Desesperado, Netanyahu evoca “segundo Holocausto” e pressiona por ataque ao Irã

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, associou sua permanência no poder à prevenção de um “segundo Holocausto” e publicou uma imagem gerada por inteligência artificial que representa Tel Aviv sob um ataque nuclear. A mensagem, divulgada no domingo (25), dois dias antes da eleição, foi criticada pelo editor fundador do jornal The Times of Israel, David Horovitz, em artigo de opinião que também reúne relatos sobre pressões do premiê por uma ação militar relacionada ao Irã.

No texto, publicado na segunda-feira (26), Horovitz acusa Netanyahu de explorar o medo de uma ameaça à sobrevivência de Israel para conquistar outro mandato. Segundo o jornalista, o argumento apresentado pelo primeiro-ministro é que sua continuidade no governo garantiria uma aliança com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para derrubar o governo iraniano.

A publicação ocorreu em meio a uma controvérsia sobre possíveis iniciativas militares antes da votação. De acordo com uma reportagem do Canal 12, citada pelo Times of Israel, Netanyahu pressionou o chefe do Estado-Maior das forças armadas israelenses, Eyal Zamir, a executar uma operação relacionada ao Irã.

A natureza da ação não foi detalhada. Segundo o relato apresentado pelo repórter Yaron Avraham no domingo à noite, Zamir resistiu à orientação e exigiu consultas adicionais, além de uma autorização formal, assinada e juridicamente respaldada pelo primeiro-ministro.

A preocupação atribuída ao comando militar era que a iniciativa provocasse um erro de cálculo e desencadeasse uma reação iraniana. Netanyahu classificou a reportagem como “absurdo”.

Na manhã de segunda-feira, o ministro da Defesa, Israel Katz, também negou que o governo pretendesse iniciar um ataque antes das eleições. “Afirmo inequivocamente que Israel não tinha intenção de iniciar um ataque contra o Irã antes das eleições em Israel, ao mesmo tempo que deixamos claro que, se o Irã atacar Israel, responderemos com grande força”, declarou Katz.

Horovitz argumenta que a negativa do ministro não responde integralmente ao conteúdo divulgado pelo Canal 12. Na interpretação do articulista, a reportagem descreve uma iniciativa militar não especificada que poderia provocar um ataque iraniano, e não necessariamente uma ordem para bombardear diretamente o país.

Ele avalia que uma ofensiva com mísseis e drones contra Israel, às vésperas ou no dia da votação, poderia levar ao adiamento das eleições. O artigo também menciona informações de que a Força Aérea israelense enviou, na semana anterior, dezenas de caças e aeronaves de reabastecimento em direção à fronteira iraniana, sobrevoando Síria e Iraque.

Os aviões teriam retornado antes de entrar no espaço aéreo do Irã. Conforme os relatos reunidos pelo jornalista, o governo Trump foi avisado previamente sobre essa movimentação.

A justificativa israelense era realizar uma demonstração de força para dissuadir Teerã de atacar durante o período eleitoral. Zamir teria concordado com aquela missão, mas considerado a nova iniciativa atribuída a Netanyahu mais propensa a estimular uma reação do que a evitá-la.

A discussão ganhou outra dimensão com uma reportagem da CNN, também citada pelo Times of Israel. Segundo a emissora, Netanyahu tentou convencer Trump a participar de uma nova ofensiva contra o Irã antes das eleições israelenses e das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.

Embora tenha reiterado seu apoio à candidatura do primeiro-ministro, Trump não teria autorizado a operação. Uma fonte de segurança israelense ouvida pela CNN afirmou que o presidente americano “não deu sinal verde”.

Entre os fatores mencionados estava uma comunicação de Zamir ao chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Dan Caine, sobre o risco de adiamento da votação israelense. A CNN também informou que avaliações recentes da inteligência americana apontavam a ausência de um objetivo estratégico claro, por parte de Netanyahu e de seus aliados, para uma nova rodada de confronto com o Irã.

As denúncias provocaram críticas da oposição. O ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, apresentado no artigo como principal adversário de Netanyahu, já havia questionado a conduta do premiê em um discurso anterior à divulgação da reportagem do Canal 12.

“Vejo as pesquisas, conheço os dados e conheço Netanyahu. Ele não recuará diante de nada — nenhuma mentira, nenhuma medida extrema — para permanecer no poder”, afirmou Eisenkot.

Depois da exibição da reportagem, o oposicionista escreveu: “Netanyahu, estou de olho em você”. Na mesma manifestação, declarou que o primeiro-ministro “se recusa a entender que a segurança de Israel não é uma moeda de troca política, que as vidas dos cidadãos de Israel e dos soldados das Forças de Defesa de Israel não são descartáveis e que o Estado de Israel não é sua propriedade privada”.

O ex-primeiro-ministro Yair Lapid também reagiu: “O homem perdeu o controle”. Aos 77 anos e após acumular 19 anos como primeiro-ministro, Netanyahu disputa a continuidade no cargo com o apoio de aliados da extrema direita e de partidos ultraortodoxos.

Segundo a análise de Horovitz, as pesquisas mencionadas no artigo tampouco indicavam um caminho claro para que seus adversários conquistassem a maioria no Parlamento, necessária para formar um governo.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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