Macron condena 'atos sediciosos' e diz que apenas protestos convocados por sindicatos serão autorizados na França

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou nesta quinta-feira o que classificou como "atos sediciosos" da "extrema esquerda" e afirmou que o governo pretende autorizar apenas manifestações convocadas por organizações sindicais — em resposta aos incidentes do fim de semana, quando marchas de manifestantes pacíficos dividiram espaço nas ruas das principais cidades francesas com uma onda de saques e atos de violência. Novos atos foram convocados para o próximo sábado, por diferentes grupos. Análise: Saques a marcas de grifes durante protestos na França expõem 'relação de amor e ódio' com a máquina do luxo Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países — Estamos presenciando atos políticos, e até mesmo sediciosos, perpetrados por grupos organizados de extrema esquerda que visam derrubar a República — disse Macron após uma reunião do conselho de segurança francês. — Atos que esses próprios grupos reivindicam abertamente, caracterizados por uma violência extrema e intensa.

O presidente francês e seu Gabinete de governo enfrentam pressões políticas em duas frentes: por um lado, os manifestantes exigem uma série de demandas, que incluem soluções para o alto custo de vida no país, melhores condições de ensino, entre outros; por outro, partidos políticos de extrema direita e extrema esquerda convergem ao culpar o governo pelo despreparo diante das marchas convocadas no sábado, que resultaram tanto em saques e depredações, quanto em denúncias de violência policial. Macron reconheceu nesta quinta que houve "falhas" na resposta aos protestos de sábado, e voltou a repetir que o governo precisa aprender com essa experiência. Ele acrescentou que as autoridades também receberam autonomia para adotar medidas específicas, como a proibição de aglomerações, e que o sistema judiciário está "totalmente mobilizado" para lidar com a situação. Protestos violentos contra o custo de vida deixam rastro de destruição na França Entenda: O que se sabe sobre os protestos na França e qual a disputa ideológica em torno dos atos de violência? Prometendo adotar uma "estratégia multifacetada" para conter eventuais distúrbios, Macron ainda disse que manifestações organizadas por sindicatos serão "analisadas em conformidade" com as leis francesas e autorizadas, desde que se garanta que possam ocorrer de forma segura, enquanto atos sem participação de organizações sindicais serão "sempre que possível, totalmente proibidos". A narrativa oficial do governo francês vem tentando distanciar atos que considera legítimos daqueles que terminaram em vandalismo e depredação. Nesta quinta, Macron afirmou que o primeiro-ministro Sébastien Lecornu receberia líderes de organizações estudantis na semana que vem, para tratar sobre suas demandas de melhoria na educação. Lideranças sindicais falaram na véspera que o governo também tem discutido propostas como o reajuste do salário mínimo. Em declarações recentes, o premier francês afirmou que informações dos serviços de inteligência apontaram grupos "ultraesquerda", incluindo antifascistas, anarquistas ou anarcoautônomos, como responsáveis por pré-planejarem atos violentos. O governo também cita a atuação de "oportunistas", que teriam se infiltrado nos protestos sociais para cometer crimes: em plataformas de comércio on-line, itens supostamente saqueados foram anunciados à venda por contas suspeitas. (Com AFP)

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