A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) afirmou, nesta quinta-feira (22), que 96% dos recifes de coral rasos do planeta estão exposto a um risco "extremamente alto" de desaparecer até 2075 devido às mudanças climáticas.
Na primeira avaliação mundial desse tipo, a principal autoridade internacional em matéria de fauna e flora ameaçadas considerou estes organismos distribuídos em mais de 80 países e territórios "em perigo crítico de colapso", nível mais alto de ameaça.
Os corais, ecossistemas ricos que abrigam um quarto de todas as espécies marinhas, são sensíveis ao calor e particularmente vulneráveis às mudanças climáticas, que provocam o aquecimento dos oceanos e aumentam a frequência e a intensidade dos episódios de branqueamento, com consequências devastadoras.
"O risco de colapso dos recifes de coral está se intensificando, mas isso deve ser um sinal de alerta, e não uma fonte de desesperança", ressaltou Mishal Gudka, responsável científico da UICN.
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Gudka lembrou que alguns "demonstraram uma capacidade notável de se recuperar após episódios devastadores de branqueamento".
No entanto, o risco de desaparecimento de alguns dos ecossistemas coralinos mais extensos e biodiversos do mundo é real.
Entre os mais ameaçados figuram a Grande Barreira de Coral da Austrália, o Triângulo de Coral no Pacífico Ocidental e Sudeste Asiático, o Recife Mesoamericano no Caribe além dos recifes do Mar Vermelho.
Na quarta-feira, a ONU advertiu que, considerando os compromissos atuais dos países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o mundo caminha para um aquecimento de +2,6 ºC neste século.
Embora a poluição, a pesca predatória e o turismo de massa também contribuam para deteriorar a saúde dos corais, "o estresse térmico associado às mudanças climáticas constitui a ameaça mais constante por trás do declínio dos recifes de coral em escala mundial", assinalou a UICN em um comunicado.
Folha de Pernambuco