Marcel Johnson perdeu 57 kg antes de morrer; entenda o que aconteceu com o influenciador

Marcel Johnson perdeu 57 kg antes de morrer; entenda o que aconteceu com o influenciador - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A morte do influenciador Marcel Johnson, aos 32 anos, após um diagnóstico de câncer de estômago em estágio avançado, chamou atenção para uma doença mais comum em pessoas acima dos 50 anos, mas que também pode atingir adultos mais jovens. Diagnosticado em agosto de 2025, quando o tumor já estava no estágio 4, ele compartilhou nas redes sociais parte da experiência com o tratamento e relatou ter perdido cerca de 57 quilos.

Sua história levanta uma questão: por que o câncer gástrico também pode aparecer em pessoas nessa faixa etária? Nicole Taylor descobriu câncer de mama aos 31 anos; o que pode explicar um diagnóstico tão cedo?

Lito Sousa morreu de pneumonia; entenda a relação com a doença rara que ele enfrentava Um dos desafios está na identificação dos primeiros sintomas.

Queimação, dor abdominal, sensação de estômago cheio e perda de apetite podem ser confundidas com alterações digestivas frequentes, como gastrite e refluxo. Por isso, quando os desconfortos persistem ou começam a interferir na alimentação e na rotina, é importante investigar a origem.

A oncologista Roberta Galvão, especialista em oncogenética, destaca que diagnósticos de câncer em idades menos comuns podem levantar a necessidade de investigar possíveis fatores hereditários. Isso não significa, porém, que todo paciente jovem tenha uma predisposição genética.

A avaliação depende de informações como o histórico familiar, a idade em que parentes desenvolveram tumores e as características da doença. "Os testes genéticos possibilitam identificar mutações que aumentam a predisposição ao câncer, permitindo a adoção de estratégias personalizadas de prevenção, rastreamento e acompanhamento médico", explica a especialista.

Entre as condições que podem ser investigadas está a síndrome do câncer gástrico difuso hereditário, relacionada, em algumas famílias, a alterações no gene CDH1. A presença dessa mutação pode elevar o risco de desenvolvimento da doença e justificar acompanhamento específico.

No entanto, não há informações públicas que indiquem se Marcel apresentava alguma alteração genética ou histórico familiar relacionado ao câncer. Quando o desconforto no estômago merece investigação?

A associação automática entre dor abdominal, queimação e gastrite pode atrasar a identificação de outros problemas. O gastroenterologista Michel Fernandes alerta que sintomas digestivos recorrentes não devem ser atribuídos exclusivamente ao estresse ou à alimentação sem uma avaliação adequada.

"O estresse não deve ser apontado automaticamente como a causa de uma gastrite. Ele pode agravar sintomas e interferir no funcionamento do sistema digestivo, mas existem doenças que precisam ser investigadas.

Quando o paciente apresenta queimação frequente, dor ou sensação persistente de estômago cheio, a avaliação médica é importante para identificar o problema", ressalta Michel. Outro sinal que merece atenção é a perda de peso sem uma explicação aparente.

No caso de Marcel, o emagrecimento de aproximadamente 57 quilos esteve entre as consequências mais marcantes da doença. Em quadros avançados, a redução do peso pode ocorrer pela dificuldade para se alimentar, pela falta de apetite e por alterações metabólicas provocadas pelo tumor.

Em algumas situações, o paciente desenvolve caquexia, uma condição associada à perda significativa de massa muscular e de peso. Diferentemente de um emagrecimento comum, ela envolve alterações no funcionamento do organismo e não costuma ser revertida apenas com o aumento da ingestão de alimentos.

Como é feito o diagnóstico do câncer de estômago? A endoscopia digestiva alta é um dos principais exames utilizados para investigar alterações no estômago.

O procedimento permite observar o revestimento interno do órgão e coletar fragmentos de tecido para análise laboratorial, por meio da biópsia. Quando existe confirmação da doença, outros exames são realizados para verificar se o tumor está restrito ao estômago ou se atingiu outras partes do organismo.

O médico Michel também chama atenção para o uso frequente de medicamentos contra azia e queimação sem investigação da causa. Embora esses produtos possam aliviar os sintomas, a melhora temporária não significa necessariamente que o problema tenha sido resolvido.

"Não é porque a azia melhorou com um medicamento que o problema está resolvido. Quando os sintomas se repetem, precisamos compreender sua origem.

O diagnóstico correto permite tratar a causa e evitar que o paciente passe meses convivendo com desconfortos que poderiam ser controlados", alerta. Quando o câncer gástrico chega ao estágio 4, significa que as células tumorais se espalharam para órgãos ou tecidos distantes do estômago.

Nessa situação, o tratamento pode incluir quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, conforme as características do tumor e as condições clínicas do paciente. O suporte nutricional e o controle dos sintomas também fazem parte do acompanhamento.

Para Roberta, conhecer o histórico familiar pode ajudar a identificar pessoas que precisam de investigação genética e estratégias específicas de acompanhamento. Ainda assim, uma predisposição não representa uma certeza de que a doença será desenvolvida.

"A genética não determina o destino de uma pessoa, mas oferece informações valiosas para decisões mais conscientes sobre a saúde", destaca a oncologista.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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