimento considerado um dos mais prestigiados desta disciplina e conhecido popularmente como o "Nobel de Astrofísica".
De acordo com informações divulgadas pela Universidade de Groningen, a cientista divide o prêmio com Vasily Belokurov, da Universidade de Cambridge, e Rodrigo Ibata, da Universidade de Estrasburgo, por suas pesquisas sobre os vestígios de antigas fusões galácticas. Quem é Amina Helmi e como ela chegou à astronomia?
O Prêmio Kavli, em seu portal na web, falou sobre Helmi, mencionando que ela estudou Astronomia na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina. Em 1996, mudou-se para os Países Baixos para realizar um doutorado na Universidade de Leiden, onde começou a investigar como as galáxias se formam e evoluem.
Posteriormente, integrou o Instituto Astronômico Kapteyn da Universidade de Groningen, onde se tornou professora em 2012. Seu interesse pelo universo consolidou-se durante a adolescência, quando leu "Contato", o romance de ficção científica do astrônomo Carl Sagan, cuja protagonista é uma cientista dedicada a investigar sinais procedentes do espaço, segundo o portal citado anteriormente.
A história reforçou seu interesse pela astronomia e pela possibilidade de compreender fenômenos distantes por meio da matemática. A descoberta que mudou a compreensão da Via Láctea
Uma das primeiras contribuições importantes de Helmi ocorreu durante seu doutorado, quando identificou grupos de estrelas que se moviam de maneira diferente da maioria daquelas que formam o disco da Via Láctea. Essas estruturas, conhecidas como as "correntes de Helmi", foram interpretadas como restos de uma galáxia menor que havia sido absorvida pela nossa há bilhões de anos, indicou o Prêmio Kavli.
Por que suas pesquisas são importantes para estudar a matéria escura? Os estudos desta cientista também contribuem para investigar uma das grandes incógnitas da física: a matéria escura.
— A energia escura definitivamente não sabemos o que é. O que sabemos é que o universo está se expandindo e cada vez mais rápido.
E essa força a gente descreve como a energia escura. É muito estranha e há muitos experimentos tentando determinar o que é — indicou a argentina à BBC News Mundo.
Ao analisar como os astros se movem e como se distribuem dentro da Via Láctea, os cientistas podem obter pistas sobre a massa que não é observada diretamente: — Uma forma de estudar a matéria escura é com base nos movimentos das estrelas — disse Helmi.
Da mesma forma, ela destacou que compreender a matéria escura é uma das questões que espera continuar investigando com os dados astronômicos disponíveis.
O Globo